TERREIRA DA TRIBO 37 ANOS DE (R)EXISTÊNCIA

Artigo publicado no Correio do Povo em 11 de setembro de 2021. Fotos de Pedro Isaias Lucas.     No dia 14 de julho de 1984 a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz abria as suas portas para o público. Com um show de rock-punk que reuniu as bandas Replicantes e Urubu Rei, entre outras. Logo em seguida o Ói Nóis Aqui Traveiz encenou na nova casa “A Visita do Presidenciável ou Os Morcegos estão Comendo os Abacates Maduros”, uma parábola sobre o momento político que o Brasil vivia, com a saída dos militares de cena e a entrada de um governo civil. E anunciava para toda cidade “...todas as pessoas gostam de cantar, dançar, representar, pintar, fotografar. Qualquer pessoa é capaz de criar e a Terreira da Tribo está aí para isso”. E nesses 37 anos de atividades a Terreira da Tribo abrigou as mais diversas manifestações culturais como espetáculos de teatro, shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, seminários, debates, performances e celebrações. Hoje a Terreira é reco

Artistas na Rua Fora Bolsonaro - Porque derrubá-lo é Urgente!

 Culuna de

Ato Fora Bolsonaro em Porto Alegre: "Há muitas ações sendo gestadas, não sairemos das ruas enquanto não derrubarmos o genocida do poder" - Foto: Mari Martinez
A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo

"É preciso estancar essa sangria!!!
Um homem sem juízo e sem noção não pode governar essa nação!"

Essas são algumas das frases da canção de Zeca Baleiro, entoada pelo movimento Artistas pelo Impeachment, que reúne artistas de todo o país. O clipe “Desgoverno” tem claramente incomodado os ainda apoiadores do governo genocida e corrupto de Bolsonaro, Mourão e os militares.

A população, atingida pelo descaso e pela fome, tem saído as ruas. A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo. Nesse caldo e ação estamos também nós, os artistas e trabalhadores da cultura, em todo o país. Em Porto Alegre, o artista Ricardo Koch Kroeff causou impacto ao sair às ruas usando macacão de EPI branco e carregando um boneco enrolado num saco preto (como corpo de uma das vítimas da covid-19), que trazia uma placa dizendo “Eu trouxe meu pai, ele havia votado em você, Bolsonaro”.


Performance de Ricardo Koch Kroeff no ato Fora Bolsonaro / Foto: Volnei Picolotto

Outra performance coletiva que reuniu artistas de diversas coletividades também se utilizou das vestes de proteção (macacões brancos), e uso do máximo de EPIs, para criar um grande coro. Em verdade aqui o boneco do corpo do “pai” de Ricardo se multiplicou, e todos que carregavam os mortos pela covid, também representados por bonecos feitos com sacos pretos de lixo. Esse coro percorreu as ruas junto a manifestação Fora Bolsonaro #29M e trouxe os mortos para caminhar pelas ruas.

Na manifestação Fora Bolsonaro #19J, a proposta foi investir em outro coro que, não  monocromático, mas que ao contrário trouxe muitas cores e vida para o espaço público. Esse coro portou SAPATOS, para fazer alusão as ausências, as mortes evitáveis. A performance trouxe ainda os nomes de pessoas mortas pela covid e as escreveu no chão. Se números frios não tocam a gente quem sabe se nomes consigam tocar (Chico César). A performance ainda deixou um rastro de ausências pelas ruas, ao deixar sapatos e, ao lado destes, um adesivo que dizia: Já são quase 500 mil pares de sapatos vazios. Mais de 500 mil vidas perdidas. O presidente do Brasil tem culpa. #artistasnaruaforabolsonaro.


Milhares de pares de sapatos vazios: mais de 500 mil vidas perdidas / Alass Derivas

Nos últimos meses, artistas em todos os cantos do país iniciaram um movimento muito importante, o #artistaspeloimpeachment. Vários somos parte desse movimento e assinamos o manifesto. E aqui em Porto Alegre, artistas de diferentes áreas e linguagens, vêm se encontrando ou reencontrando desde a eleição de Bolsonaro. E militamos juntos no Fórum de Ação Permanente pela Cultura (dez/2019-abril/2021).

De lá pra cá, além de nos engajarmos em diversas lutas em defesa da Cultura, como por exemplo a Lei Aldir Blanc, auxílio emergencial (Estado - Lei 15.564 de 29/12/2020 e Município), Cotas e Ações Afirmativas para LAB, Cais Mauá Cultural já, Cadê o FAC?, SEDAC paga já! Pela realização e continuidade da Mostra Glênio Peres, PL 105 (Ativos Culturais), decidimos agora estar presentes em todas as manifestações Fora Bolsonaro, contribuindo nessa luta com o que fazemos ao longo de nossa existência como artistas e coletivos. Vamos levar a arte para as ruas para combater o fascismo.

Sim, são artistas, movimentos e articulações de trabalhadoras da Cultura de todo o país que participaram e levaram seus sapatos e performances para as ruas. A ATAC – Articulação de Trabalhadores das Artes da Cena (artistas de todo Brasil), no nordeste o Movimento PAVIO (que reúne artistas de 9 estados), em Pelotas o Fórum Popular Permanente de Cultura, Rede de Teatro de Rua e também artistas do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, enfim diversas cidades aderiram a proposta. O #artistasnaruaforabolsonaro está onde estiver um artista se manifestando contra o fascismo, e o genocida Bolsonaro.

Acreditamos que estamos juntos a tantos outros artistas do Brasil, no anseio de uma política em defesa da vida, da diversidade e da liberdade. Artistas de diferentes linguagens estão lado a lado na luta.

E a repercussão tem sido evidente, mas o que nos parece mais importante é o engajamento e a soma na luta. Se é isso que fazemos de melhor, vamos colocar isso a serviço das transformações fundamentais e necessárias no Brasil. Prioridade um é #ForaBolsonaro.

Uma das fotos da primeira performance viralizou na internet, e a da segunda também. É bom que saibam que os artistas estão lutando e faz muito tempo.

Há muitas ações sendo gestadas, não sairemos das ruas enquanto não derrubarmos o genocida do poder.

O Ói Nóis Aqui Traveiz, por exemplo, é um coletivo de teatro que sempre esteve presente em manifestações desde 1978. Presente nas ruas levando performances e alegorias pra contribuir com as lutas. Contra Ditadura, Censura, por Diretas já, contra as guerras imperialistas, contra o uso da energia atômica, por LULA LIVRE, contra o golpe misógino a presidenta Dilma e etc., como o Ói Nóis muitos coletivos de artistas.


"O Ói Nóis Aqui Traveiz, por exemplo, é um coletivo de teatro que sempre esteve presente em manifestações desde 1978" / Arquivo pessoal

Os artistas, aqui e em todo o país, estão na luta há muitos anos, não à toa foram perseguidos, presos e assassinados pela ditadura. A marcha dos 100 mil no Rio de Janeiro, que completou 53 anos no dia 26 de junho, é um dos exemplos. Diversos artistas estiveram presentes, atrizes, cineastas e músicos entre outros.

Atribuímos essa mobilização ao desmanche do país e consequentemente da Cultura brasileira promovido pelo governo fascista, de extrema direita, de Paulo Guedes e empresários.

Queremos que a música “Desgoverno”, de Zeca Baleiro, vire hino do Fora Bolsonaro. Vamos preparar um grande coro em Porto Alegre. E tua voz é fundamental, te soma ao movimento.

Por aqui, nós também lembramos a nossa amiga e grande lutadora, a rapper Malu Viana, que nos deixou no dia 12/06/2021. Ela foi uma das pioneiras da luta pelas Cotas e ações afirmativas na Lei Aldir Blanc. Uma luta que se espalhou por todo o país. Uma companheira valorosa que vai fazer muita falta.

* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Marcelo Ferreira e Katia Marko