TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS História 32

Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra in Proces   “Aos Que Virão depois de Nós – Kassandra in Process” é um espetáculo de criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, inspirado livremente  na novela homônima de Christa Wolf. Dando continuidade ao caminho trilhado pelo grupo em trabalhar com mitos que resultaram  nos espetáculos ‘Antígona Ritos de Paixão e Morte’ e ‘Missa para Atores e Público sobre a Paixão e Nascimento do Doutor Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo’. KASSANDRA possibilita ao Ói Nóis Aqui Traveiz colocar em cena a sua proposta de Teatro de Vivência, onde o espectador está integrado ao espaço vivenciando as ações cênicas em diferentes ambientes. Realizando um teatro voltado para o sensível  atingindo o espectador-participante não somente em sua esfera racional, mas em sua afetividade. Para fazer explodir diante de nós próprios os reflexos daquilo que vislumbrava Artaud, um teatro onde a vida se tornasse autêntica, onde fosse possível se chegar

TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 29]



Hamlet Máquina é estruturada em cinco cenas que espelham, ao lado da tragédia de Hamlet, o nosso tempo: as catástrofes da história e da cultura ocidental e a crise do artista e intelectual, dividido entre o desejo de se transformar em uma máquina sem dor ou pensamento e a necessidade de buscar um sentido para a sua arte num tempo onde a história se acha desfeita.




Em Hamlet Máquina, o autor Heiner Müller encontra o espaço para a construção revolucionária de um teatro novo: seus textos são fragmentos, cenas estraçalhadas, monólogos derrisórios e consistem em estímulos para a criação inventiva de uma nova realidade cênica, a única capaz de traduzir, através da transgressão, a complexidade da existência vista hoje. Os personagens e as cenas são pulverizados e ao mesmo tempo multifacetados, permitem distintas e contraditórias leituras, fornecem uma quantidade infinita de significados políticos concretos ou alusões simbólicas. Na reflexão sobre a questão histórica assim como na meditação inconformada e provocativa sobre a revolução, seu projeto e realidade, sua necessidade e sua possibilidade, Heiner Müller devora o próprio teatro, instaurando um novo processo artístico assustador e imprevisível. Em Hamlet Máquina não existem personagens dramáticas no sentido clássico de representação e expressão do conflito dramático via diálogo: o conflito é revivido através da memória de Hamlet e de uma Ofélia lúcida, que toma a si o destino secular da mulher, bem como da polifonia de citações que remetem em lampejos de insight à situação histórica em que vivemos.

Hamlet Máquina encenação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz tem como proposta o Teatro de Vivência, onde o espectador está integrado ao espaço vivenciando as ações cênicas em diferentes ambientes.



“HAMLET MÁQUINA”

Autor: Heiner Müller
Roteiro, direção, cenografia e adereços: criação coletiva
Figurino: Tânia Farias
Máscaras: Renan Leandro
Iluminação: Clélio Cardoso, Denise Souza, Diego Comerlato e Mauro Rodrigues
Música: Alex de Souza
Sonoplastia: Alex de Souza
Contra-regras: André Luís e Renato Linhares
Contra-regras em substituição: Gustavo Gojen, Jorge Perachi e Luís Fernando Xavier
Participação na música Green Leafs: Banda Os Indigentes
Elenco: Alex de Souza, Carla Moura, Clélio Cardoso, David Ouriques, Dedy Ricardo, Paulo Flores, Renan Leandro, Renato Linhares, Sandro Marques e Tânia Farias
Intérpretes em substituição: Anna Fuão, André Luís, Denise Souza e Edgar Alves
Estreia: 14 de julho de 1999
Local: Terreira da Tribo