A vanguarda gaúcha em ação

Marcelo Marchioro ( O Estado do Paraná, 29 de Junho de 1979)   Para todos aqueles que procuram a renovação de tudo aquilo que está de uma maneira ou outra ligada ao homem, para todos os que são suficientemente abertos para receberem novas idéias e concepções e se colocam contra qualquer tipo de estagnação, para todos os que possuem uma visão ampla e irrestrita do que seja cultura e das várias maneiras pelas quais ela se manifesta, para todos aqueles que são receptivos (se não para gostar, ao menos para analisar) às novas e válidas propostas de trabalho e têm condições de entender o que seja um espetáculo consciente e revitalizador, hoje é o último dia para assistir a “Ensaio Selvagem” às 21 horas no Teatro Universitário de Curitiba, produção do grupo gaúcho “Ói Nóis Aqui Traveiz”.   Em geral, novas propostas ou manifestações de vanguarda (principalmente quando se trata de cultura) sempre são encaradas pelo público com muitas ressalvas, especialmente por aquela grande camada tradi

MEDEIA VOZES VOLTA À CENA

A criação coletiva multipremiada “Medeia Vozes” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz reestreia no dia 29 de julho, às 19:30 horas, na Terreira da Tribo, para uma curta temporada, segundas e terças-feiras, até o dia 20 de agosto. Ingressos antecipados na plataforma sympla.com a R$ 60,00 e R$ 30,00 (estudantes, classe artística e pessoas com mais de 60 anos). “Medeia Vozes” tem apoio da TVE e FM Cultura.

 
Foto Pedro Isaias Lucas
 
Criada em 2013, “Medeia Vozes”, inspirada no romance homônimo de Christa Wolf, traz para o público um espetáculo multicultural que investiga o teatro ritual de origem artaudiana e a performance contemporânea. O Ói Nóis Aqui Traveiz faz uma releitura do mito, desconstruindo o modelo euripidiano, apresentando Medeia como uma mulher de conhecimento e de atitude que se contrapõe ao poder estabelecido. É através do olhar feminino da personagem que o público vai desvelar a sociedade patriarcal e beligerante que exclui a mulher e o estrangeiro. Medeia é transformada em bode expiatório numa sociedade de vítimas, com a falsa acusação de assassinato dos filhos, prisão e banimento. A encenação forma uma obra polifônica, somam-se vozes de mulheres como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. Os espectadores inseridos no espaço cênico em contato direto com a ação, são mobilizados na sua afetividade. Não interessa a compreensão linear do espetáculo, mas propor uma visão explodida, fragmentada, com diversificação dos planos e simultaneidade da ação. A reconstituição dos fatos é deixada à iniciativa de cada um. “Medeia Vozes” investe na ideia de encontro potencialmente transformador de todos os participantes. “Medeia Vozes” recebeu a grande maioria dos prêmios concedido ao teatro gaúcho (Açorianos de melhor espetáculo, melhor atriz para Tânia Farias, direção, cenografia, iluminação, trilha original para Johann Alex de Souza, dramaturgia e produção, e Prêmio de Melhor Espetáculo pela Escola de Espectadores), também realizou temporada em São Paulo, Arco Verde em Pernambuco e Crato no Ceará.