Sábado - 25 de junho de 2022 | Escola de Espectadores discute: QUASE CORPOS |

    A quarta aula de 2022 da Escola de Espectadores de Porto Alegre (EEPA) será no dia 25 de junho, SÁBADO, das 10h ao meio-dia, no TEATRO DE ARENA (Altos do viaduto Otávio Rocha).   Durante o encontro, será discutido o monólogo QUASE CORPOS Episódio 1: A Última Gravação, do coletivo Ói Nóis Aqui Traveiz. Estará presente o atuador Paulo Flores, cofundador do grupo e que faz sua estreia no formato monólogo em Quase Corpos.   As aulas da EEPA são gratuitas e sem pré-requisitos. A matrícula de novos alunos será feita no local. Todos estão convidados!

TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 21]





O espetáculo recria o mito de Fausto, o mago lendário da Idade Média que fez um pacto com o demônio. Um personagem que deu origem a uns dos mais importantes e universais mitos esotéricos e psicológicos. Fausto simboliza uma ação essencialmente humana e universal de aspiração sem barreiras, de superação de limites e de construção de utopias. A encenação do Doutor Fausto coloca para o público dois fatores essenciais da emancipação humana: o desejo de conhecimento e o princípio do prazer, fatores de contrapoder e motor de revoluções.

 

“Eis a mais alta sabedoria que trago comigo, a liberdade e a vida têm que ser conquistadas a cada novo dia”. O sentido das palavras de Fausto antes de morrer sugere que o único meio que o homem moderno dispõe para se transformar é a radical transformação de todo o mundo físico, moral e social em que ele vive. Nesse trabalho, o Ói Nóis Aqui Traveiz, numa linguagem cósmico-simbólica, leva o espectador por dois caminhos: Fausto como a expressão da progressão, contraditória e dialética, dos opostos em direção à sua conjunção na Obra Alquímica, a realização plena; ou Fausto refletindo a dialética do progresso, da sociedade burguesa-capitalista,  com todas as suas contradições, que vão sendo assumidas e superadas, no sentido de um caminho impossível, que não é resolvido, mas permanece como última utopia: a sociedade futura em que Eros, e a não a troca, determinará as relações entre os homens.

Assim, Fausto é dialética do ciclo eterno da vida e da morte, do desejo e do gozo, da aspiração e do erro, da realidade e da utopia. Para concretizar o projeto no palco, o Ói Nóis Aqui Traveiz investiu num espetáculo onde o texto de Goethe funciona como sustentáculo de uma sucessão de imagens, em clima onírico. Foram dois anos de criação coletiva, iniciados com seminários sobre a obra do poeta. O espaço da Terreira foi totalmente reformulado para a viagem que o público fez, um máximo de 30 pessoas, rumo ao inconsciente do personagem.

 


A leitura da obra foi pela via Alquímica, com textos de Jung, cenas de Nietzche e Cristopher Marlowe. Nas quatro horas de duração da peça, foi apresentada as duas partes escritas por Goethe: a primeira que narra seu pacto com o demônio e o romance com Margarida e  a segunda, mais alegórica com o personagem viajando até a Grécia Clássica na busca de transcender. No final da obra, Fausto, cego, consegue obter a própria redenção sendo levado por um coro de anjos ao encontro da deusa-mãe.

A encenação do Ói Nóis Aqui Traveiz suscita e legitima a questão de saber quem é, afinal, o homem fáustico do nosso tempo. O da ciência e da conquista de novos horizontes puramente exteriores, ou o da procura de uma diversidade de horizontes, tanto exteriores como interiores? O cientista, o cibernético, o político, ou o outsider, o poeta, o anarquista, o ecologista, o contestador dos sistemas, do universo unidimensional e da razão instrumental? 
 

 

 


“MISSA PARA ATORES E PÚBLICO SOBRE A PAIXÃO E O NASCIMENTO DO DR. FAUSTO DE ACORDO COM O ESPÍRITO DE NOSSO TEMPO”

 

Autor: Wolfgang Goethe
Fragmentos: Antonin Artaud, Arthur Rimbaud, Cristopher Marlowe, Friedrich Nietzsche, Mahabharatha, Platão e Spitteler
Assessoria teórica: Paulina Nólibos
Direção, cenografia e figurino: criação coletiva
Máscaras: Cátia Alexandra
Marionetes: Zau Figueiredo
Esqueletos dos mortos e corvo: Edu Nascimento
Desenho no laboratório/símbolo: Bôlo
Estátuas de gesso: Ronaldo
Estátuas dos santos: Adir Kettenhuber, Isabella Lacerda, Leila Lopes, Manu Estivalet e Paulo Ferreira
Filme: Antônio Carlos Textor e Antônio Oliveira
Iluminação: Arlete Cunha e Carlos Moreira
Música: Cláudia Fontoura e Rogério Lauda
Contra-regras: Carlos Moreira, Felipe Ritter, Paulo Ferreira e Rosane Cardoso
Contra-regras em substituição: Biño Sawitzki, João Lima, José Carlos Carvalho e Sandra Alencar
Elenco: Adir Kettenhuber, Carolina Garcia, Cátia Alexandra, Cláudia Fontoura, Daniele Fagundes, Kike Barbosa, Marcos Castilhos, Paulo Flores, Rogério Lauda, Sandra Possani, Vera Parenza e Vladimir Moreira
Intérpretes em substituição: Arlete Cunha, Biño Sawitzki, José Carlos Carvalho, Sandra Alencar e Tânia Farias
Estreia: 20 de maio de 1994
Local: Terreira da Tribo