TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS História 32

Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra in Proces   “Aos Que Virão depois de Nós – Kassandra in Process” é um espetáculo de criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, inspirado livremente  na novela homônima de Christa Wolf. Dando continuidade ao caminho trilhado pelo grupo em trabalhar com mitos que resultaram  nos espetáculos ‘Antígona Ritos de Paixão e Morte’ e ‘Missa para Atores e Público sobre a Paixão e Nascimento do Doutor Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo’. KASSANDRA possibilita ao Ói Nóis Aqui Traveiz colocar em cena a sua proposta de Teatro de Vivência, onde o espectador está integrado ao espaço vivenciando as ações cênicas em diferentes ambientes. Realizando um teatro voltado para o sensível  atingindo o espectador-participante não somente em sua esfera racional, mas em sua afetividade. Para fazer explodir diante de nós próprios os reflexos daquilo que vislumbrava Artaud, um teatro onde a vida se tornasse autêntica, onde fosse possível se chegar

TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ 44 ANOS [PARTE 30]





A SAGA DE CANUDOS -
O espetáculo conta a história da construção e destruição de Canudos, oportunizando ao público em geral o contato com um dos movimentos populares mais importantes do nosso país. Um episódio que mexeu com as mais profundas emoções da alma brasileira, e sem dúvida, uma das mais belas e desconhecidas passagens da aventura humana. Recuperando o caráter político do movimento liderado por Antônio Conselheiro no final do século dezenove. Mostrando um Conselheiro fruto da história. Com máscaras e bonecos, música e dança, a encenação conta a luta entre os deserdados e os poderosos, o santo guerreiro contra o dragão da maldade. O roteiro do espetáculo é baseado em textos de dramaturgos, historiadores, compositores e cineastas.

 

 

Castigados pela fome e marcados pela opressão, milhares de sertanejos se aglutinam em torno das ideias de Antônio Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro pelo fato de dar conselhos que eram acatados em todo sertão pelos camponeses. Antônio Conselheiro era um elemento de unidade entre os sertanejos de diversas camadas sociais pela confiança que inspirava e pelas qualidades que possuía. Fundador de Canudos, chamado de arraial do Belo Monte, dirigiu a resistência camponesa na maior guerra social que abalou o sertão e o país. Os latifundiários, nem o governo e a igreja poderiam aceitar o seu lema “A terra não tem dono. A terra é de todos.” A terra era de todos; os rebanhos, as ferramentas eram propriedade coletiva. Todos trabalhavam. As tarefas eram distribuídas de acordo com a capacidade de cada um. Os mais novos irrigavam a terra, plantavam o feijão, a mandioca, a cana-de-açúcar e cuidavam da criação do gado. As mulheres ajudavam na colheita, cozinhavam, costuravam, teciam redes. O dinheiro obtido com a venda da produção excedente destinava-se à compra dos produtos de que a comunidade precisava, mas não conseguia produzir. As decisões eram tomadas nas reuniões diárias, quando o povo rezava, cantava, ouvia o sermão do Conselheiro e discutia os problemas da comunidade. A historiografia oficial procura sempre diminuir o papel dos líderes populares quando ele desagrada a classe dominante, e retratou Antônio Conselheiro como um fanático, insano, celerado.

 

Essa visão cede lugar em ‘A Saga de Canudos’ para um Antônio Conselheiro convicto de seu papel histórico, que se bateu pela abolição dos escravos, pela extinção do latifúndio e por uma organização socialista semelhante à de Fourier, de Cabet e de Owen. O Ói Nóis Aqui Traveiz através do espetáculo  reflete a atualidade da questão da luta pela terra, mostrando os camponeses lutando contra o latifúndio, desafiando a igreja e o governo, derrotando o exército várias vezes, deixando o exemplo que é possível a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O espetáculo mostra a opressão e os horrores da guerra de Canudos sensibilizando o público, evidenciando algumas das graves premissas da condição humana: a preciosidade da vida e a sua vulnerabilidade, nossa dependência uns dos outros, a natureza social do ser humano.  
 





“A SAGA DE CANUDOS”

 
Autor: César Vieira
Adaptação da obra O Evangelho Segundo Zebedeu
Fragmentos: Glauber Rocha e literatura de cordel
Roteiro e direção: criação coletiva
Música: Alex de Souza, domínio público, Fábio Paes, Gereba, Ivanildo Vila Nova, Padre Enoque Oliveira, Patinhas e Raimundo Monte Santo
Figurino: Tânia Farias
Máscaras: Denise Souza e Renan Leandro
Bonecos: Clélio Cardoso e Renan Leandro
Adereços: Antônio da Luz, Clélio Cardoso e Mauro Rodrigues
Elenco: André  Luís, Carla Moura, Clélio Cardoso, Denise Souza, Diego Comerlato, Edgar Alves, Gustavo Gojen, Jorge Perachi, Leila Silveira, Luís Fernando Xavier, Mauro Rodrigues, Paulo Flores, Renan Leandro, Sandra Steil, Sandro Marques, Tânia Farias e Urso da Silva
Intérpretes em substituição: Beatriz Britto, Daniel Gustavo, Jeferson Vargas, Luana Fernandes, Marcos Caldeira, Marta Haas, Nara Brum, Pedro Kinast De Camillis e Roberta Darkiewicz
Estreia: 12 de setembro de 2000
(Espetáculo de rua)