A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

"CUNHÃS" TEATRO COM ENTRADA FRANCA

Nesta segunda e terça-feira, dias 9 e 10 de setembro, o Panapaná Coletivo de Teatro Panapaná, da cidade de Canoas, apresenta o espetáculo “Cunhãs”, com entrada franca, às 20 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), com senhas distribuidas a partir das 19 horas. As apresentações fazem parte da campanha TERREIRA DA TRIBO EU APOIO!, com programação de teatro, performance, cinema e música, com entrada franca, nas noites de segundas e terças-feiras. A Terreira da Tribo que sempre ocupou prédios privados pagando onerosos alugueis se encontra num momento dramático para conseguir viabilizar a sua existência. “Terreira da Tribo – Eu Apoio” é uma campanha de apoio coletivo e permanente que a Tribo lançou na plataforma virtual da Benfeitoria como forma de manutenção do espaço da Terreira que completa 35 anos de existência na cidade de Porto Alegre. Mais informações em www.benfeitoria.com/terreiradatribo .

Foto: Bárbara Hoch


“Cunhãs” propõe um diálogo entre mulheres por meio da evocacão de grandes nomes como Malala Yousafzai, Frida Khalo, Domitila de Chungara e Maria da Penha, e suas ideias de educação, liberdade, organização e enfrentamento à violência. Permeando as narrativas, outras figuras nos lembram as avós, as benzedeiras, as indígenas, mulheres que fazem parte da história de cada pessoa. As cunhãs compartilham estas histórias com outras cunhãs, na busca do fortalecimento individual e coletivo. Na língua Tupi, cunhãs significa companheira e irmã. O coletivo Panapaná conta com o apoio da TVE e FM Cultura.