ESTÍMULO CEREBRAL

Dirceu Alves Jr. (Veja SP, 4 de dezembro de 2019)      Foto de Pedro Isaías Lucas   A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é o principal coletivo da cena de Porto Alegre. Fundado há 21 anos, o grupo se firmou graças a uma estética provocadora e um permanente diálogo crítico junto ao público em montagens de rua ou desenvolvidas em salas fechadas. Cartaz do Teatro do Sesc Bom Retiro, Meierhold, adaptação da peça do dramaturgo argentino Eduardo Pavlovsky, concentra toda a sua força na reflexão de ideias em uma encenação com raros momentos surpreendentes. Paulo Flores interpreta o ator, diretor e teórico russo Vsevolod Emilevich Meierhold (1874-1940), preso, torturado e fuzilado pela ditadura stalinista por ter sua obra considerada como inadequada. O próprio personagem, tal como um fantasma, reconstitui seu passado e se mune de convicção para ressaltar o firme caráter e a necessidade de liberdade. Em algumas passagens, assume, inclusive, um saudável didatismo. A estrutura de monólogo, b

“MEIERHOLD” Última Temporada em Porto Alegre

MEIERHOLD, a nova encenação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, realiza sua última temporada em Porto Alegre, de 25 de abril a 1 de junho - quintas, sextas-feiras e sábados - às 20 horas, na Terreira da Tribo. Em cena estão os atuadores Paulo Flores, prêmio Açorianos 2018 para melhor ator, e Keter Velho, com iluminação de Clélio Cardoso. Os ingressos a R$ 40,00 e R$ 20,00 podem ser adquiridos de forma antecipada via on line na plataforma Sympla (com taxas) e na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186). MEIERHOLD tem o apoio da TVE e FM Cultura.



A encenação parte da livre adaptação da peça da chamada dramaturgia de "micropolítica de resistência” do argentino Eduardo Pavlovski “Variaciones Meyerhold” (2005). “Meierhold” mostra o encenador russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre o seu discurso artístico e os relaciona com momentos dramáticos de sua trajetória pessoal, sujeito ao cárcere, tortura e humilhações até o seu brutal assassinato pelas autoridades da Russia stalinista. Na encenação estruturada em fragmentos, Meierhold passa de pensamentos em voz alta a relatos e diálogos imaginários com diferentes interlocutores, como com a sua amada, a atriz Zinaida Reich, também assassinada tragicamente. O espetáculo utiliza-se de diferentes linguagens e recursos, inclusive audiovisuais, fragmentos de poesias surrealistas e cenografia construtivista que remete à utilizada pelo próprio Meierhold. Na encenação estão presentes elementos dos estudos e experimentos de Meierhold como o grotesco, o teatro popular de feira e a biomecânica. Ao construir seus espetáculos Meierhold tinha sempre em vista o objetivo de despertar o público, fazê-lo participar da aventura teatral. A função da arte é soltar um grito de alarme, bradar sua recusa da barbárie e despertar a consciência do ser humano em face do sofrimento. Vsevolod Emilevich Meierhold (1874-1940) é sem dúvida um dos nomes-chave da encenação e da teoria teatral de todos os tempos. A história de Meierhold não deixa de nos colocar em questionamentos sobre o momento e o lugar em que vivemos. A dinâmica da encenação busca perguntar aos espectadores como Meierhold nos afeta e nos comove no sombrio Brasil de hoje.