A Missão - Lembrança de uma Revolução

A Revolução Possível Revista Aplauso/ 2007 Crítica de Fábio Prikladnicki
(Fotos Cisco Vasques)



De um espetáculo do tipo “teatro de vivência" da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz se espera muitas coisas, sendo uma delas a utilização de uma narrativa descontÍnua, fazendo com que o espectador se pergunte, a cada cena, "O que está acontecendo". Assim também é em A Missão (Lembrança de uma Revolução), do dramaturgo alemão Heiner Muller (1929-1995), que faz novatemporada no final de marco, na Terreira da Tribo, em PortoAlegre, depois de ter estreado em novembrode 2006. Aocontrário de outros trabalhos, nesse não se opera nenhumtipo de colagem textual: a marca do Ói Nóis está essencialmentena encenação. O que não é pouca coisa. Escrito em 1979, o texto parece, ainda hoje, vanguardista e ousado. Não apenas porque Muller é um dos maiores dramaturgos pós-modernos. Nem apenas porque sua produção, escrita em plena Alemanha comunista, tenha mantido vitalidade mesmo depois da queda d…

TEATRO COMO PESQUISA E PEDAGOGIAS DA PRESENÇA


A Transmissão da Flor: Teatro como Pesquisa e Pedagogias da Presença é um projeto que tem como ponto de partida uma discussão teórico-prática do conceito de presença dentro da perspectiva do teatro como pesquisa, com foco nas experiências poéticas e pedagógicas de Tânia Farias da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e de Carlos Simioni do LUME Teatro
Com duração de uma semana, a programação da primeira edição inclui uma mesa de abertura para discussão conceitual e troca de saberes e experiências entre os artistas convidados e artistas locais, uma residência artística, três apresentações cênicas e uma performance do grupo de pesquisa na Fortaleza São José da Ponta Grossa. 
A Residência artística será ministrada por Tânia Farias da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em conjunto com Carlos Simioni do LUME Teatro e acontecerá de 05 a 10 de novembro de 2019, na Caixa Preta do Bloco D – CCE/UFSC, no período da tarde.
No primeiro dia, 05 de novembro acontecerá a mesa de conversa entre os artistas convidados e artistas locais, aberta ao público em geral, no Espaço 1, do CEART/UDESC, às 19h30.
As três apresentações cênicas acontecerão dias 06, 07 e 08 de novembro, respectivamente: Desmontagem Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência, de Tânia Farias, mostra de processo Alongamento em Sol Menor, de Vinícius Huggy, demonstração técnica Uma Prisão para a Liberdade, de Carlos Simioni. Horários e locais serão divulgados no site do evento.
No dia 09 de novembro, sábado, será a vez da performance do grupo de pesquisa na Fortaleza de São José da Ponta Grossa, com a proposta de uma composição cênica conclusiva da Residência Artística com Tânia Farias, na busca de pensar um corpo para representar as histórias possíveis, as imagens presentes no lugar.
“Trata-se de um primeiro movimento para a criação do ASA - Ateliê Sul de Atuação, um programa continuado de pesquisa e formação em artes cênicas com foco no trabalho de ator/atriz”, afirma Vinícius Huggy, um dos idealizadores do projeto.
O projeto ainda prevê a entrega de uma obra audiovisual em formato documentário experimental com imagens das ações realizadas e entrevistas com os participantes. O filme será distribuído para espaços de arte e cultura independentes em Florianópolis e inscrito em festivais de cinema.
Toda a programação é gratuita e aberta a comunidade, e a residência artística com chamada pública com inscrições abertas até dia 01 de outubro de 2019.


Sobre a Desmontagem

Desmontagem é um conceito novo no cenário cultural que se constitui como uma linguagem híbrida, entre o espetáculo teatral e a reflexão teórica sobre a obra, que o Ói Nóis Aqui Traveiz vem difundindo pelo país e exterior. A Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, com concepção e atuação de Tânia Farias, refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao seguir a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea, a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento. No desvelamento dos processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Por meio da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.








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