Denúncia atualizada de Heiner Muller

Antônio Holfeldt (Jornal do Comércio, 13 de Agosto de 1999) Fotos de Claudio Etges
A estreia de Hamlet Máquina, do dramaturgo alemão contemporâneo Heiner Müller, pelo grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, é um acontecimento verdadeiramente ambíguo. A ambiguidade nasce do fato de a montagem desta peça, que consagrou e projetou internacionalmente o dramaturgo da Antiga Alemanha Popular, ser, por certo, uma feliz oportunidade para nosso teatro, mas, por outro lado, comemorando os quinze de localização da Terreira da Tribo, espaço cênico onde o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve suas pesquisas e interferências na cidade, constitui-se também em seu canto de cisne: ao final de agosto, interrompendo a sua temporada, a Terreira da Tribo fechará suas portas e o Ói Nóis Aqui Traveiz estará na rua, motivado, dentre outras coisas, pela decisão (ambígua) da Prefeitura Municipal de Porto Alegre em se negar a dar qualquer apoio ao grupo.
A ambiguidade é mais significativa, se formos capazes de fazer a correta leitu…

“Tu Não Vale Nada” EVOÉ! JÚLIO SARAIVA


No próximo dia 19 de setembro, quinta-feira, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), amigos, artistas e o público de teatro vai celebrar a trajetória do artista porto-alegrense Júlio Saraiva. Uma homenagem a sua irreverência, à sua arte sarcástica e provocativa. Um recorte caleidoscópico e fragmentado de sua vida e obra para guardar na memória. A rememoração da sua trajetória, no dia que ele completaria 71 anos, será uma noite com depoimentos, exposição plástica, teatro, cinema e música. A partir das 18 horas com entrada franca.



             Júlio Saraiva, falecido recentemente, era um artista completo, ator e diretor teatral, bonequeiro, cenógrafo, iluminador, artista plástico e músico. Um dos artistas mais importante da história recente do teatro gaúcho atuou em encenações importantes como “Hoje é Dia de Rock”, “A Morta”, “A Morte e a Donzela”. Dirigiu peças memoráveis como “Rango” e “Papel, Papel, Papelada” na década de oitenta. Arquiteto por formação, Saraiva teve importante atuação no teatro de bonecos. Em 1994, dirigiu Maria Farrar, baseada no poema de Bertolt Brecht, com o grupo Julietas e os Metabonecos. Nos anos dois mil criou  “Os Vigaristas” e “Van Gogh”, dirigindo e atuando. Entre os seus trabalhos mais recentes estiveram as direções de “O Último Personagem 1968 — Um Exercício Dramático” com Eduardo Toledo, “O Idiota — Capítulo 6”, baseado na obra de Dostoiévski, com Gutto Basso, e “Hoje Sou Hum; Amanhã Outro”, peça de Qorpo-Santo com o Ubando Grupo. Atuou também em cinema e protagonizou, em 2017, o filme “Sobre Sonhos e Águas” de Mirela Kruel.
            Na noite de celebração haverá uma exposição de máscaras criadas por Júlio Saraiva e retratos de Júlio pintados pelo artista Sérgio Stein,  organizada por Isabella Lacerda e Renan Leandro. Haverá uma mostra de cenas de peças dirigidas por Saraiva com os grupos Teatro Tabarin e Ubando, e os artistas Nelson Haas, Beth Bado, Jairo Klein e Núbia Quintana. Será exibido um documentário sobre a sua trajetória e o filme “Sobre Sonhos e Águas”, além de depoimentos de diversos artistas.  Finalizando com a música de Maria Rita Stumpf apresentando canções do seu último álbum, e dos compositores Luis Paulo Faccioli e Zé Caradipia.