TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

CALIBAN NA REDENÇÃO

ABRE O I LABORATÓRIO ABERTO COM A TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ


Foto Eugênio Barboza



Neste domingo, dia 30 de junho, às 15 horas, no Parque da Redenção (próximo do Monumento ao Expedicionário) a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz encena “Caliban - A Tempestade de Augusto Boal” na abertura do seu
I Laboratório Aberto. O objetivo do I Laboratório Aberto da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é difundir a prática e metodologia de criação e treinamento desenvolvido pelo grupo ao longo de 41 anos de atuação e pesquisa. O Laboratório Aberto será composto de Oficinas, Espetáculos, Filmes e Seminários.

Na versão de Augusto Boal para o clássico de William Shakespeare, escrita em 1611, a história é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos seres humanos originários da América que foram dizimados e escravizados pelos invasores colonizadores representados pelo personagem Próspero. O duque de Milão é tão perverso quanto os nobres europeus que usurparam o seu poder. Todos representam a violenta dominação colonial e cultural. Sua filha Miranda e o príncipe de Nápoles, Fernando, fazem uma aliança não por amor como na peça de Shakespeare, mas sim por interesses capitalistas. Ariel, o “espírito do ar”, representa o artista alienado, mescla de escravo e mercenário a serviço da ordem constituída. Somente Caliban se revolta até ser finalmente, derrotado. Os vilões permanecem na “ilha tropical” para escraviza-lo. Mesmo escravo, Caliban resiste. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu Teatro de Rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. Para seduzir o público anônimo e passageiro das ruas das cidades, a encenação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração é toda contagiada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade.

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA
De 1 a 5 de julho, das 10 às 13 horas, acontece a Oficina Ator, Presença e Rito, ministrada pela atuadora Tânia Farias, na Sala Marcos Barreto da Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736).
Na segunda, dia 1 de julho, às 20 horas, na programação do CineClube Terreira da Tribo: Eu Apoio! o filme “O Amargo Santo da Purificação” (90 minutos), na sala A2B2 (segundo andar da Casa de Cultura Mário Quintana), retirada de senhas uma hora antes. Registro com fotografia e edição de Pedro Isaias Lucas do espetáculo de teatro de rua da Tribo sobre a trjetória do revolucionário brasileiro Carlos Marighella.
Nos dias 2 e 4 de julho, terça-feira ( para os oficinandos do Laboratório) e quinta-feira (para o público em geral), acontecem os ensaios abertos de “Medeia Vozes” (180 minutos) na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont 1186), retirada de senhas uma hora antes. Encenação coletiva multipremiada onde o mito de Medeia é reinventado. Medeia livra-se da imagem de infanticida e aparece como uma mulher que ousou desafiar a ordem patriarcal.
No sábado, dia 6 de julho, às 20 horas, na programação do CineClube Terreira da Tribo: Eu Apoio! os filmes “Kassandra In Process” (67 minutos) e “Raízes do Teatro” (26 minutos), na sala A2B2 (segundo andar da Casa de Cultura Mário Quintana). A partir das filmagens do espetáculo Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra In Process (Prêmio Açorianos e Prêmio Shell), a Tribo e a Catarse – Coletivo de Comunicação elaboraram este registro. Raízes do Teatro é um documentário com direção e roteiro de Pedro Isaias Lucas, sobre o projeto de pesquisa do Ói Nóis Aqui Traveiz sobre as origens ritualísticas do teatro.
O Laboratório Aberto faz parte do projeto “Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz – Uma Celebração de 40 anos de Utopia, Paixão e Resistência” que é financiado pelo Governo do Estado – Secretaria da Cultura – Pró-cultura RS LIC, Lei n.o 13.490/10, com Patrocínio da Fruki. O projeto tem o apoio da Casa de Cultura Mário Quintana e da Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal de Cultura.