A arte de transformar a realidade em poesia | Sebastião Milaré

No barco, sobre as Águas do Guaíba, afastando da Ilha do presídio e vendo as luzes de Porto Alegre às margens, tive a sensação de ver o passo derradeiro de um ritual sagrado. O que vivenciei na Ilha do presídio, ou Ilha das Pedras Brancas, tinha natureza própria ao ato litúrgico, mas era ato teatral. Teatro na acepção da arte que atualiza símbolos no Imaginário do espectador. E liturgia.

Não há contradição, pois no ato litúrgico o oficiante atualiza símbolos no imaginário dos fiéis. E foi isso que vivenciei naquela noite, caminhando pelas ribanceiras escuras, cheias de buracos e pedras, atrás de imagens que conduziam a inesperados ambientes, como as ruínas do antigo presídio ou a uma espécie de jardim de estátuas. Atores e atrizes surgiam da vegetação ou das trevas como gnomos. Ou sacerdotes de mítica seita, em celebração.




E o ritual, animado por cenas evocativas, assumidamente poéticas em atrito com as outras mais definidas e realistas, só terminaria no momento em que o barco apo…

VOLTA O CINECLUBE DA TERREIRA DA TRIBO DIA 3 DE MARÇO COM “A TRANSMISSÃO DA FLOR”

Na terça-feira, dia 3 de março, o CineClube da Terreira da Tribo está de volta com a exibição do documentário “A Transmissão da Flor” dirigido por Mariana Rotili, às 20 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), com entrada franca. O CineClube terá programação todas as terças-feiras de março – no dia 10 com “Cinema de Animação:Mulheres fora do Eixo”, com filmes curtas metragens de diretoras de diferentes partes do país e curadoria de Maíra Coelho e Marina Kerber; no dia 17 com “Édipo Rei' (1967) de Pier Paolo Pasolini e no dia 24 com “A Paixão de Joana D'Arc”(1928) de Carl Theodor Dreyer. Após os filmes haverá sempre uma roda de conversa. O CineClube faz parte da programação “Terreira da Tribo Eu Apoio!” - que é uma campanha de financiamento coletivo e permanente para a manutenção do espaço cultural Terreira da Tribo, através de uma plataforma online. As pessoas interessadas em colaborar na campanha podem fazer uma assinatura mensal no link www.benfeitoria.com/terreiradatribo

 

‘A Transmissão da Flor: Teatro como Pesquisa e Pedagogias da Presença’(Florianópolis, 2019, cor, 47min) é um vestígio audiovisual do encontro de mesmo nome que reuniu pela primeira vez a atriz Tânia Farias da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz(Porto Alegre/RS) e o ator Carlos Simioni do LumeTeatro (Campinas-SP) para somarem suas experiências e conduzirem juntos um trabalho de pesquisa e criação cênica com um grupo de trinta artistas do corpo de diferentes lugares do país. Para além de registro de um acontecimento, o documentário é fonte de reflexão sobre o amor ao ofício da atuação e seus caminhos de transmissão. Depoimentos inspirados aliados ao olhar poético sobre o processo buscam partilhar as intensidades experimentadas por artistas que dedicam sua vida ao teatro.
Realizado através do edital de apoio às culturas da cidade de Florianópolis, o documentário é um dos desdobramentos do projeto que contou com residência artística, apresentação de espetáculos, mesa de conversa e performance realizada na Fortalezade São José da Ponta Grossa.Todas as atividades fazem parte da criação do ASA - Ateliê Sul de Atuação, coletivo de pesquisa contínua em atuação com foco no trabalho de presença cênica orientado porTânia Farias e composto por artistas dos três estados da região sul do Brasil.
Mariana Rotili é atriz, diretora, fotógrafa e artista audiovisual. Trabalha simultaneamente nas artes da cena - teatro, dança e performance - e nas artesvisuais.Seutrabalhoentrelaçacriações cênicas, vídeo e fotografia. Desde 2014temsededicadoàpesquisadotrabalhodeator com o LUME Teatro e em 2015fundouoColetivoMÓ,coordenadopelaatrizNaomiSilman e focado no aprofundamento dos potenciais expressivos e energéticos do ator. Fez
parte da concepção e criação do ASA - Ateliê Sul de Atuação, orientado por Tânia Farias e do qual é integrante.

Ficha Técnica :
Equipe Audiovisual
Direção: Mariana Rotili
Imagens: Rafaela Whitaker, Deiviane Velho, Fabiana Lazzari e Mariana Rotili
Drone: Michele Louise Schiochett
Edição e Montagem: Mariana Rotil