A vanguarda gaúcha em ação

Marcelo Marchioro ( O Estado do Paraná, 29 de Junho de 1979)   Para todos aqueles que procuram a renovação de tudo aquilo que está de uma maneira ou outra ligada ao homem, para todos os que são suficientemente abertos para receberem novas idéias e concepções e se colocam contra qualquer tipo de estagnação, para todos os que possuem uma visão ampla e irrestrita do que seja cultura e das várias maneiras pelas quais ela se manifesta, para todos aqueles que são receptivos (se não para gostar, ao menos para analisar) às novas e válidas propostas de trabalho e têm condições de entender o que seja um espetáculo consciente e revitalizador, hoje é o último dia para assistir a “Ensaio Selvagem” às 21 horas no Teatro Universitário de Curitiba, produção do grupo gaúcho “Ói Nóis Aqui Traveiz”.   Em geral, novas propostas ou manifestações de vanguarda (principalmente quando se trata de cultura) sempre são encaradas pelo público com muitas ressalvas, especialmente por aquela grande camada tradi

“Tu Não Vale Nada” EVOÉ! JÚLIO SARAIVA


No próximo dia 19 de setembro, quinta-feira, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), amigos, artistas e o público de teatro vai celebrar a trajetória do artista porto-alegrense Júlio Saraiva. Uma homenagem a sua irreverência, à sua arte sarcástica e provocativa. Um recorte caleidoscópico e fragmentado de sua vida e obra para guardar na memória. A rememoração da sua trajetória, no dia que ele completaria 71 anos, será uma noite com depoimentos, exposição plástica, teatro, cinema e música. A partir das 18 horas com entrada franca.



             Júlio Saraiva, falecido recentemente, era um artista completo, ator e diretor teatral, bonequeiro, cenógrafo, iluminador, artista plástico e músico. Um dos artistas mais importante da história recente do teatro gaúcho atuou em encenações importantes como “Hoje é Dia de Rock”, “A Morta”, “A Morte e a Donzela”. Dirigiu peças memoráveis como “Rango” e “Papel, Papel, Papelada” na década de oitenta. Arquiteto por formação, Saraiva teve importante atuação no teatro de bonecos. Em 1994, dirigiu Maria Farrar, baseada no poema de Bertolt Brecht, com o grupo Julietas e os Metabonecos. Nos anos dois mil criou  “Os Vigaristas” e “Van Gogh”, dirigindo e atuando. Entre os seus trabalhos mais recentes estiveram as direções de “O Último Personagem 1968 — Um Exercício Dramático” com Eduardo Toledo, “O Idiota — Capítulo 6”, baseado na obra de Dostoiévski, com Gutto Basso, e “Hoje Sou Hum; Amanhã Outro”, peça de Qorpo-Santo com o Ubando Grupo. Atuou também em cinema e protagonizou, em 2017, o filme “Sobre Sonhos e Águas” de Mirela Kruel.
            Na noite de celebração haverá uma exposição de máscaras criadas por Júlio Saraiva e retratos de Júlio pintados pelo artista Sérgio Stein,  organizada por Isabella Lacerda e Renan Leandro. Haverá uma mostra de cenas de peças dirigidas por Saraiva com os grupos Teatro Tabarin e Ubando, e os artistas Nelson Haas, Beth Bado, Jairo Klein e Núbia Quintana. Será exibido um documentário sobre a sua trajetória e o filme “Sobre Sonhos e Águas”, além de depoimentos de diversos artistas.  Finalizando com a música de Maria Rita Stumpf apresentando canções do seu último álbum, e dos compositores Luis Paulo Faccioli e Zé Caradipia.