EVOÉ! JÚLIO SARAIVA

MEIERHOLD



 
Foto: Pedro Isaias Lucas


A encenação de “Meierhold” reflete sobre o seu discurso artístico e os relaciona com momentos dramáticos de sua trajetória pessoal, envolvendo o público em uma discussão sobre o próprio papel da arte e a função do artista. Com uma postura artística, política e social contestadora, de personalidade ruidosa e irrequieta, e com ideias inovadoras sobre a encenação, Meierhold, costumava causar alvoroço no meio teatral, arrancando, aqui e ali, tanto elogios inflamados, quanto críticas ferozes. Seu trabalho se manteve em evidência na cena russa por cerca de três décadas ininterruptas, sempre permeado por uma liberdade de criação irrefutável; só em meados da década de 1930 é que sua produção foi interrompida, em função de crises de ordem política que culminaram na sua prisão, em 1939. 
 

Meierhold se preocupou particularmente com o estudo das formas populares de teatro, tais como o teatro de feira, a Commedia dell'Arte e o teatro oriental. Para ele o papel do encenador era mais o de sugerir ao invés de dirigir, dando primazia para a criação do ator, e se apropriando livremente do texto dramático. O espectador ganhava um lugar de destaque, com a imaginação do público completando as propostas dos artistas, fazendo da audiência parte ativa na ação. O ator idealizado por Meierhold, precisaria não apenas explorar suas potencialidades físicas por meio de um treinamento árduo, a partir da mais variadas técnicas, mas também seria imprescindível que o ator pensasse, estudasse a sua função dentro do teatro e fosse capaz de se posicionar criticamente através de sua arte.


Meierhold foi acusado reiteradas vezes de formalismo, principalmente a partir da subida ao poder na União Soviética de Stalin. Apesar de viver um momento político e cultural adverso aos seus princípios poéticos e estéticos, Meierhold sempre defendeu publicamente a sua liberdade de criação. Em função disso, foi preso em junho de 1939, acusado de ser contra o progresso socialista e de “antisoviético”. Menos de um mês depois, sua esposa Zinaida Reich foi assassinada com 25 facadas em seu apartamento. Mesmo depois das súplicas a alguns de seus influentes amigos ligados ao governo, Meierhold foi executado por fuzilamento em 2 de fevereiro de 1940.









FICHA TÉCNICA




MEIERHOLD
 

Encenação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Adaptação do texto “Variaciones Meyerhold” de Eduardo Pavlovski

Em cena os atuadores Paulo Flores (Meierhold) e Keter Velho (Zinaida, Xamã, Molotov e Imagem da Repressão).

Preparação de atores de Beatriz Britto

Musica orginal de Johann Alex de Souza

Cenografia de Eugenio Barboza e Clélio Cardoso (Adaptação do dispositivo cênico criado por Liubóv Popóva para "O Corno Magnífico" dirigido por Meierhold em 1922.)

Figurinos de Keter Velho


Produção audiovisual de Eugenio Barboza

Iluminação de Clélio Cardoso

Contra-regragem de Leticia Virtuoso

Bilheteria de Lucas Gheller e Raphael Costa