Denúncia atualizada de Heiner Muller

Antônio Holfeldt (Jornal do Comércio, 13 de Agosto de 1999) Fotos de Claudio Etges
A estreia de Hamlet Máquina, do dramaturgo alemão contemporâneo Heiner Müller, pelo grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, é um acontecimento verdadeiramente ambíguo. A ambiguidade nasce do fato de a montagem desta peça, que consagrou e projetou internacionalmente o dramaturgo da Antiga Alemanha Popular, ser, por certo, uma feliz oportunidade para nosso teatro, mas, por outro lado, comemorando os quinze de localização da Terreira da Tribo, espaço cênico onde o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve suas pesquisas e interferências na cidade, constitui-se também em seu canto de cisne: ao final de agosto, interrompendo a sua temporada, a Terreira da Tribo fechará suas portas e o Ói Nóis Aqui Traveiz estará na rua, motivado, dentre outras coisas, pela decisão (ambígua) da Prefeitura Municipal de Porto Alegre em se negar a dar qualquer apoio ao grupo.
A ambiguidade é mais significativa, se formos capazes de fazer a correta leitu…

"CUNHÃS" TEATRO COM ENTRADA FRANCA

Nesta segunda e terça-feira, dias 9 e 10 de setembro, o Panapaná Coletivo de Teatro Panapaná, da cidade de Canoas, apresenta o espetáculo “Cunhãs”, com entrada franca, às 20 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), com senhas distribuidas a partir das 19 horas. As apresentações fazem parte da campanha TERREIRA DA TRIBO EU APOIO!, com programação de teatro, performance, cinema e música, com entrada franca, nas noites de segundas e terças-feiras. A Terreira da Tribo que sempre ocupou prédios privados pagando onerosos alugueis se encontra num momento dramático para conseguir viabilizar a sua existência. “Terreira da Tribo – Eu Apoio” é uma campanha de apoio coletivo e permanente que a Tribo lançou na plataforma virtual da Benfeitoria como forma de manutenção do espaço da Terreira que completa 35 anos de existência na cidade de Porto Alegre. Mais informações em www.benfeitoria.com/terreiradatribo .

Foto: Bárbara Hoch


“Cunhãs” propõe um diálogo entre mulheres por meio da evocacão de grandes nomes como Malala Yousafzai, Frida Khalo, Domitila de Chungara e Maria da Penha, e suas ideias de educação, liberdade, organização e enfrentamento à violência. Permeando as narrativas, outras figuras nos lembram as avós, as benzedeiras, as indígenas, mulheres que fazem parte da história de cada pessoa. As cunhãs compartilham estas histórias com outras cunhãs, na busca do fortalecimento individual e coletivo. Na língua Tupi, cunhãs significa companheira e irmã. O coletivo Panapaná conta com o apoio da TVE e FM Cultura.