TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 19]

“Se Não Tem Pão, Comam Bolo!” tem por referência a célebre frase da rainha da França, Maria Antonieta,quando no princípio da Revolução Francesa, pressionada em seu próprio palácio pelo povo que pedia pão, pateticamente perguntou por que não comiam brioches. Encenação popular, esta fábula política recorre ao fato histórico para falar de problemas cotidianos que afligem a maioria dos brasileiros: a fome, a opressão, os desmandos do poder e a corrupção dos políticos. Os personagens são saltimbancos contadores de histórias, que de uma forma satírica e divertida cantam para o povo, nas ruas, o que a sociedade burguesa procura esconder: a luta de classes. 
    “SE NÃO TEM PÃO, COMAM BOLO!” Roteiro e direção : criação coletiva Figurinos : Arlete Cunha Adereços : Zau Figueiredo Música : Rogério Lauda Elenco : Arlete Cunha, Kike Barbosa, Rogério Lauda e Sandra Possani Intérprete em substituição : Vera Parenza Estreia : 14 de fevereiro de 1993 (Espetáculo de rua) TERREIRA DA TRIBO EU APOIO! Você

ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 4]

Em maio de 1979, o Ói Nóis Aqui Traveiz em colaboração com o artista plástico Carlos Wladimirsky criou, com ousadia e experimentalismo, a performance “O Sentido do Corpo”. A performance integrava diferentes linguagens: teatro, dança, cinema, artes plásticas. Os atores atuavam totalmente nus. Era uma experiência de limites, onde o universo interior dos atores expressava-se em uma linguagem pessoal, através de impulsos resultantes da sua própria subjetividade. A forma encontrada para escapar da censura foi apresentar “O Sentido do Corpo” como uma composição plástica.

 




 

O Sentido do Corpo

Um ciclo vital, a pele como registro de sensações, as cores como elementos de vibrações, o nu como símbolo de liberdade – essas ideias estavam presentes em O Sentido do Corpo, espetáculo que, integrando diferentes linguagens (teatro, dança, cinema, artes plásticas), mostrava as inter-relações humanas dentro do ciclo de que vai do nascimento à morte.

Totalmente nus, do princípio ao fim da peça, os atores propunham uma nova relação do indivíduo com seu próprio corpo e a utilização deste corpo como um meio de comunicação mais efetivo e completo.

Ao contrário de Ensaio Selvagem, este foi um espetáculo basicamente de ação, que tinha como texto apenas alguns poemas. Também foi um espetáculo que privilegiou a imagem. Os atores se movimentavam sobre um plástico transparente, que forrava um chão coberto de tintas coloridas. A cada movimento, apareciam diferentes matizes. O tom predominante era o avermelhado.

O cenário tinha a intenção de reproduzir o interior de um organismo que poderia ser um útero ou um coração.

Fachada do Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz

A peça tinha dois momentos bem marcados: na primeira parte, ao som de Adágio, de Albinoni, os atores estabeleciam um contato físico entre si e com a plateia. Já na entrada do Teatro, o público era obrigado a passar, por entre os corpos nus. Na porta os atores, em pé uns sobre os outros, criavam a imagem de uma pirâmide. Nesse primeiro momento, prevalecia o afago, a curiosidade, a busca do outro, a descoberta do tocar e do sentir. A segunda parte iniciava com o corte da música. Nessa hora, os corpos entravam em catarse. Como registrou Claudia Lindner, na Folha da Tarde: se retorciam e gritavam. Vivendo uma irracionalidade progressiva, “(...) onde até mesmo a urina é um elemento a mais para chocar os espectadores (...)”. Depois de um tempo, o som recomeçava e se resgatava o tom afetuoso do início do espetáculo. (“Atuadores da Paixão” de Sandra Alencar)


Paulo Flores e Jussemar Weiss

Encenação: criação coletiva

Coordenação: Carlos Wladimirsky

Cenografia: Rogério Nazari

Iluminação e sonoplastia: Carlos Wladimirsky

Elenco: Adauto Ferreira, Caio Gomes, Clarissa Baumgarten, Marcos Diestel, Paulo Flores e Paulo Vicente

Estreia: maio de 1979

Local: Teatro Ói Nóis Aqui Traveiz