DUAS CARTAS PARA MEYERHOLD

  Carta de Henrique Saidel   Fotos de Eugênio Barboza, Lucas Gheller e Pedro Isaias Lucas Porto Alegre, inverno de 2020 Querido Meyerhold, Escrevo esta carta como quem escreve algo de muito importante, como quem escreve algo que lhe causa um tanto de medo e hesitação, como alguém que deseja escrever coisas bonitas, coisas inesquecíveis, inteligentes, coisas revolucionárias, coisas que estejam à altura da tua arte, do teu teatro, da tua vida. Escrevo esta carta depois de ter escrito “Querido Meyerhold”, ali no topo da página, há vários dias e depois de ter ficado vários dias sem escrever mais nada, apenas olhando a página em branco e pensando em todas as coisas bonitas, inesquecíveis, inteligentes e revolucionárias que eu poderia dizer para você e a teu respeito. Escrevo esta carta mais de um ano depois de ter visto (duas vezes) a peça que o Ói Nóis Aqui Traveiz fez com você no título e como personagem, e mais de dezenove ou vinte anos depois de te ler pela primeira v

Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política Na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo

A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo/Ponto de Cultura abre inscrições para Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política, de 17 a 21 de fevereiro, das 15 às 18 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), gratuita e aberta a todos interessados a partir dos 15 anos. Inscrição presencial mediante carta de intenção e currículo. A Oficina acontecerá de 2 de março a 31 de julho, diariamente de segundas a sextas-feiras, das 14 às 18:30 horas, com aulas práticas e teóricas, somando 550 horas/aula. Mais informações pelo telefone 3028 1358 e pelas redes sociais do Ói Nóis Aqui Traveiz.

Foto: Pedro Isaías Lucas

      A Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abordará os princípios básicos do teatro político e popular com a perspectiva de que a rua seja palco de um teatro que se assuma como um constante repensar da sociedade, motivando uma releitura da vida cotidiana. Investigará o movimento, o gesto e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço urbano, proporcionando experimentação de linguagens para o desenvolvimento de personagens, situações, fábulas. Trabalhará elementos e recursos plásticos e musicais que auxiliam a criação poética da cena na rua.
        Uma das vertentes do trabalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui  Traveiz é o Teatro de Rua, nascido das manifestações políticas, de linguagem popular e intervenção direta no cotidiano da cidade. As primeiras intervenções cênicas nas ruas da cidade datam de 1981, com encenações curtas em manifestações ecológicas e antimilitaristas. A partir de 1985, com a encenação de ‘Teon – Morte em Tupi-Guarani’ , o Ói Nóis Aqui Traveiz inicia uma trajetória de encenações para teatro de rua que vão percorrer as ruas, praças, bairros e vilas populares da cidade. Criando um teatro popular onde arte e política se fundem, voltado para a maior parte da população, que por suas carências culturais e econômicas não tem acesso às salas de espetáculos. Para seduzir esse público anônimo e passageiro, o Teatro de Rua requer uma pesquisa estética levada às últimas conseqüências, onde surgem elementos como máscaras e bonecos de grandes proporções, pernas de pau e música, canto e dança, figurinos e adereços criativos e coloridos. O ator para o Teatro de Rua precisa desenvolver diferentes técnicas expressivas que amplie o seu gesto e a sua voz, e pré-disposição para lidar com todo tipo de imprevisto. O cenário do espaço público exige um gesto ampliado capaz de prender a atenção de cidadãos que acorrem casualmente, formando a roda da encenação teatral, do qual participa uma platéia formada por meninos de rua, passantes, donas de casa, comerciantes, turistas, etc.



A partir da experiência desenvolvida há mais de trinta e cinco anos com Oficinas Populares de Teatro, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, acredita na função social do artista, e pretende que esta formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desenvolvimento como cidadão. A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo dentro da sua proposta de trabalho, realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, formação, pesquisa de linguagem e treinamento do ator.