A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

EM MAQUINÉ: Violeta Parra - Uma Atuadora! | 29/02



A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz celebra a sua performance Cênico Musical "Violeta Parra - Uma Atuadora!". Apresenta um repertório que mistura o andino com ritmos brasileiros na voz da atuadora Tânia Farias e do violonista e compositor Mário Falcão. Com esse viés mestiço a performance veste as canções deste ícone da arte da América do Sul. Violeta Parra, cantora e violonista desde criança, pesquisou ritmosm danças e canções populares, transformando-se em ponta de lança do movimento da "Nueva Canción" que projetou a música chilena no mundo. Conhecida no Nrasil principalmente pelas composições "Gracias a la vida" e "Volver a los 17", seu legado é inestimável para a música engajada latino-americana.
O coral Arai Hovy (Céu Azul) vai abrir a performance, apresentando músicas e danças do repertório tradicional Mbya Guarani. o coral é anfitrião do espaço, tendo suas raízes na Tekoa Ka'Aguy Porã.