A Missão - Lembrança de uma Revolução

A Revolução Possível Revista Aplauso/ 2007 Crítica de Fábio Prikladnicki
(Fotos Cisco Vasques)



De um espetáculo do tipo “teatro de vivência" da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz se espera muitas coisas, sendo uma delas a utilização de uma narrativa descontÍnua, fazendo com que o espectador se pergunte, a cada cena, "O que está acontecendo". Assim também é em A Missão (Lembrança de uma Revolução), do dramaturgo alemão Heiner Muller (1929-1995), que faz novatemporada no final de marco, na Terreira da Tribo, em PortoAlegre, depois de ter estreado em novembrode 2006. Aocontrário de outros trabalhos, nesse não se opera nenhumtipo de colagem textual: a marca do Ói Nóis está essencialmentena encenação. O que não é pouca coisa. Escrito em 1979, o texto parece, ainda hoje, vanguardista e ousado. Não apenas porque Muller é um dos maiores dramaturgos pós-modernos. Nem apenas porque sua produção, escrita em plena Alemanha comunista, tenha mantido vitalidade mesmo depois da queda d…

ÚLTIMOS DIAS DE INSCRIÇÕES - TEATRO RITUAL

A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo abre inscrições para a Oficina de Teatro Ritual (Módulo III) com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A Oficina é aberta e gratuita para atrizes, atores, pesquisadores e estudantes de artes cênicas, e acontecerá de 13 de janeiro a 26 de março de 2020, de segundas a quintas-feiras, das 9 às 13 horas, na Terreira da Tribo. As inscrições são presenciais na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 - fone 3028 1358), de 10 a13 de dezembro, das 9 às 13 horas.



A Oficina de Teatro Ritual investigará os recursos expressivos do ator a partir do treinamento sobre as ações físicas. Tendo como base o pensamento de Antonin Artaud e o trabalho prático de Stanislavsky, Meierhold, Grotowski e Eugenio Barba. Nesta vivência serão trabalhados o movimento e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço teatral. A ênfase é colocada na corporalidade (em como perceber o próprio corpo) e na concentração (para perceber o outro) para que através de ações físicas não-cotidianas o ator desenvolva presença cênica. Os encontros promoverão condições favoráveis ao desenvolvimento da criatividade espontânea e expressiva, crítica e ressignificante do corpo, a partir da organização de uma vivência teatral de grupo. Ativará padrões não-cotidianos de comunicação a partir de signos teatrais específicos, com ênfase na pesquisa de sons e movimentos expressivos, próprios para a estilização de ações, gestos, cantos e danças.
As ações físicas ou o gesto orgânico é meio privilegiado para encontrar o fluxo de vida do ator. A potência transformadora evocada por meio do Teatro Ritual gera momentos de máxima intensidade que rompem com nosso modo usual de perceber, entender e agir no mundo. No Teatro Ritual entra-se em outra dimensão de tempo e espaço, fora do tempo cotidiano, instaurando no público uma dilatação da sua percepção. O Teatro de Vivência da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz procura uma forma de relação aberta e sincera com o público, em que atores e espectadores partilhem de uma experiência comum, que tenha a intensidade de um acontecimento, capaz de produzir novas formas de percepção da realidade.

A Terreira da Tribo acredita na importância da função social do artista, e pretende que essa formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desempenho como cidadão. A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo dentro da sua proposta de trabalho realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, formação, pesquisa de linguagem e treinamento do ator