Artistas na Rua Fora Bolsonaro - Porque derrubá-lo é Urgente!

 Culuna de Tânia Farias em Brasil de Fato . Ato Fora Bolsonaro em Porto Alegre: "Há muitas ações sendo gestadas, não sairemos das ruas enquanto não derrubarmos o genocida do poder" - Foto: Mari Martinez A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo "É preciso estancar essa sangria!!! Um homem sem juízo e sem noção não pode governar essa nação!" Essas são algumas das frases da canção de Zeca Baleiro, entoada pelo movimento Artistas pelo Impeachment, que reúne artistas de todo o país. O clipe “Desgoverno” tem claramente incomodado os ainda apoiadores do governo genocida e corrupto de Bolsonaro, Mourão e os militares. A população, atingida pelo descaso e pela fome, tem saído as ruas. A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo. Nesse caldo e ação estamos também nós, os artistas e trabalhadores da cultura

MOSTRA ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ: JOGOS DE APRENDIZAGEM

Nas segundas-feiras de março, dias 9, 16 e 23 de março, acontece na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186) a primeira etapa da “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem/2020”, sempre às 20 horas, com entrada franca, com distribuição de senhas a partir das 19 horas. Nesta etapa serão apresentados os exercícios cênicos “As Alegres Meninas da Rua Quinze”, peça curta de Carlos Carvalho, e “Fragmento de Teatro I”, peça curta de Samuel Beckett. As duas peças mostram a solidão e a incomunicabilidade do ser humano no mundo contemporâneo, vivendo sem esperanças num lugar ilógico, inóspito, lúgubre e vazio. As cenas foram criadas pela Oficina Popular de Teatro da Cidade de Canoas, dentro da ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo/Ponto de Cultura. Após a apresentação haverá uma roda de conversa sobre o Teatro de Carlos Carvalho e de Samuel Beckett conduzida pelo atuador Paulo Flores. A “Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem” leva à cena as montagens teatrais realizadas nas diferentes Oficinas da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

 
As Alegres Meninas da Rua Quinze” tem no elenco Elizandra de Mendonça Marques e Janete Costa. Solitárias e confinadas num apartamento, duas irmãs solteironas vivem para cuidar da mãe, uma matriarca controladora. Lindaura e Rosaura convivem com seus preconceitos, amarguras e lembranças do passado e estabelecem ligação com o mundo exterior através do rádio. O exercício cênico visa desenvolver a arte do fazer teatral com vigor e humor, criando uma sucessão de cenas que levam ao público personagens inseridas em um universo pessoal, mas igualmente universal. “As Alegres Meninas da Rua Quinze” é uma peça curta de Carlos Carvalho (1939-1985). Um dos mais representativos dramaturgos gaúchos das décadas de 1970 e 1980, encontra no drama do cotidiano urbano as fontes de criação para o seu teatro de denúncia e resistência. Em 1968, desiste do curso de Jornalismo e inicia o curso de Direção Teatral do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, participando, como ator, do um primeiro espetáculo teatral: Homem: variações sobre o mesmo tema, escrito e dirigido por Luiz Arthur Nunes. Estreia, como diretor de teatro, em 1970, com Fim de partida, de Samuel Beckett; nesse mesmo ano, inicia sua carreira de dramaturgo com Colombo, fecha as portas dos teus mares. É ainda, no ano de 1970, que Carlos Carvalho inicia sua atividade como contista, participando da antologia Roda de fogo, publicada pela editora Movimento; mais tarde, em 1975, publica o livro de contos Calendário do medo. É a dramaturgia, no entanto, que apresenta de forma mais significativa a visão de mundo de Carlos Carvalho. Escreveu Boneca Teresa, em 1975; PT saudações, em 1976;Pequena história do homem, em 1978; O pulo do gato, em 1979. Seguem-se a essas peças História da cobra grande em 1980; Esta é a sua vida em 1981; Doce vampiroQue se passa, Che? Berço esplêndido, todas em 1982; Escravos de Jô em 1983; Champagne para Mãe Tuda em 1984.




Fragmento de Teatro I” tem no elenco Raquel Amsberg e Marcio Menezes. Escrita na década de sessenta, Beckett põe em cena, num canto de rua, dois inválidos, em vias de decomposição. São: um cego, designado como A, que arranha seu violino e só se detém para esmolar, voltando, porém novamente à sua música; e um paralítico, B, que chega numa cadeira de rodas, movida graças a uma vara. E embora o paralítico proponha ao cego uma espécie de sociedade – viverem juntos -, isto é inviável. Não podem ajudar-se; são os eternos carrasco e vítima, um do outro. O aleijado golpeia o cego, e o cego arranca-lhe a vara que é seu apoio, sua proteção, reduzindo-o à impotência. Impossível a amizade. Impossível a ajuda recíproca que seria benéfica a ambos...É a dificuldade do relacionamento humano, presente em Esperando Godot e Fim de Partida, entre outros. Samuel Beckett (1906-1989) nasceu na Irlanda. Foi um dos principais dramaturgos e escritores do século XX. Nas imagens teatrais projetadas e textos em prosa, Beckett alcançou uma beleza simples e eterna visão do sofrimento humano, lançada através da comédia sombria e do humor. A citação para seu prêmio Nobel de literatura de 1969 exaltou-o pelo “conjunto da obra que com novas formas de ficção e de teatro transformaram o desamparo do homem moderno em exaltação”. A peça Esperando Godot foi encenada pelo ator-diretor francês, Roger Blin, em um pequeno teatro parisiense em janeiro de 1953. O sucesso da peça em Paris gerou controvérsia internacional e vasto interesse. Encenada em um palco vazio, com a exceção de uma única árvore, com dois personagens em um diálogo irrelevante enquanto esperam por um personagem que nunca vem, a peça provocou hostilidade e confusão. No entanto, Esperando Godot seria logo apontada como a peça mais revolucionária e influente do século XX.