TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 19]

“Se Não Tem Pão, Comam Bolo!” tem por referência a célebre frase da rainha da França, Maria Antonieta,quando no princípio da Revolução Francesa, pressionada em seu próprio palácio pelo povo que pedia pão, pateticamente perguntou por que não comiam brioches. Encenação popular, esta fábula política recorre ao fato histórico para falar de problemas cotidianos que afligem a maioria dos brasileiros: a fome, a opressão, os desmandos do poder e a corrupção dos políticos. Os personagens são saltimbancos contadores de histórias, que de uma forma satírica e divertida cantam para o povo, nas ruas, o que a sociedade burguesa procura esconder: a luta de classes. 
    “SE NÃO TEM PÃO, COMAM BOLO!” Roteiro e direção : criação coletiva Figurinos : Arlete Cunha Adereços : Zau Figueiredo Música : Rogério Lauda Elenco : Arlete Cunha, Kike Barbosa, Rogério Lauda e Sandra Possani Intérprete em substituição : Vera Parenza Estreia : 14 de fevereiro de 1993 (Espetáculo de rua) TERREIRA DA TRIBO EU APOIO! Você

“QUASE CORPOS” NA TERREIRA DA TRIBO

 


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz apresenta “Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação”, de 12 a 17 de abril, às 20 horas, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont, 1186), com Entrada Franca.


“Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação” foi criada no ano passado, em meio à pandemia, como audiovisual para ser transmitido em plataforma virtual. A encenação agora ganha a forma presencial.  Quase Corpos é um estudo do teatro de Samuel Beckett que revela a fragmentação do corpo físico, psíquico e das relações sociais. Temas como solidão, sofrimento, fracasso, angústia, absurdo da condição humana e morte são abordados a partir da pesquisa de linguagem e do trabalho autoral que os atuadores desenvolvem. A encenação “Quase Corpos: Episódio 1 – A Última Gravação”, versão livre da peça Krapp’s Last Tape, mostra o confronto de um homem de 69 anos com o seu passado. O velho homem escuta num antigo gravador a fita-registro de 30 anos atrás. Escuta sua própria voz narrar extintas aspirações, lembranças de amores perdidos, a morte da mãe, a esperança não confirmada de êxito comercial literário. Memórias de fracassos, declínio e dissipação. Depois gravará uma nova fita, como faz todos os anos, no dia do seu aniversário. O velho Krapp fala pouco e as palavras apagaram-se de sua memória. Um homem amargurado, a remoer-se em plena solidão, parece nada ter de relevante a evocar ou perpetuar. Peça com uma única personagem, patética com suas duas vozes contrastantes – a do passado, com seu registro promissor; e a do presente, uma constatação frustradora -, nada mais é que o balanço de uma vida, com a degradação física e mental causada pela erosão do tempo, além do sacrifício da parte amorosa visando uma realização artística que é, afinal, malograda. Imagem tristemente irônica da vida, exprimindo Beckett a mistificação da qual todo homem pode ser vítima. Ironia cruel, disfarçada pelo humor. Roupa bizarra, atitudes, gestos, grunhidos e blasfêmias da personagem, além do seu jogo com as bananas ou com as garrafas de bebida (não visto, mas pressentido) são notas cômicas que temperam, para o público, a amargura de uma vida melancólica.


Samuel Beckett (1906-1989) nasceu na Irlanda. Foi um dos principais dramaturgos e escritores do século XX. Nas imagens teatrais projetadas e textos em prosa, Beckett alcançou uma beleza simples e eterna visão do sofrimento humano, lançada através da comédia sombria e do humor. A citação para seu prêmio Nobel de literatura em 1969 exaltou-o pelo ‘conjunto da obra que com formas de ficção e de teatro transformaram o desamparo do homem moderno em exaltação’. Autor de peças como “Esperando Godot”, “Fim de Partida” (encenada pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em 1986) e “Dias Felizes”.

 

Foto de Elizabeth Thiel

 


FICHA TÉCNICA

 
Encenação Coletiva a partir de uma versão livre do texto Krapp’s Last Tape  de Samuel Beckett


Atuação – Paulo Flores
Figurino e adereços – Tânia Farias
Cenografia – Eugênio Barboza e Tânia Farias
Iluminação – Clélio Cardoso e Lucas Gheller
Sonoplastia – Roberto Corbo
Operação de luz e som – Roberto Corbo e Lucas Gheller


Classificação Etária – 12 anos


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz continua com a sua campanha TERREIRA DA TRIBO EU APOIO! para a manutenção do espaço cultural. O público interessado pode colaborar com uma assinatura mensal através da benfeitoria.com/terreiradatribo ou com uma doação para a Associação dos Amigos da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz CNPJ 95.123.576/0001-52 através da conta Caixa Econômica Federal – Agência 0448 – Operação 003 – Conta Corrente 01315-4 ou pelo PIX Chave 95123576000152.