DUAS CARTAS PARA MEYERHOLD

  Carta de Henrique Saidel   Fotos de Eugênio Barboza, Lucas Gheller e Pedro Isaias Lucas Porto Alegre, inverno de 2020 Querido Meyerhold, Escrevo esta carta como quem escreve algo de muito importante, como quem escreve algo que lhe causa um tanto de medo e hesitação, como alguém que deseja escrever coisas bonitas, coisas inesquecíveis, inteligentes, coisas revolucionárias, coisas que estejam à altura da tua arte, do teu teatro, da tua vida. Escrevo esta carta depois de ter escrito “Querido Meyerhold”, ali no topo da página, há vários dias e depois de ter ficado vários dias sem escrever mais nada, apenas olhando a página em branco e pensando em todas as coisas bonitas, inesquecíveis, inteligentes e revolucionárias que eu poderia dizer para você e a teu respeito. Escrevo esta carta mais de um ano depois de ter visto (duas vezes) a peça que o Ói Nóis Aqui Traveiz fez com você no título e como personagem, e mais de dezenove ou vinte anos depois de te ler pela primeira v

A VIDA DE GALILEU NO CINECLUBE DA TERREIRA DA TRIBO

Nesta segunda-feira, dia 27 de maio, o Cineclube da Terreira da Tribo exibe o filme “A Vida de Galileu” de Joseph Losey, seguido de debate com a professora doutora Paulina Nólibos, dentro da mostra Cinema e Teatro. Adaptação da peça “Galileu Galilei” de Bertolt Brecht numa produção norte-americana de 1975. A programação com entrada franca é sempre às 20 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont 1186). A Terreira da Tribo que sempre ocupou prédios privados pagando onerosos alugueis se encontra num momento dramático para conseguir viabilizar a sua existência. “Terreira da Tribo – Eu Apoio” é uma campanha de apoio coletivo e permanente que a Tribo lançou na plataforma virtual da Benfeitoria como forma de manutenção do espaço da Terreira que completa 35 anos de existência na cidade de Porto Alegre. Mais informações em www.benfeitoria.com/terreiradatribo





Galileu (vivido pelo ator israelense Chaim Topol) foi uma das figuras mais importantes da história da humanidade. No século XVII foi um dos responsáveis pela fundação da ciência moderna. Nesta adaptação vemos o célebre físico Galileu Galilei comprovar, por meio de instrumentos e verificação científica, a validade das teorias de Copérnico. Suas teorias e o trabalho de Galileu fazem ir abaixo toda uma ordem conceitual que justificava o poder da Igreja Católica na época. É lógico que as autoridades eclesiásticas não gostam nem um pouco disso e, mesmo em um primeiro momento comprovando as teorias de Galileu, optam por mantê-lo calado, por meio da força, com ameaças de tortura e morte, de modo que suas ideias não se espalhem pelo continente europeu. O filme, porém, vai além da importância de Galileu, pois mostra os interesses em jogo, mesmo na ciência: interesses de classe, materiais e pessoais.

Bertolt Brecht na sua peça resgata Galileu Galilei, apresentando que algumas questões, como desconstruir verdades e ser critico ao poder dominante, não foram superados, pois, o intelectual continua sendo interrogado por suas decisões e seus pontos de vista. A liberdade, as condições de vida, o reconhecimento do trabalho intelectual, são, por muitas vezes, deturpados, não legitimados e muito menos, aceitos pela sociedade ou pelo poder vigente. Compreender o processo de construção do intelectual no século XXI e o papel do mesmo frente a questões de reconhecimento e legitimação, nos leva a refletir sobre ao autoritarismo do poder e as condições necessárias de vida e produção acadêmica dos intelectuais. A análise desta adaptação cinematográfica nos trás indagações sobre a situação deste grupo neste século e lembra-nos qual é o papel do intelectual e como ele tem se desenvolvido no tempo.