TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 19]

“Se Não Tem Pão, Comam Bolo!” tem por referência a célebre frase da rainha da França, Maria Antonieta,quando no princípio da Revolução Francesa, pressionada em seu próprio palácio pelo povo que pedia pão, pateticamente perguntou por que não comiam brioches. Encenação popular, esta fábula política recorre ao fato histórico para falar de problemas cotidianos que afligem a maioria dos brasileiros: a fome, a opressão, os desmandos do poder e a corrupção dos políticos. Os personagens são saltimbancos contadores de histórias, que de uma forma satírica e divertida cantam para o povo, nas ruas, o que a sociedade burguesa procura esconder: a luta de classes. 
    “SE NÃO TEM PÃO, COMAM BOLO!” Roteiro e direção : criação coletiva Figurinos : Arlete Cunha Adereços : Zau Figueiredo Música : Rogério Lauda Elenco : Arlete Cunha, Kike Barbosa, Rogério Lauda e Sandra Possani Intérprete em substituição : Vera Parenza Estreia : 14 de fevereiro de 1993 (Espetáculo de rua) TERREIRA DA TRIBO EU APOIO! Você

TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS DE TRAJETÓRIA [PARTE 15]

 


 

O projeto “Caminho para um Teatro Popular” foi aberto em 1988 com o terceiro espetáculo de rua da Tribo, “A História do Homem que Lutou sem Conhecer seu Grande Inimigo”, adaptação da Revolução na América do Sul de Augusto Boal. Esse espetáculo ficou no repertório da Tribo até 1990 e além das apresentações na região metropolitana, foi encenado em cidades do interior e em Belo Horizonte, Minas Gerais. É a partir do teatro de rua que o Ói Nóis Aqui Traveiz vai se tornar conhecido no resto do país. Repensando a sociedade, fazendo uma releitura da vida brasileira, os espetáculos de Teatro de Rua do Ói Nóis experimentaram diversas linguagens. As técnicas da comédia e do circo, com seus personagens clownescos estavam presentes em “A História do Homem que Lutou sem Conhecer seu Grande Inimigo”. Com esse caráter de acontecimento, recuperando o lúdico e a tradição,  a representação podia envolver  os espectadores, ser rodeada por eles, dilatar-se, contrair-se, parar ou avançar deslocando-se livremente através das ruas.


 

“A HISTÓRIA DO HOMEM QUE LUTOU SEM CONHECER SEU GRANDE INIMIGO”

 

 

A encenação mostra a trajetória de José da Silva – personagem símbolo do povo brasileiro – em procura de solução para a sua fome. Inicialmente incitado por sua mulher a pedir aumento de salário, Zé da Silva, é despedido, e atravessa desesperado aventuras que o desiludem e que acabam por matá-lo de fome. Quando ele recebe um ilusório aumento de salário, vê os preços aumentarem antes que possa chegar a banca da feira. Conhece o Anjo da Guarda que cobra royalt para o capital estrangeiro, em toda e qualquer ação cotidiana que implique consumo: escovar os dentes, lavar as mãos e até tomar café, brasileiro mas controlado por multinacionais. Passa tanta fome que tem seu aparelho digestivo transformado num único canal, deixando de ser operado, porque no hospital faltam leitos do INAMPS. Às portas da morte, Zé da Silva recobra suas forças na esperança de poder comer, sob promessas dos políticos, após as eleições. A partir desta relação, a peça desmonta o processo eleitoral, denunciando a trama de interesses escusos que há por trás de plataformas e acordos, explorando os efeitos cômicos da demagogia. ´A História do Homem...´ explorou as técnicas da comédia e do circo. O humor fácil, a caricatura, a farsa, a acrobacia e a animada percussão faziam o espetáculo virar uma festa e incitavam a participação popular. Seus personagens alimentavam-se das provocações da platéia e não contentavam em agir no centro da roda. Enfiavam-se no meio do público, conversavam com ele, pediam opinião, buscavam sua cumplicidade.  


Autor: Augusto Boal
Adaptação da obra Revolução na América do Sul
Direção: coletiva
Figurino: Isabella Lacerda
Música: Caio Gomes
Elenco: Adriano Marinho, Auro Azevedo, Clélio Cardoso, Caio Gomes, Dheiser Veiga, Isabel Azevedo, Isabella Lacerda, Jacque Rosa, José Carlos Carvalho, Maria Rosa, Marcos Castilhos, Paulo Flores e Zé da Terreira
Intérpretes em substituição: Alex Barros Cassal, Arlete Cunha, Daniela Wilges, Kike Barbosa, Miriam Pereira e Sérgio Etchichury
Estreia: julho de 1988
(Espetáculo de rua)