TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 19]

“Se Não Tem Pão, Comam Bolo!” tem por referência a célebre frase da rainha da França, Maria Antonieta,quando no princípio da Revolução Francesa, pressionada em seu próprio palácio pelo povo que pedia pão, pateticamente perguntou por que não comiam brioches. Encenação popular, esta fábula política recorre ao fato histórico para falar de problemas cotidianos que afligem a maioria dos brasileiros: a fome, a opressão, os desmandos do poder e a corrupção dos políticos. Os personagens são saltimbancos contadores de histórias, que de uma forma satírica e divertida cantam para o povo, nas ruas, o que a sociedade burguesa procura esconder: a luta de classes. 
    “SE NÃO TEM PÃO, COMAM BOLO!” Roteiro e direção : criação coletiva Figurinos : Arlete Cunha Adereços : Zau Figueiredo Música : Rogério Lauda Elenco : Arlete Cunha, Kike Barbosa, Rogério Lauda e Sandra Possani Intérprete em substituição : Vera Parenza Estreia : 14 de fevereiro de 1993 (Espetáculo de rua) TERREIRA DA TRIBO EU APOIO! Você

“Tu Não Vale Nada” EVOÉ! JÚLIO SARAIVA

No próximo dia 19 de setembro, quinta-feira, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), amigos, artistas e o público de teatro vai celebrar a trajetória do artista porto-alegrense Júlio Saraiva. Uma homenagem a sua irreverência, à sua arte sarcástica e provocativa. Um recorte caleidoscópico e fragmentado de sua vida e obra para guardar na memória. A rememoração da sua trajetória, no dia que ele completaria 71 anos, será uma noite com depoimentos, exposição plástica, teatro, cinema e música. A partir das 18 horas com entrada franca.

Arquiteto, ator, diretor, músico, artista plástico, provocador, irreverente, irônico, debochado e convicto seguia na busca de um teatro que fosse uma experiência transformadora, sempre sob o signo da reinvenção, da liberdade de criação, independente de cânones, na realização de trabalhos que extrapolassem suas radicalizações criativas. Crítico contumaz agiu sempre na contramão, no contrassenso, em mais de quatro décadas de atividades teve diversos trabalhos premiados com ‘Cadê o osso da minha sopa?’, ‘Rango’ e ‘A Morte e a Donzela’.  Com voz trovejante e presença imponente destacava-se com atuações marcantes, seu caráter inovador e o espirito transgressor são marcas presentes em sua obra. Foi da Patagônia à Tailândia com o Teatro de Bonecos onde se expressava com maior ardor, acreditava na força mágica do teatro, numa magia profunda e fecunda, que tocasse as pessoas, que tocasse a vida. Rompia com as tradições, rompia com os limites, não seguia receitas nem regras, buscava soluções pra cena na tensão, no contraste, na dissonância, no obscuro, noutro lugar que fosse diametralmente oposto ao lugar-comum (detestava a mediocridade). Atuou, dirigiu, produziu, escreveu, fez música, fez cenário, fez figurino, fez máscaras, fez bonecos, luz, sombras, teatro de rua, cinema, do lixo fez espetáculos, circulou o Brasil e também o exterior, um artista contestador que defendia suas ideias de forma voraz e contundente, foi ativista e militante, tendo colaborado no movimento da cena teatral gaúcha, um criador singular que será lembrado pela sua inventividade, perspicácia e irreverência. 

Depoimento de Renan Leandro