Santos Amargos

Paulo Bio Toledo - (Cavalo Louco Revista de teatro, dezembro de 2009)
[...] O dom de Despertar no passado as centelhas da esperança é um privilégio exclusivo do Historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer.
Walter Benjamin Sobre o conceito da história
Necrofilia é o amor ao futuro Heiner Müller

Fotos de Pedro Isaias Lucas 
Anjos
A famosa metáfora do anjo da história do pensador alemão Walter Benjamin – interpretação poética da pintura Angelus Novus, de Paul Klee – retrata um anjo que observa o passado amontoado de entulho e destroços da civilização, mas não pode parar, é incessamente puxado ao futuro pelos ventos do Progresso.
Heiner Müller reescreve a imagem. Seu anjo olha a frente. Observa o futuro “represado, esmagando seus olhos”, mas a pilha de destroços é mais rápida que ele e o comprimento no instante: entre o passado e o futuro.Imobilizado, esmagado. Até que: “um renovado rufar de pod…

MOSTRA ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ: JOGOS DE APRENDIZAGEM



Nesta segunda e terça-feira, dias 16 e 17 de dezembro, às 20h, acontece a “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem/2019” na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), com entrada franca. A “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem/2019” terá a apresentação dos exercícios cênicos criados na ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, reconhecida como Ponto de Cultura. A Mostra apresentará o processo de criação das Oficinas dos bairros São Geraldo e Restinga e da cidade de Canoas.

CAMILO: um exercício cênico sobre a rebeldia e o amor eficaz
 
Co-fundador da primeira faculdade de sociologia da América Latina, Camilo Torres foi um célebre professor universitário, sacerdote, político, rebelde e insurgente. Em 2016 o grupo Teatro La Candelaria da Colômbia estreou essa obra de criação coletiva em rememoração aos cinquenta anos da morte de Camilo, cujo corpo continua desaparecido. Uma das razões que impulsou o grupo colombiano a encenar o espetáculo foi tentar entender esse complexo personagem: sociólogo, sacerdote, místico, militante, guerrilheiro, defensor do amor eficaz. Abordar sua história e suas contradições a partir do teatro é, para o La Candelaria, também tentar compreender o conflito social vivido na Colômbia.
Para a Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo, realizar um exercício cênico sobre Camilo Torres é poder contar a história de um homem singular, que ousou lutar em diversos âmbitos contra a injustiça social. Assim como o Teatro La Candelaria, nós também emprestamos nosso corpo para a busca de Camilo. Nós, atuadoras e atuadores, também somos Camilo.
 
Ficha técnica:
Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo – Ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Terreira da Tribo
Adaptação da obra “Camilo” do Teatro La Candelária da Colômbia
Oficinandos: Ademir Alves, Adilson Rodrigues, Daniel Menezes, Gabriela Nataly, Izabel Cristina, Jeferson Ghenes, Jules Bemfica, Luciano Amaral, Marcela Machado, Márcio Leandro, Rafael Torres, Raissa Tatiane, Tiana Brum Jesus e Valdir Alexandre
Oficineira: Marta Haas


CENAS DE UBU REI
O exercício cênico criado na Oficina Popular de Teatro do bairro Restinga traz cenas da conhecida peça de Alfred Jarry “Ubu Rei”. A peça é uma paródia de Macbeth e, por isso, segue todos os moldes do teatro clássico. Mas na verdade como obra vanguardista que é, utilizou-se desses moldes para desconstruí-los. Assim Jarry apresentou através, principalmente, de uma estética grotesca e um texto non sense, um teatro que se revela como artifício, rompendo com o realismo e abrindo as portas para o modernismo.
Ficha técnica:
Oficinandos: Thais Souza, Larissa Teixeira, Millena Moreira, Dona Oneci, Manuelle Teixeira, Renan Martins, Mariana Bruni e Adriano Avenir
Oficineiro: Roberto Corbo
FRAGMENTO DE TEATRO I e AS ALEGRES MENINAS DA RUA QUINZE
Exercício cênico da Oficina Popular de Teatro da cidade de Canoas formado por duas peças curtas, uma do irlandês Samuel Beckett e a outra do gaúcho Carlos Carvalho, que mostram a solidão e a incomunicabilidade do homem moderno, vivendo sem esperanças num mundo ilógico, inóspito, lúgubre e vazio.
Ficha técnica:
Oficinandos: Elizandra de Mendonça Marques, Janete Costa, Raquel Amsberg e Marcio Emilio de Menezes
Oficineiro: Paulo Flores
A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo acredita na importância da função social do artista e pretende que essa formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desempenho como cidadão. A Escola de Teatro Popular dentro da sua proposta de trabalho realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, formação, pesquisa de linguagem e treinamento do ator.