Faca e gesto consequentes

  Antônio Hohlfeldt (Diário do Sul, 22 de dezembro de 1986) Fotos de Isabella Lacerda      Beckett é conhecido por seu niilismo e sua descrença em qualquer valor que ultrapasse a humanidade. Mais do que isso, o grande escritor irlandês desacredita na própria criatura humana, que visualiza como um ser sem caminho e sem lógica, sobrevivendo sem qualquer objetivo na vida, ou, quando os tem, sendo enganado por um falso objetivo (como em “Esperando Godot”, já que o tal Godot, em última análise, jamais virá porque jamais pensou em vir).       No caso de “Fim de Partida”, pode-se dividir a situação dramática em duas abordagens. A mais imediata é exatamente aquela que, em nível de realidade, pode ser desprendida das alusões, nem tão escassas assim, que pontuam todo o texto, talvez um dos primeiros trabalhos literários a abordarem a traumatizante experiência da bomba nuclear dos Estados Unidos em 1945. Pode-se pressupor que há muito aqueles quatro sobrevivem em uma construção quase subterrâ

MOSTRA ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ: JOGOS DE APRENDIZAGEM



Nesta segunda e terça-feira, dias 16 e 17 de dezembro, às 20h, acontece a “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem/2019” na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), com entrada franca. A “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem/2019” terá a apresentação dos exercícios cênicos criados na ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, reconhecida como Ponto de Cultura. A Mostra apresentará o processo de criação das Oficinas dos bairros São Geraldo e Restinga e da cidade de Canoas.

CAMILO: um exercício cênico sobre a rebeldia e o amor eficaz
 
Co-fundador da primeira faculdade de sociologia da América Latina, Camilo Torres foi um célebre professor universitário, sacerdote, político, rebelde e insurgente. Em 2016 o grupo Teatro La Candelaria da Colômbia estreou essa obra de criação coletiva em rememoração aos cinquenta anos da morte de Camilo, cujo corpo continua desaparecido. Uma das razões que impulsou o grupo colombiano a encenar o espetáculo foi tentar entender esse complexo personagem: sociólogo, sacerdote, místico, militante, guerrilheiro, defensor do amor eficaz. Abordar sua história e suas contradições a partir do teatro é, para o La Candelaria, também tentar compreender o conflito social vivido na Colômbia.
Para a Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo, realizar um exercício cênico sobre Camilo Torres é poder contar a história de um homem singular, que ousou lutar em diversos âmbitos contra a injustiça social. Assim como o Teatro La Candelaria, nós também emprestamos nosso corpo para a busca de Camilo. Nós, atuadoras e atuadores, também somos Camilo.
 
Ficha técnica:
Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo – Ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Terreira da Tribo
Adaptação da obra “Camilo” do Teatro La Candelária da Colômbia
Oficinandos: Ademir Alves, Adilson Rodrigues, Daniel Menezes, Gabriela Nataly, Izabel Cristina, Jeferson Ghenes, Jules Bemfica, Luciano Amaral, Marcela Machado, Márcio Leandro, Rafael Torres, Raissa Tatiane, Tiana Brum Jesus e Valdir Alexandre
Oficineira: Marta Haas


CENAS DE UBU REI
O exercício cênico criado na Oficina Popular de Teatro do bairro Restinga traz cenas da conhecida peça de Alfred Jarry “Ubu Rei”. A peça é uma paródia de Macbeth e, por isso, segue todos os moldes do teatro clássico. Mas na verdade como obra vanguardista que é, utilizou-se desses moldes para desconstruí-los. Assim Jarry apresentou através, principalmente, de uma estética grotesca e um texto non sense, um teatro que se revela como artifício, rompendo com o realismo e abrindo as portas para o modernismo.
Ficha técnica:
Oficinandos: Thais Souza, Larissa Teixeira, Millena Moreira, Dona Oneci, Manuelle Teixeira, Renan Martins, Mariana Bruni e Adriano Avenir
Oficineiro: Roberto Corbo
FRAGMENTO DE TEATRO I e AS ALEGRES MENINAS DA RUA QUINZE
Exercício cênico da Oficina Popular de Teatro da cidade de Canoas formado por duas peças curtas, uma do irlandês Samuel Beckett e a outra do gaúcho Carlos Carvalho, que mostram a solidão e a incomunicabilidade do homem moderno, vivendo sem esperanças num mundo ilógico, inóspito, lúgubre e vazio.
Ficha técnica:
Oficinandos: Elizandra de Mendonça Marques, Janete Costa, Raquel Amsberg e Marcio Emilio de Menezes
Oficineiro: Paulo Flores
A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo acredita na importância da função social do artista e pretende que essa formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desempenho como cidadão. A Escola de Teatro Popular dentro da sua proposta de trabalho realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, formação, pesquisa de linguagem e treinamento do ator.