TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

TERREIRA DA TRIBO EU APOIO! CINEMA COM ENTRADA FRANCA

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz volta a partir de 2 de setembro, dentro da campanha TERREIRA DA TRIBO EU APOIO!, a sua programação, com entrada franca, nas noites de segundas e terças-feiras. Cinema e música vão se alternar com encenações de teatro e performance. O Cineclube da Terreira inicia a programação com dois filmes de Fernando Arrabal, “Viva La Muerte!”, na segunda-feira, e “A Árvore de Guernica”, na terça-feira. No dia 3 de setembro após o filme conversa com o professor doutor Enrique Padrós (UFRGS). A programação acontecerá sempre às 20 horas, com senhas distribuidas a partir das 19 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont 1186). A Terreira da Tribo que sempre ocupou prédios privados pagando onerosos alugueis se encontra num momento dramático para conseguir viabilizar a sua existência. “Terreira da Tribo – Eu Apoio” é uma campanha de apoio coletivo e permanente que a Tribo lançou na plataforma virtual da Benfeitoria como forma de manutenção do espaço da Terreira que completa 35 anos de existência na cidade de Porto Alegre. Mais informações em www.benfeitoria.com/terreiradatribo .


 
Abrindo a programação, no dia 2 de setembro, será exibido o filme “Viva La Muerte!”(1971) e, no dia 3 de setembro, “A Àrvore de Guernica” (1975). “Viva La muerte!” se passa durante a guerra civil espanhola, Fando é um menino que vê como seu pai é arrastado pelos militares depois que sua mãe o delata por colaborar como os “vermelhos”. Sua mãe é fascista e católica e Fando constantemente lhe faz perguntas sobre a morte e sobretudo do paradeiro de seu pai, o qual, segundo sua mãe, foi executado. Em “A Àrvore de Guernica”, iniciada a Guerra Civil Espanhola, o exército de Franco encontra nos territórios do norte do país, terra dos bascos, uma forte resistência. Um desses lugares é o povo de Villa Ramiro, que está governada por um conde, título que provém da idade média e que ainda mantém a vida feudal. Seus habitantes, fartos já deste sistema injusto, se rebelam contra o nobre reclamando seus direitos, aproveitando os ares renovadores da República.



Os dois longa-metragens foram dirigidos pelo dramaturgo, poeta e diretor de cinema, o espanhol Fernando Arrabal, criador juntamente com Alejandro Jodorowsky e Roland Topor, no início dos anos 60, em París, do Movimento Pânico; designação que vem etimologicamente do deus grego “Pan”, deus da totalidade, e se deu como uma expressão artística com pretensões de anunciar a loucura controlada como possibilidade de sobrevivência ante uma sociedade em crise de valores (a sociedade pós-moderna). Arrabal é mais conhecido no Brasil pelas peças teatrais como “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, “O Cemitério de Automóveis”, “A Torre de Babel” e “O Pic-Nic no Front”. A fonte da sua criação é a Espanha mística, blasfema, reprimida, repressora, trágica, farsesca e barroca.