Sábado - 25 de junho de 2022 | Escola de Espectadores discute: QUASE CORPOS |

    A quarta aula de 2022 da Escola de Espectadores de Porto Alegre (EEPA) será no dia 25 de junho, SÁBADO, das 10h ao meio-dia, no TEATRO DE ARENA (Altos do viaduto Otávio Rocha).   Durante o encontro, será discutido o monólogo QUASE CORPOS Episódio 1: A Última Gravação, do coletivo Ói Nóis Aqui Traveiz. Estará presente o atuador Paulo Flores, cofundador do grupo e que faz sua estreia no formato monólogo em Quase Corpos.   As aulas da EEPA são gratuitas e sem pré-requisitos. A matrícula de novos alunos será feita no local. Todos estão convidados!

Artistas na Rua Fora Bolsonaro - Porque derrubá-lo é Urgente!

 Culuna de

Ato Fora Bolsonaro em Porto Alegre: "Há muitas ações sendo gestadas, não sairemos das ruas enquanto não derrubarmos o genocida do poder" - Foto: Mari Martinez
A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo

"É preciso estancar essa sangria!!!
Um homem sem juízo e sem noção não pode governar essa nação!"

Essas são algumas das frases da canção de Zeca Baleiro, entoada pelo movimento Artistas pelo Impeachment, que reúne artistas de todo o país. O clipe “Desgoverno” tem claramente incomodado os ainda apoiadores do governo genocida e corrupto de Bolsonaro, Mourão e os militares.

A população, atingida pelo descaso e pela fome, tem saído as ruas. A clareza de que Bolsonaro hoje é mais letal que o vírus fez com que perdessem o medo. Nesse caldo e ação estamos também nós, os artistas e trabalhadores da cultura, em todo o país. Em Porto Alegre, o artista Ricardo Koch Kroeff causou impacto ao sair às ruas usando macacão de EPI branco e carregando um boneco enrolado num saco preto (como corpo de uma das vítimas da covid-19), que trazia uma placa dizendo “Eu trouxe meu pai, ele havia votado em você, Bolsonaro”.


Performance de Ricardo Koch Kroeff no ato Fora Bolsonaro / Foto: Volnei Picolotto

Outra performance coletiva que reuniu artistas de diversas coletividades também se utilizou das vestes de proteção (macacões brancos), e uso do máximo de EPIs, para criar um grande coro. Em verdade aqui o boneco do corpo do “pai” de Ricardo se multiplicou, e todos que carregavam os mortos pela covid, também representados por bonecos feitos com sacos pretos de lixo. Esse coro percorreu as ruas junto a manifestação Fora Bolsonaro #29M e trouxe os mortos para caminhar pelas ruas.

Na manifestação Fora Bolsonaro #19J, a proposta foi investir em outro coro que, não  monocromático, mas que ao contrário trouxe muitas cores e vida para o espaço público. Esse coro portou SAPATOS, para fazer alusão as ausências, as mortes evitáveis. A performance trouxe ainda os nomes de pessoas mortas pela covid e as escreveu no chão. Se números frios não tocam a gente quem sabe se nomes consigam tocar (Chico César). A performance ainda deixou um rastro de ausências pelas ruas, ao deixar sapatos e, ao lado destes, um adesivo que dizia: Já são quase 500 mil pares de sapatos vazios. Mais de 500 mil vidas perdidas. O presidente do Brasil tem culpa. #artistasnaruaforabolsonaro.


Milhares de pares de sapatos vazios: mais de 500 mil vidas perdidas / Alass Derivas

Nos últimos meses, artistas em todos os cantos do país iniciaram um movimento muito importante, o #artistaspeloimpeachment. Vários somos parte desse movimento e assinamos o manifesto. E aqui em Porto Alegre, artistas de diferentes áreas e linguagens, vêm se encontrando ou reencontrando desde a eleição de Bolsonaro. E militamos juntos no Fórum de Ação Permanente pela Cultura (dez/2019-abril/2021).

De lá pra cá, além de nos engajarmos em diversas lutas em defesa da Cultura, como por exemplo a Lei Aldir Blanc, auxílio emergencial (Estado - Lei 15.564 de 29/12/2020 e Município), Cotas e Ações Afirmativas para LAB, Cais Mauá Cultural já, Cadê o FAC?, SEDAC paga já! Pela realização e continuidade da Mostra Glênio Peres, PL 105 (Ativos Culturais), decidimos agora estar presentes em todas as manifestações Fora Bolsonaro, contribuindo nessa luta com o que fazemos ao longo de nossa existência como artistas e coletivos. Vamos levar a arte para as ruas para combater o fascismo.

Sim, são artistas, movimentos e articulações de trabalhadoras da Cultura de todo o país que participaram e levaram seus sapatos e performances para as ruas. A ATAC – Articulação de Trabalhadores das Artes da Cena (artistas de todo Brasil), no nordeste o Movimento PAVIO (que reúne artistas de 9 estados), em Pelotas o Fórum Popular Permanente de Cultura, Rede de Teatro de Rua e também artistas do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, enfim diversas cidades aderiram a proposta. O #artistasnaruaforabolsonaro está onde estiver um artista se manifestando contra o fascismo, e o genocida Bolsonaro.

Acreditamos que estamos juntos a tantos outros artistas do Brasil, no anseio de uma política em defesa da vida, da diversidade e da liberdade. Artistas de diferentes linguagens estão lado a lado na luta.

E a repercussão tem sido evidente, mas o que nos parece mais importante é o engajamento e a soma na luta. Se é isso que fazemos de melhor, vamos colocar isso a serviço das transformações fundamentais e necessárias no Brasil. Prioridade um é #ForaBolsonaro.

Uma das fotos da primeira performance viralizou na internet, e a da segunda também. É bom que saibam que os artistas estão lutando e faz muito tempo.

Há muitas ações sendo gestadas, não sairemos das ruas enquanto não derrubarmos o genocida do poder.

O Ói Nóis Aqui Traveiz, por exemplo, é um coletivo de teatro que sempre esteve presente em manifestações desde 1978. Presente nas ruas levando performances e alegorias pra contribuir com as lutas. Contra Ditadura, Censura, por Diretas já, contra as guerras imperialistas, contra o uso da energia atômica, por LULA LIVRE, contra o golpe misógino a presidenta Dilma e etc., como o Ói Nóis muitos coletivos de artistas.


"O Ói Nóis Aqui Traveiz, por exemplo, é um coletivo de teatro que sempre esteve presente em manifestações desde 1978" / Arquivo pessoal

Os artistas, aqui e em todo o país, estão na luta há muitos anos, não à toa foram perseguidos, presos e assassinados pela ditadura. A marcha dos 100 mil no Rio de Janeiro, que completou 53 anos no dia 26 de junho, é um dos exemplos. Diversos artistas estiveram presentes, atrizes, cineastas e músicos entre outros.

Atribuímos essa mobilização ao desmanche do país e consequentemente da Cultura brasileira promovido pelo governo fascista, de extrema direita, de Paulo Guedes e empresários.

Queremos que a música “Desgoverno”, de Zeca Baleiro, vire hino do Fora Bolsonaro. Vamos preparar um grande coro em Porto Alegre. E tua voz é fundamental, te soma ao movimento.

Por aqui, nós também lembramos a nossa amiga e grande lutadora, a rapper Malu Viana, que nos deixou no dia 12/06/2021. Ela foi uma das pioneiras da luta pelas Cotas e ações afirmativas na Lei Aldir Blanc. Uma luta que se espalhou por todo o país. Uma companheira valorosa que vai fazer muita falta.

* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Marcelo Ferreira e Katia Marko