DUAS CARTAS PARA MEYERHOLD

  Carta de Henrique Saidel   Fotos de Eugênio Barboza, Lucas Gheller e Pedro Isaias Lucas Porto Alegre, inverno de 2020 Querido Meyerhold, Escrevo esta carta como quem escreve algo de muito importante, como quem escreve algo que lhe causa um tanto de medo e hesitação, como alguém que deseja escrever coisas bonitas, coisas inesquecíveis, inteligentes, coisas revolucionárias, coisas que estejam à altura da tua arte, do teu teatro, da tua vida. Escrevo esta carta depois de ter escrito “Querido Meyerhold”, ali no topo da página, há vários dias e depois de ter ficado vários dias sem escrever mais nada, apenas olhando a página em branco e pensando em todas as coisas bonitas, inesquecíveis, inteligentes e revolucionárias que eu poderia dizer para você e a teu respeito. Escrevo esta carta mais de um ano depois de ter visto (duas vezes) a peça que o Ói Nóis Aqui Traveiz fez com você no título e como personagem, e mais de dezenove ou vinte anos depois de te ler pela primeira v

“Tu Não Vale Nada” EVOÉ! JÚLIO SARAIVA


No próximo dia 19 de setembro, quinta-feira, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), amigos, artistas e o público de teatro vai celebrar a trajetória do artista porto-alegrense Júlio Saraiva. Uma homenagem a sua irreverência, à sua arte sarcástica e provocativa. Um recorte caleidoscópico e fragmentado de sua vida e obra para guardar na memória. A rememoração da sua trajetória, no dia que ele completaria 71 anos, será uma noite com depoimentos, exposição plástica, teatro, cinema e música. A partir das 18 horas com entrada franca.



             Júlio Saraiva, falecido recentemente, era um artista completo, ator e diretor teatral, bonequeiro, cenógrafo, iluminador, artista plástico e músico. Um dos artistas mais importante da história recente do teatro gaúcho atuou em encenações importantes como “Hoje é Dia de Rock”, “A Morta”, “A Morte e a Donzela”. Dirigiu peças memoráveis como “Rango” e “Papel, Papel, Papelada” na década de oitenta. Arquiteto por formação, Saraiva teve importante atuação no teatro de bonecos. Em 1994, dirigiu Maria Farrar, baseada no poema de Bertolt Brecht, com o grupo Julietas e os Metabonecos. Nos anos dois mil criou  “Os Vigaristas” e “Van Gogh”, dirigindo e atuando. Entre os seus trabalhos mais recentes estiveram as direções de “O Último Personagem 1968 — Um Exercício Dramático” com Eduardo Toledo, “O Idiota — Capítulo 6”, baseado na obra de Dostoiévski, com Gutto Basso, e “Hoje Sou Hum; Amanhã Outro”, peça de Qorpo-Santo com o Ubando Grupo. Atuou também em cinema e protagonizou, em 2017, o filme “Sobre Sonhos e Águas” de Mirela Kruel.
            Na noite de celebração haverá uma exposição de máscaras criadas por Júlio Saraiva e retratos de Júlio pintados pelo artista Sérgio Stein,  organizada por Isabella Lacerda e Renan Leandro. Haverá uma mostra de cenas de peças dirigidas por Saraiva com os grupos Teatro Tabarin e Ubando, e os artistas Nelson Haas, Beth Bado, Jairo Klein e Núbia Quintana. Será exibido um documentário sobre a sua trajetória e o filme “Sobre Sonhos e Águas”, além de depoimentos de diversos artistas.  Finalizando com a música de Maria Rita Stumpf apresentando canções do seu último álbum, e dos compositores Luis Paulo Faccioli e Zé Caradipia.