ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 2]

    Com um mês de atividades o Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz foi interditado pela Secretaria de Segurança. Aí começou uma longa campanha pela reabertura do teatro. O fechamento agravou a situação econômica do grupo e a saída de alguns dos seus integrantes. Para vencer a crise o grupo buscou outros espaços para encenar o seu espetáculo. Também é o momento em que o grupo começou a compartilhar as suas experiências através de uma oficina de teatro. E é principalmente com os jovens desta oficina que criou a montagem de “A Bicicleta do Condenado”, do espanhol Fernando Arrabal: um preTexto para a reVolta do Ói Nóis Aqui Traveiz. Durante o processo de criação integrantes do grupo foram presos em manifestações contra a ditadura. Essa experiência de repressão e violência foi canalizada para a cena. A reabertura do Teatro trouxe para a encenação uma história de opressão e horror, onde duas pessoas tentam sobreviver em um lugar comandado por uma ordem militar. Se no primeiro espetáculo o público fi

NOVAS APRESENTAÇÕES DO ‘ENSAIO GERAL PARA UMA PARADA UBUESCA’

Nos dias 18, 20 e 21 de dezembro, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz volta às ruas da cidade com o ‘Ensaio Geral para uma Parada Ubuesca’. No sábado, dia 18 de dezembro, ao meio-dia, a Parada Ubuesca acontece no Parque da Redenção, próximo a Feira Ecológica. E nos dias 20 e 21 de dezembro, na Praça da Alfândega com a rua dos Andradas, na segunda-feira, às 18 horas, e na terça-feira, ao meio-dia. ‘Ensaio Geral para uma Parada Ubuesca’ traz para cena da rua a personagem do Pai Ubu, icônica para todo o teatro ocidental, e a sua ‘máquina de desmiolar’. Personagem ambicioso, covarde e irracional, o legendário Pai Ubu tem muito a dizer neste momento de perplexidade que vivemos no Brasil.

 


A personagem Pai Ubu, criada pelo francês Alfred Jarry (1873-1907), é uma espécie de work in progress que se coloca sempre em movimento de reconstrução. Ainda que se tenham passado mais de cem anos desde a sua primeira aparição, Pai Ubu persiste como um veículo de ruptura, podendo ser considerado como o Pai do teatro moderno, personagem livre das tradições miméticas realistas. Personagem que neste momento histórico que estamos vivendo garante contundência de seu retorno. ‘Ensaio Geral para uma Parada Ubuesca’ traz para as ruas da cidade a comedia bufa, escatológica e absurda. A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz acredita que o Teatro de Rua traz intrínseco na sua manifestação valores significativos que expressam o combate a alienação e exclusão cultural, valorizando a nossa identidade e afirmando princípios libertários, criando um teatro popular, onde arte e política se fundem, voltado para a maior parte da população. 

 

Participam da criação coletiva os atuadores em cena Tânia Farias, Keter Velho, Alex Pantera, André de Jesus, Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Eugênio Barboza, Márcio Leandro, Lucas Gheller e Paulo Flores, e na contrarregragem Fabrício Miranda e Aline Ferraz. A música original é de Johann Alex de Souza e as pinturas dos ‘parangolés’ de Isabella Lacerda. Este projeto foi contemplado com o Prêmio Culturas Populares 2019 – Edição Teixeirinha, do Ministério da Cidadania.

 

A grave crise sanitária que se abateu sobre o país com o covid-19 e mais o descaso que o governo atual tem com as artes e a cultura levou a Terreira da Tribo a sua pior crise. O espaço do Ói Nóis Aqui Traveiz que sempre ocupou prédios privados pagando onerosos alugueis tem vivido muitas dificuldades para viabilizar a sua existência. Para sobreviver ao estrangulamento econômico que os artistas e grupos culturais estão vivendo, a Terreira mantém uma campanha de financiamento coletivo e assinatura mensal por meio da plataforma www.benfeitoria.com/terreiradatribo .