Artistas na Rua Fora Bolsonaro - Porque derrubá-lo é Urgente!

 Culuna de Tânia Farias em Brasil de Fato . Ato Fora Bolsonaro em Porto Alegre: "Há muitas ações sendo gestadas, não sairemos das ruas enquanto não derrubarmos o genocida do poder" - Foto: Mari Martinez A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo "É preciso estancar essa sangria!!! Um homem sem juízo e sem noção não pode governar essa nação!" Essas são algumas das frases da canção de Zeca Baleiro, entoada pelo movimento Artistas pelo Impeachment, que reúne artistas de todo o país. O clipe “Desgoverno” tem claramente incomodado os ainda apoiadores do governo genocida e corrupto de Bolsonaro, Mourão e os militares. A população, atingida pelo descaso e pela fome, tem saído as ruas. A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo. Nesse caldo e ação estamos também nós, os artistas e trabalhadores da cultura

Aos que Vieram (e virão) Depois Deles



Por Fábio Prikladnicki (Zero Hora, 8 de outubro de 2011)

Há um momento em que se repete em algumas encenações do Ói Nóis Aqui Traveiz. O mais recente espetáculo, Viúvas Performance Sobre a Ausência, é a festa no povoado.
Em Aos que Virão Depois de Nós – Kassandra em process (2002), é a cena da gruta. São trechos que suspendem a ação dramática, substituindo-a pela lógica atemporal do Sonho, em um ritual compartilhado pelos “atuadores” com os espectadores. Longe de qualquer ideia estereotipada de interação, as personagens oferecem ao público uma verdadeira experiência, às vezes com bebida, comida ou aromas, em um gesto que tem algo de telúrico, como uma volta a um estado ancestral de comunhão com a natureza. Estado que a certa altura, é interrompido pelos vilões da história, invadindo brutalmente o ritual e remetendo a dura realidade da vida em vigília, aquela em que os comandantes oprimem cidadãos, povos lutam contra outros e pessoas morrem em nome de seus ideais.

Foto Claudio Etges
Que o Ói Nóis Aqui Traveiz é esse que, aos 33 anos parece próximo de conquistar sua sede definitiva, justamente no bairro – Cidade Baixa – onde tudo começou?
Muita coisa mudou desde 1978 para cá. foram-se os tempos de ânimos acirrados, que a tribo de atuadores enfrentou por meio de um teatro ativista, sem hesitar em provocar o público. Ostal (1987), estreado na ressaca da ditadura militar, era encenado no cenário claustrofóbico de um quarto, sob cheiro de éter, ao qual se assistia com máscaras cirúrgicas.
Sim, os tempos são outros. Hoje, o teatro resiste como uma linguagem que,diferentemente da música ou do cinema, não pode ser baixada da internet. E o Ói Nóis? Aprimoraram sua estratégia de sensibilização do público, tanto do ponto de vista estético quanto político (esses dois elementos nunca estão separados).
Sabem que é preciso conduzir o público pela mão, no sentido mais literal do termo. O Ói Nóis não está menos ousado: está maduro como nunca. Na mundo que alegam – com certa razão – que a história não deve ser vista de um ponto de vista maniqueísta, o grupo nos lembra que há momentos em que é preciso, sim, escolher lados. O lado dos que defendem a abertura dos arquivos da ditadura brasileira, por exemplo, Como disse Paulo Flores a Zero Hora em Janeiro, por ocasião da estreia de Viúvas – Performance sobre a ausência.


Entre as diversas causas do Ói Nóis que ainda não envelheceram, uma das mais significantes, talvez seja a do teatro, que também é uma causa política. do teatro mesmo: dos cenários exuberantes, das atuações competentes, dos figurinos cuidadosos, dos textos pertinentes. Eles sabem que, se não houver uma encenação de excelência, não há utopia que resista.