Anti-heroína de Pindaíba

Antônio Hohlfeldt (Jornal do Comércio18 de abril de 1997)
Fotos de Adriana Franciosi
Ao completar 19 anos de vida, traída pela Administração Popular que se nega a dar qualquer apoio à  idéia de sua permanência no local em que fez história na cidade, nem por isso a trupe de atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz perde sua fleuma e sua força. Aniversário se faz com festa e festa, para um grupo de teatro, é representar. Foi o que fez o Ói Nóis..., estreando seu novo espetáculo de teatro de rua, A Heroína de Pindaíba.
   Trata-se da adaptação de uma peça de Augusto Boal, dos tempos do seu exílio na Argentina (1975), originalmente intitulada O homem que era uma fábrica. O texto original era uma fábula e, apesar ou justamente por causa das adaptações sofridas, mais fábula e mais farsa ficou ainda o espetáculo que conta a história de Matilda Silva da Silva (o povo brasileiro) que sonha emigrar para os Estados Unidos, deixando Pindaíba (Brasil). Para tanto, e após passar por um sem-número de exigências…

Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política Na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo

A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo/Ponto de Cultura abre inscrições para Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política, de 17 a 21 de fevereiro, das 15 às 18 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), gratuita e aberta a todos interessados a partir dos 15 anos. Inscrição presencial mediante carta de intenção e currículo. A Oficina acontecerá de 2 de março a 31 de julho, diariamente de segundas a sextas-feiras, das 14 às 18:30 horas, com aulas práticas e teóricas, somando 550 horas/aula. Mais informações pelo telefone 3028 1358 e pelas redes sociais do Ói Nóis Aqui Traveiz.

Foto: Pedro Isaías Lucas

      A Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abordará os princípios básicos do teatro político e popular com a perspectiva de que a rua seja palco de um teatro que se assuma como um constante repensar da sociedade, motivando uma releitura da vida cotidiana. Investigará o movimento, o gesto e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço urbano, proporcionando experimentação de linguagens para o desenvolvimento de personagens, situações, fábulas. Trabalhará elementos e recursos plásticos e musicais que auxiliam a criação poética da cena na rua.
        Uma das vertentes do trabalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui  Traveiz é o Teatro de Rua, nascido das manifestações políticas, de linguagem popular e intervenção direta no cotidiano da cidade. As primeiras intervenções cênicas nas ruas da cidade datam de 1981, com encenações curtas em manifestações ecológicas e antimilitaristas. A partir de 1985, com a encenação de ‘Teon – Morte em Tupi-Guarani’ , o Ói Nóis Aqui Traveiz inicia uma trajetória de encenações para teatro de rua que vão percorrer as ruas, praças, bairros e vilas populares da cidade. Criando um teatro popular onde arte e política se fundem, voltado para a maior parte da população, que por suas carências culturais e econômicas não tem acesso às salas de espetáculos. Para seduzir esse público anônimo e passageiro, o Teatro de Rua requer uma pesquisa estética levada às últimas conseqüências, onde surgem elementos como máscaras e bonecos de grandes proporções, pernas de pau e música, canto e dança, figurinos e adereços criativos e coloridos. O ator para o Teatro de Rua precisa desenvolver diferentes técnicas expressivas que amplie o seu gesto e a sua voz, e pré-disposição para lidar com todo tipo de imprevisto. O cenário do espaço público exige um gesto ampliado capaz de prender a atenção de cidadãos que acorrem casualmente, formando a roda da encenação teatral, do qual participa uma platéia formada por meninos de rua, passantes, donas de casa, comerciantes, turistas, etc.



A partir da experiência desenvolvida há mais de trinta e cinco anos com Oficinas Populares de Teatro, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, acredita na função social do artista, e pretende que esta formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desenvolvimento como cidadão. A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo dentro da sua proposta de trabalho, realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, formação, pesquisa de linguagem e treinamento do ator.