ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 2]

    Com um mês de atividades o Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz foi interditado pela Secretaria de Segurança. Aí começou uma longa campanha pela reabertura do teatro. O fechamento agravou a situação econômica do grupo e a saída de alguns dos seus integrantes. Para vencer a crise o grupo buscou outros espaços para encenar o seu espetáculo. Também é o momento em que o grupo começou a compartilhar as suas experiências através de uma oficina de teatro. E é principalmente com os jovens desta oficina que criou a montagem de “A Bicicleta do Condenado”, do espanhol Fernando Arrabal: um preTexto para a reVolta do Ói Nóis Aqui Traveiz. Durante o processo de criação integrantes do grupo foram presos em manifestações contra a ditadura. Essa experiência de repressão e violência foi canalizada para a cena. A reabertura do Teatro trouxe para a encenação uma história de opressão e horror, onde duas pessoas tentam sobreviver em um lugar comandado por uma ordem militar. Se no primeiro espetáculo o público fi

Prorrogadas as inscrições para a Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo

Foto: Pedro Isaias Lucas



A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo/Ponto de Cultura prorrogou as inscrições para Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política até o dia 5 de março. As inscrições para esta segunda chamada acontece de 2 a 5 de março, das 15 às 18 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), gratuita e aberta a todos interessados a partir dos 15 anos. Inscrição presencial mediante carta de intenção e currículo. A Oficina acontecerá de 9 de março a 31 de julho, diariamente de segundas a sextas-feiras, das 14 às 18:30 horas, com aulas práticas e teóricas, somando 550 horas/aula. Mais informações pelo telefone 3028 1358 e pelas redes sociais do Ói Nóis Aqui Traveiz.
A Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abordará os princípios básicos do teatro político e popular com a perspectiva de que a rua seja palco de um teatro que se assuma como um constante repensar da sociedade, motivando uma releitura da vida cotidiana. Investigará o movimento, o gesto e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço urbano, proporcionando experimentação de linguagens para o desenvolvimento de personagens, situações, fábulas. Trabalhará elementos e recursos plásticos e musicais que auxiliam a criação poética da cena na rua.
Uma das vertentes do trabalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é o Teatro de Rua, nascido das manifestações políticas, de linguagem popular e intervenção direta no cotidiano da cidade. As primeiras intervenções cênicas nas ruas da cidade datam de 1981, com encenações curtas em manifestações ecológicas e antimilitaristas. A partir de 1985, com a encenação de ‘Teon – Morte em Tupi-Guarani’ , o Ói Nóis Aqui Traveiz inicia uma trajetória de encenações para teatro de rua que vão percorrer as ruas, praças, bairros e vilas populares da cidade. Criando um teatro popular onde arte e política se fundem, voltado para a maior parte da população, que por suas carências culturais e econômicas não tem acesso às salas de espetáculos. Para seduzir esse público anônimo e passageiro, o Teatro de Rua requer uma pesquisa estética levada às últimas conseqüências, onde surgem elementos como máscaras e bonecos de grandes proporções, pernas de pau e música, canto e dança, figurinos e adereços criativos e coloridos. O ator para o Teatro de Rua precisa desenvolver diferentes técnicas expressivas que amplie o seu gesto e a sua voz, e pré-disposição para lidar com todo tipo de imprevisto. O cenário do espaço público exige um gesto ampliado capaz de prender a atenção de cidadãos que acorrem casualmente, formando a roda da encenação teatral, do qual participa uma platéia formada por meninos de rua, passantes, donas de casa, comerciantes, turistas, etc.
A partir da experiência desenvolvida há mais de trinta e cinco anos com Oficinas Populares de Teatro, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, acredita na função social do artista, e pretende que esta formação favoreça a emergência do artista competente não apenas no seu ofício, mas também preocupado com o seu desenvolvimento como cidadão. A Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo dentro da sua proposta de trabalho, realiza anualmente seminários, ciclos de debates e oficinas de iniciação teatral, formação, pesquisa de linguagem e treinamento do ator.