ESTÍMULO CEREBRAL

Dirceu Alves Jr. (Veja SP, 4 de dezembro de 2019)      Foto de Pedro Isaías Lucas   A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é o principal coletivo da cena de Porto Alegre. Fundado há 21 anos, o grupo se firmou graças a uma estética provocadora e um permanente diálogo crítico junto ao público em montagens de rua ou desenvolvidas em salas fechadas. Cartaz do Teatro do Sesc Bom Retiro, Meierhold, adaptação da peça do dramaturgo argentino Eduardo Pavlovsky, concentra toda a sua força na reflexão de ideias em uma encenação com raros momentos surpreendentes. Paulo Flores interpreta o ator, diretor e teórico russo Vsevolod Emilevich Meierhold (1874-1940), preso, torturado e fuzilado pela ditadura stalinista por ter sua obra considerada como inadequada. O próprio personagem, tal como um fantasma, reconstitui seu passado e se mune de convicção para ressaltar o firme caráter e a necessidade de liberdade. Em algumas passagens, assume, inclusive, um saudável didatismo. A estrutura de monólogo, b

MOSTRA ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ: JOGOS DE APRENDIZAGEM



Nesta segunda e terça-feira, dias 16 e 17 de dezembro, às 20h, acontece a “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem/2019” na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), com entrada franca. A “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem/2019” terá a apresentação dos exercícios cênicos criados na ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, reconhecida como Ponto de Cultura. A Mostra apresentará o processo de criação das Oficinas dos bairros São Geraldo e Restinga e da cidade de Canoas.

CAMILO: um exercício cênico sobre a rebeldia e o amor eficaz
 
Co-fundador da primeira faculdade de sociologia da América Latina, Camilo Torres foi um célebre professor universitário, sacerdote, político, rebelde e insurgente. Em 2016 o grupo Teatro La Candelaria da Colômbia estreou essa obra de criação coletiva em rememoração aos cinquenta anos da morte de Camilo, cujo corpo continua desaparecido. Uma das razões que impulsou o grupo colombiano a encenar o espetáculo foi tentar entender esse complexo personagem: sociólogo, sacerdote, místico, militante, guerrilheiro, defensor do amor eficaz. Abordar sua história e suas contradições a partir do teatro é, para o La Candelaria, também tentar compreender o conflito social vivido na Colômbia.
Para a Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo, realizar um exercício cênico sobre Camilo Torres é poder contar a história de um homem singular, que ousou lutar em diversos âmbitos contra a injustiça social. Assim como o Teatro La Candelaria, nós também emprestamos nosso corpo para a busca de Camilo. Nós, atuadoras e atuadores, também somos Camilo.
 
Ficha técnica:
Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo – Ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Terreira da Tribo
Adaptação da obra “Camilo” do Teatro La Candelária da Colômbia
Oficinandos: Ademir Alves, Adilson Rodrigues, Daniel Menezes, Gabriela Nataly, Izabel Cristina, Jeferson Ghenes, Jules Bemfica, Luciano Amaral, Marcela Machado, Márcio Leandro, Rafael Torres, Raissa Tatiane, Tiana Brum Jesus e Valdir Alexandre
Oficineira: Marta Haas


CENAS DE UBU REI
O exercício cênico criado na Oficina Popular de Teatro do bairro Restinga traz cenas da conhecida peça de Alfred Jarry “Ubu Rei”. A peça é uma paródia de Macbeth e, por isso, segue todos os moldes do teatro clássico. Mas na verdade como obra vanguardista que é, utilizou-se desses moldes para desconstruí-los. Assim Jarry apresentou através, principalmente, de uma estética grotesca e um texto non sense, um teatro que se revela como artifício, rompendo com o realismo e abrindo as portas para o modernismo.
Ficha técnica:
Oficinandos: Thais Souza, Larissa Teixeira, Millena Moreira, Dona Oneci, Manuelle Teixeira, Renan Martins, Mariana Bruni e Adriano Avenir
Oficineiro: Roberto Corbo
FRAGMENTO DE TEATRO I e AS ALEGRES MENINAS DA RUA QUINZE
Exercício cênico da Oficina Popular de Teatro da cidade de Canoas formado por duas peças curtas, uma do irlandês Samuel Beckett e a outra do gaúcho Carlos Carvalho, que mostram a solidão e a incomunicabilidade do homem moderno, vivendo sem esperanças num mundo ilógico, inóspito, lúgubre e vazio.
Ficha técnica:
Oficinandos: Elizandra de Mendonça Marques, Janete Costa, Raquel Amsberg e Marcio Emilio de Menezes
Oficineiro: Paulo Flores
A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo acredita na importância da função social do artista e pretende que essa formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desempenho como cidadão. A Escola de Teatro Popular dentro da sua proposta de trabalho realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, formação, pesquisa de linguagem e treinamento do ator.