TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

MAIS UM ATENTADO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO DESSA VEZ FOI A CAIXA CULTURAL DO RECIFE

"Abrazo" Foto: Cacá Diniz


A censura que já vem se tornando recorrente desde 2016, aconteceu desta vez no Recife. O espetáculo  “Abrazo”, do grupo teatral Clowns de Shakespeare de Natal (RN), teve as suas sessões suspensas pela Caixa Cultural Recife. No último sábado, dia 7 de setembro, após haver realizado a primeira apresentação do espetáculo Abrazo na Caixa Cultural Recife, o grupo foi surpreendido com o cancelamento da segunda sessão do dia, assim como das demais apresentações que seriam realizadas no dia seguinte. Nesta segunda-feira o Clowns de Shakespeare recebeu um comunicado oficial da Caixa Econômica Federal informando a rescisão do contrato relativo ao restante desta temporada, que se estenderia até o próximo domingo, 15 de setembro, sob a genérica alegação de descumprimento contratual. Nenhum esclarecimento adicional  foi dado, o que levou o grupo a solicitar da Caixa o parecer jurídico e a decisão administrativa relativos a essa rescisão, com detalhamento para que o grupo possa recorrer judicialmente. O contrato de patrocínio celebrado com a Caixa decorreu de edital no qual se habilitou e foi selecionado o Grupo Clowns de Shakespeare, dentro das normas legais de seleção de projetos. Essa justificativa, genérica e lacônica, sem maiores esclarecimentos pela Caixa, é mais uma forma de censura a arte no nosso país. Os artistas do Recife estão preparando uma manifestação pela Liberdade de Expressão para este sábado em frente a Caixa Cultural Recife.
Livremente inspirada em “O Livro dos abraços”, de Eduardo Galeano, com roteiro dramatúrgico de César Ferrario e direção de Marco França, a peça leva para o universo da criança temas como guerras e proibições. No elenco os atores Camille Carvalho, Dudu Galvão e Paula Queiroz, se revezam entre os vários personagens. 

O Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare, um dos mais importantes do país, foi criado em 1993 em Natal e, desde então, vem desenvolvendo um trabalho com ênfase na construção da presença cênica do ator, explorando a musicalidade da cena e do corpo, e pesquisando elementos do teatro popular e da comédia. Como o nome indica, mesmo sem trabalhar diretamente com o palhaço em cena, as técnicas do clown estão presentes na estética do grupo. Elas aparecem na relação de empatia com a platéia, ou no lirismo que compõe o universo desses seres, além, é claro, da comicidade que os palhaços carregam. Já veio a Porto Alegre pelo Palco Giratório e Porto Alegre Em Cena, e em 2017 apresentou o espetáculo “Nuestra Senhora de Las Nuvens”, de Aristides Vargas, no V Festival de Teatro Popular: Jogos de Aprendizagem da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.