O FAUSTO BRILHANTE

Rafael Baião*E ou toda beleza que não é puramente bela e necessariamente belo a menos que seja (in) completo.- Mas se é espetáculo! Logo é belo (!) (?)- Logu é belo?- Logo não era necessário discutir o belo e o logo nem se fala.- Sem muito belelego vamos ao principal: Vi o FAUSTO da Terreira, pela primeira vez, numa sexta-feira, eu acho, de 1994, setembro. Transa com beleza, a feiúra, a razão, o sentimento. Saí me perguntando se entendi ou não, ou se era claro que tinha entendido. Quis ver de novo e vi. Tinha muita gente, uma plateia receptiva e ágil.  Essa montagem do Grupo ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ é denominada missa (quem quiser, comunga). Conta a história de um sábio, Dr. Fausto, que faz um pacto com o Cujo, a fim de saciar sua sede de conhecimento. Salva-se por sua insatisfação! Tudo que Mephisto oferece – dinheiro, paixões, terras, poderes... – lhe é insuficiente. Ele ultrapassa os limites de seu cúmplice. Não se rende, não se vende; arrepende-se, transforma-se. Tran…

MEDEIA VOZES VOLTA À CENA

A criação coletiva multipremiada “Medeia Vozes” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz reestreia no dia 29 de julho, às 19:30 horas, na Terreira da Tribo, para uma curta temporada, segundas e terças-feiras, até o dia 20 de agosto. Ingressos antecipados na plataforma sympla.com a R$ 60,00 e R$ 30,00 (estudantes, classe artística e pessoas com mais de 60 anos). “Medeia Vozes” tem apoio da TVE e FM Cultura.

 
Foto Pedro Isaias Lucas
 
Criada em 2013, “Medeia Vozes”, inspirada no romance homônimo de Christa Wolf, traz para o público um espetáculo multicultural que investiga o teatro ritual de origem artaudiana e a performance contemporânea. O Ói Nóis Aqui Traveiz faz uma releitura do mito, desconstruindo o modelo euripidiano, apresentando Medeia como uma mulher de conhecimento e de atitude que se contrapõe ao poder estabelecido. É através do olhar feminino da personagem que o público vai desvelar a sociedade patriarcal e beligerante que exclui a mulher e o estrangeiro. Medeia é transformada em bode expiatório numa sociedade de vítimas, com a falsa acusação de assassinato dos filhos, prisão e banimento. A encenação forma uma obra polifônica, somam-se vozes de mulheres como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. Os espectadores inseridos no espaço cênico em contato direto com a ação, são mobilizados na sua afetividade. Não interessa a compreensão linear do espetáculo, mas propor uma visão explodida, fragmentada, com diversificação dos planos e simultaneidade da ação. A reconstituição dos fatos é deixada à iniciativa de cada um. “Medeia Vozes” investe na ideia de encontro potencialmente transformador de todos os participantes. “Medeia Vozes” recebeu a grande maioria dos prêmios concedido ao teatro gaúcho (Açorianos de melhor espetáculo, melhor atriz para Tânia Farias, direção, cenografia, iluminação, trilha original para Johann Alex de Souza, dramaturgia e produção, e Prêmio de Melhor Espetáculo pela Escola de Espectadores), também realizou temporada em São Paulo, Arco Verde em Pernambuco e Crato no Ceará.