A vanguarda gaúcha em ação

Marcelo Marchioro ( O Estado do Paraná, 29 de Junho de 1979)   Para todos aqueles que procuram a renovação de tudo aquilo que está de uma maneira ou outra ligada ao homem, para todos os que são suficientemente abertos para receberem novas idéias e concepções e se colocam contra qualquer tipo de estagnação, para todos os que possuem uma visão ampla e irrestrita do que seja cultura e das várias maneiras pelas quais ela se manifesta, para todos aqueles que são receptivos (se não para gostar, ao menos para analisar) às novas e válidas propostas de trabalho e têm condições de entender o que seja um espetáculo consciente e revitalizador, hoje é o último dia para assistir a “Ensaio Selvagem” às 21 horas no Teatro Universitário de Curitiba, produção do grupo gaúcho “Ói Nóis Aqui Traveiz”.   Em geral, novas propostas ou manifestações de vanguarda (principalmente quando se trata de cultura) sempre são encaradas pelo público com muitas ressalvas, especialmente por aquela grande camada tradi

ÚLTIMA SEMANA DE “MEIERHOLD”

MEIERHOLD, a nova encenação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, encerra essa temporada nos dias 11, 12 e 13 de abril - quinta, sexta-feira e sábado - às 20 horas, na Terreira da Tribo. Em cena estão os atuadores Paulo Flores, prêmio Açorianos 2018 para melhor ator, e Keter Velho, com iluminação de Clélio Cardoso. Os ingressos a R$ 40,00 e R$ 20,00 podem ser adquiridos de forma antecipada via on line na plataforma Sympla (com taxas) e na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186). MEIERHOLD tem o apoio da TVE e FM Cultura. 

Foto: Lucas Gheller

 
A encenação parte da livre adaptação da peça da chamada dramaturgia de "micropolítica de resistência” do argentino Eduardo Pavlovski “Variaciones Meyerhold” (2005). “Meierhold” mostra o encenador russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre o seu discurso artístico e os relaciona com momentos dramáticos de sua trajetória pessoal, sujeito ao cárcere, tortura e humilhações até o seu brutal assassinato pelas autoridades da Russia stalinista. Na encenação estruturada em fragmentos, Meierhold passa de pensamentos em voz alta a relatos e diálogos imaginários com diferentes interlocutores, como com a sua amada, a atriz Zinaida Reich, também assassinada tragicamente. O espetáculo utiliza-se de diferentes linguagens e recursos, inclusive audiovisuais, fragmentos de poesias surrealistas e cenografia construtivista que remete à utilizada pelo próprio Meierhold. Na encenação estão presentes elementos dos estudos e experimentos de Meierhold como o grotesco, o teatro popular de feira e a biomecânica. Ao construir seus espetáculos Meierhold tinha sempre em vista o objetivo de despertar o público, fazê-lo participar da aventura teatral. A função da arte é soltar um grito de alarme, bradar sua recusa da barbárie e despertar a consciência do ser humano em face do sofrimento. Vsevolod Emilevich Meierhold (1874-1940) é sem dúvida um dos nomes-chave da encenação e da teoria teatral de todos os tempos. A história de Meierhold não deixa de nos colocar em questionamentos sobre o momento e o lugar em que vivemos. A dinâmica da encenação busca perguntar aos espectadores como Meierhold nos afeta e nos comove no sombrio Brasil de hoje.

INGRESSOS AQUI