A Casa de Fausto sob o Signo do Cruzeiro do Sul [Parte 3/Final]

Anátema e sagração da primaveraO grupo brasileiro Ói Nóis Aqui Traveiz encena o Fausto de Goethe em Porto AlegrePor Friedrich Dieckmann para a revista alemã Theater Der Zeit
 O princípio do palco simultâneo, que define toda a encenação, repete-se nas cenas de Margarida nas dimensões de um espaço com forma de sala, e o espectador pode escolher os pontos, a partir dos quais ele quer assistir aos acontecimentos; ele pode também mudar de lugar. Nos dois lados estreitos tornam-se presentes duas instâncias polares: num lado, o grupo de imobilidade estatuária, no qual aparecem, ao lado de um sacerdote, um cavaleiro e uma mulher (trata-se de Valentim e da mãe de Margarida), à semelhança de estátuas; no outro lado, a área do jardim com o lago, as pedras e as plantas, que aparece atrás de véus. O lado da igreja estende-se por todo o espaço na forma de figuras de santos (aquelas figuras carregadas da rua para dentro do recinto); a roda de fiar se encontra aqui, em cuja caixa Mefisto deposita o …

50 ANOS DO ASSASSINATO DE CARLOS MARIGHELLA PELA DITADURA CIVIL-MILITAR



50 ANOS DO ASSASSINATO DE CARLOS MARIGHELLA

PELA DITADURA CIVIL-MILITAR


Em novembro de 1969, a polícia de São Paulo, a mando do ditador Emílio Garrastazu Médici e dos seus generais, desencadeou uma ampla operação para localizar Marighella. Frades dominicanos, que faziam parte do grupo de apoio da ALN (Ação Libertadora Nacional), foram presos. Submetidos à tortura pelo facínora delegado Sérgio Fleury, revelaram que tinham encontros com o líder da ALN. Um dos frades foi obrigado a marcar um encontro com Marighella. Acertaram hora e lugar. A polícia chegou com antecedência ao local marcado, a Alameda Casa Branca. O delegado Fleury comandou a preparação da emboscada. Ao chegar, Marighella foi alvo de uma fuzilaria. Morreu na hora. Era a noite de 4 de novembro.
Carlos Marighella, se estivesse vivo, estaria junto ao povo lutando contra o fascismo, por pão, terra, trabalho, saúde, educação, cultura, lutaria por liberdade e alegria para todos. No dia que marca cinquenta anos do seu assassinato, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz rememora esse trágico acontecimento e celebra a trajetória de vida desse revolucionário brasileiro. De setembro de 2008 a agosto de 2016 a Tribo encenou em ruas, praças e parques do nosso país a sua criação coletiva “O Amargo Santo da Purificação – Uma Visão Alegórica e Barroca da Vida, Paixão e Morte do Revolucionário Carlos Marighella”, levando a milhares de pessoas a história desse herói popular.
Neste momento em que a nossa frágil democracia está ameaçada por um projeto de poder neofacista, de caráter neoliberal e policial, é importante celebrar a vida de Carlos Marighella e de todos os mortos e desaparecidos políticos que lutaram contra a ditadura civil-militar em nome da liberdade e da justiça social para todos brasileiros.
     
MARIGHELLA VIVE!