MEDEIA: DO MITO ATÉ MEDEIA VOZES | Jorge Arias

Fotos de Pedro Isaías Lucas Medeia é um dos grandes enigmas da literatura ou, talvez, da história. O primeiro enigma é se existiu uma Medeia, real e histórica, uma mulher de carne e ossos, sobre a qual foi construído um mito, uma lenda, como aconteceu com os heróis lendários de Troia, que realizaram grandes, difíceis e impossíveis façanhas, mas tiveram como base alguma realidade, de alguma forma existiram. Alguns aspectos negam o caráter puramente mítico da história: a viagem dos argonautas até a Cólquida na margem oriental do Mar Negro, em busca do velocino de ouro, está de acordo com as expedições comerciais dos gregos; as intrigas do palácio, como o exílio de Medeia em Corinto, têm uma cor de verdade; e, acima de tudo, a apaixonada controvérsia sobre se ela matou ou não seus filhos. Não se discute ou, ao menos, não é comum discutir o que faz ou não faz uma personagem de ficção.     O segundo enigma é o caráter dela. Medeia é neta de Hélio, sacerdotisa de Hécate, feiticeira, brux

MEIERHOLD ESTREIA EM SÃO PAULO

Foto Lucas Gheller


Estreia: 14/11, quinta, às 21h

Temporada: de 15/11 a 8/12
Sextas e sábados às 21h, domingos e feriados às 18h

No SESC Bom Retiro (Alameda Nothmann, 185) - SÃO PAULO


Os ingressos estarão a venda a partir de 5 de novembro pelo Portal Sesc (a partir das 12h) e dia 6 de novembro (a partir das 17h30) nas Unidades do Sesc SP.

Foto Pedro Isaias Lucas
 







Meierhold é uma adaptação livre de Variaciones Meyerhold do dramaturgo, ator e psicanalista argentino Eduardo Pavlovsky. No centro da encenação o célebre ator, diretor e teórico russo – Meierhold – cujo discurso inovador e revolucionário o transformou em um dos maiores pensadores do teatro mundial. Com a encenação a Tribo homenageia dois Mestres da cena contemporânea e do teatro latino-americano: Meierhold e Pavlovsky. Meierhold mostra o encenador russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre o seu discurso artístico e os relaciona com momentos dramáticos de sua trajetória pessoal, sujeito ao cárcere, tortura e humilhações até o seu brutal assassinato pelas autoridades da Rússia stalinista. Na encenação estruturada em fragmentos, Meierhold passa de pensamentos em voz alta a relatos e diálogos imaginários com diferentes interlocutores, como com a sua amada, a atriz Zinaida Reich, também assassinada tragicamente. O espetáculo utiliza-se de diferentes linguagens e recursos, inclusive audiovisuais, fragmentos de poesias surrealistas e cenografia construtivista que remete à utilizada pelo próprio Meierhold. Na encenação estão também presentes elementos dos estudos e experimentos do encenador russo como o grotesco, o teatro popular de feira e a Biomecânica. A história de Meierhold não deixa de nos questionar sobre o momento e o lugar em que vivemos. A dinâmica da encenação busca perguntar aos espectadores como Meierhold nos afeta e nos comove no Brasil de hoje. Em cena os atuadores Paulo Flores (Prêmio Açorianos 2018 e Braskem/POA em Cena 2019 de Melhor Ator) e Keter Velho.

Foto Eugênio Barboza