quinta-feira, 30 de abril de 2015

Atendendo aos inúmeros pedidos, o espetáculo "Medeia Vozes" retorna em cartaz!

Após a grande repercussão do espetáculo de vivência “Medeia Vozes”, com todas as sessões lotadas na Terreira da Tribo, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz homenageia e presenteia os seus espectadores com uma nova temporada do espetáculo, agora com entrada franca! 

De 8 de maio a 6 de junho (sextas e sábados), às 19h30 na Terreira da Tribo!

Foto: Pedro Isaias Lucas

*O Tempo de Medeia é hoje!
Por Fábio Prikladnicki

Em Medeia Vozes, o Ói Nóis Aqui Traveiz celebra uma estética política e uma política estética plasmadas em 35 anos. Para quem é da minha geração e acompanhou apenas os últimos 10 ou 12 anos, é estranho pensar no Ói Nóis como arauto da postura agressiva com a qual foi associado nos primeiros tempos. O grupo é, acima de tudo, signo de acolhimento, por mais que alguns momentos nesta peça nos provoquem sensação de insegurança.
Experimentamos a hospitalidade na maneira como os atuadores se relacionam com os espectadores, respeitando seu espaço, mas convidando-os a estar dentro da cena. Isso aparece no ritual de primavera, em que um grupo de atuadoras oferece pão e frutas secas, sempre olhando nos olhos. O teatro de vivência do Ói Nóis é uma obra de arte total em um sentido que Wagner jamais imaginaria.
Baseada no romance homônimo de 1996 da escritora alemã Christa Wolf, Medeia Vozesé uma releitura revolucionária da tragédia de Eurípides. Nesta versão, a personagem – brilhantemente vivida por Tânia Farias – não comete assassinatos. A feiticeira movida pelo ciúme ou pela honra retratada pelo tragediógrafo grego dá lugar a uma ativista em busca de justiça social. Ao tentar desenterrar os esqueletos que fundam o reino de Corinto, é perseguida pelo poder instituído. Não é uma peça sobre como o poder patriarcal acabou com a vida de uma mulher. É sobre como esse poder acabou com uma ideia de civilização.
Mais uma vez, o Ói Nóis não está falando de um mito que ficou no passado. Medeia ecoa as mulheres que sofrem mutilações genitais na África, estrupros sistemáticos na Índia e violência doméstica no Brasil. Essa atualidade é sublinhada pela inserção de depoimentos contemporâneos em meio à trama, esta contada de forma não cronológica. A própria Medeia se desdobra em muitas: há a Medeia lírica da primeira cena, a Medeia irônica que questiona Jasão (Eugênio Barboza), a Medeia corajosa que desafia Acamante (Paulo Flores) e, por fim, a Medeia exilada. Essa dramaturgia sofisticada, que opera em uma estrutura que tem algo de onírico, pode dificultar o entendimento de quem não está familiarizado com a história.
A estrutura cênica funciona de forma parecida com os espetáculos de teatro de vivência apresentados nos anos recentes. A complexa cenografia, que ocupa diversos ambientes da Terreira da Tribo, é impressionante, mas não tanto quanto os figurinos.
Já a performance é fresca, como se fosse a primeira vez, e intensa, como se fosse a última (isso lembra um manifesto divulgado por eles no início dos anos 1980 segundo o qual "é necessário atuar como se fosse a última vez que tivesse algo a comunicar aos demais"). Aqui está um espetáculo ao qual você não hesita em conceder cinco estrelas.
Ao final, como de costume, o grupo não retorna para receber os aplausos. A imagem de Medeia vagando pela Rua Santos Dumont, onde fica a Terreira, reverbera na mente dos espectadores como um alerta de que é preciso fazer algo. E rápido.

*Crítica publicada no Jornal Zero Hora em 18 de setembro de 2013.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

Serviço: 
Medéia vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dias: de 8 de maio a 6 de junho (sextas e sábados)
Horário: 19h30
Classificação etária: 16 anos
Duração: 210 min
Entrada Franca

Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza

Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Sandra Steil, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Jorge Gil Nazário, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Geison Burgedurf, Mayura Matos, Keter Atácia, Pedro Rosauro, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Leandro, Thales Rangel, Alex dos Santos e Pascal Berten.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Ói Nóis Aqui Traveiz em Salvador - Oficina "A DRAMATURGIA DO ESPAÇO"

A atuadora Tânia Farias da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz está em Salvador ministrando a oficina "A DRAMATURGIA DO ESPAÇO" com o Grupo Vilavox, de 28 de abril a 2 de maio. O objetivo da oficina é fomentar a investigação teatral a partir da concepção dramatúrgica do espaço, destacando a relevância do mesmo como um elemento fundamental para narrativa histórica.


Oficina de Teatro Livre aberta e gratuita!

Venha fazer Teatro!!!

A oficina de Teatro Livre, que acontece todos os sábados na Terreira da Tribo, é gratuita e aberta a qualquer interessados a partir dos 15 anos e não necessita de inscrições, o aluno poderá comparecer no próprio sábado com roupa confortável para a realização de trabalho físico/prático.
A oficina trabalha com alguns princípios básicos do fazer teatral como: improvisação, expressão corporal, interpretação, jogos dramáticos, etc.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Local:Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dia:Todos os sábados
Horário: das 14h às 17h
Informações pelo fone: 3028 13 58
Oficineira: Marta Haas

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Últimas semanas de Medeia Vozes na Terreira da Tribo!

O premiado espetáculo de vivência "Medeia Vozes", da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz fica em cartaz na Terreira da Tribo até o dia 25 de abril (sextas e sábados)! Ingressos no local!


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

“ Pronunciamos um nome, e, como as paredes são permeáveis, entramos no tempo que foi o seu, encontro desejado. Sem hesitações, ela responde das profundezas do tempo ao nosso olhar. Infanticida? Pela primeira vez esta dúvida. Um encolher de ombros, de desprezo, um voltar às costas. Ela já não precisa da nossa dúvida, nem dos nossos esforços para lhe fazer justiça, afasta-se. Antecipa-se de nós? Foge? As perguntas perdem o sentido pelo caminho. Mandamos-lhe embora, ela vem ao nosso encontro das profundezas do tempo, nós mergulhamos nele, passamos por épocas que, ao que tudo indica, não nos falam de forma tão clara como a sua. E há de haver um momento em que nos encontramos.
Somos nós que descemos até aos Antigos? São eles que nos apanham? Tanto faz. Basta estender a mão. Passam para o nosso mundo com a maior facilidade, estranhos hóspedes, iguais a nós. Nós temos a chave que abre todas as épocas, por vezes a usamos sem reservas, deitamos um olhar apressado pela fresta da porta, ávidos de juízos precipitados. Mas também deve haver maneira de nos aproximarmos passo a passo, com um certo pudor diante do tabu, dispostos a arrancar dos mortos seu segredo, mas assumindo o preço de algum sofrimento. O reconhecimento das nossas fraquezas – era por aí que devíamos começar.
Os milênios dissolvem-se, sujeitos a fortes pressões. Deve então manter-se a pressão? Pergunta ociosa. Falsas perguntas fazem hesitar a figura que quer libertar-se das trevas da cegueira que nos impede de conhecê-la. Temos de lhe avisar. A nossa cegueira forma um sistema fechado, nada a pode refutar. Ou teremos de nos afoitar no mais íntimo da nossa cegueira e autocegueira, e avançar, sem mais, uns com os outros, uns atrás dos outros, o ruído da derrocada das paredes nos ouvidos? Ao nosso lado, é essa a nossa esperança, a figura de nome mágico que em si faz convergir os tempos, processo doloroso. Nessa figura é o nosso tempo que sobre nós se abate. A mulher bárbara”.

Christa Wolf

Serviço: 

Medeia vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)

Dias: de 3 a 25 d abril (sextas e sábados)

Horário: 19h30

Ingressos: R$ 50,00 inteira, 50% de desc. para estudantes, maiores de 60 anos e classe artística.

Classificação etária: 16 anos

Duração: 210 min

Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza

Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Sandra Steil, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Jorge Gil Nazário, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Geison Burgedurf, Mayura Matos, Keter Atácia, Pedro Rosauro, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Leandro, Thales Rangel, Alex dos Santos e Pascal Berten.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Confira como foi a programação de 37 anos do Ói Nóis Aqui Traveiz!

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz que na semana passada completou 37 anos de trajetória, realizou uma semana intensa de programação cultural aberta e gratuita a toda cidade!

Confira as fotos das nossas celebrações!

A exibição do filme “Viúvas – Performance sobre a Ausência” no Cine Bancários contou com a presença dos amigos e militantes políticos Enrique Padrós e Suzana Lisboa.


A performance “Onde Ação nº2” foi apresentada na Esquina Democrática nos dias 31 e 1º abril. Mais uma vez, nesta data simbólica, a Tribo foi para ruas questionar a sociedade sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar. ONDE?!

 Os papeizinhos com uma pequena biografia dos nossos homens e mulheres desaparecidos foram espalhados pelas principais ruas do centro da cidade.





Também no dia 1º de abril a Tribo participou de um ato no Palácio da Polícia para marcar os 51 anos do golpe civil-militar. Nesta cerimônia foi inaugurada uma placa que denuncia que aquele, foi um lugar de tortura. Esta ação faz parte do projeto Marcas da Memória. Outras placas foram fixadas, também na Capital, na praça Raul Pilla, onde funcionou a sede da Polícia do Exército, e no prédio do Colégio Paulo da Gama, cujas salas de aula serviram de celas para cerca de 80 brigadianos que se opuseram ao regime militar.




Noite de celebração na Terreira da Tribo e lançamento da Cavalo Louco nº15!!!





O brinde ficou por conta dos parceiros Porto Chopp!



Desmontagem "Evocando os Mortos Poéticas da Experiência" por Tânia Farias. 
Noite vibrante e de compartilhamento!










segunda-feira, 6 de abril de 2015

Laboratório do Ator!

Nesta e na próxima semana, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará realizando um laboratório físico/prático com a atriz e pesquisadora teatral Beatriz Britto. 
O laboratório aborda a busca pela essência orgânica do trabalho do ator, através das ações físicas, partituras corporais e improvisação. E tem como referências inspiradoras, o legado de Antonin Artaud, Heiner Muller, Jerzy Grotowski entre outros.

Foto: Eugênio Barbosa

BEATRIZ BRITTO

Beatriz de Araújo Britto, atriz, diretora e pesquisadora de teatro, doutora pela PUC/USP, graduada em Artes Cênicas pela UFRGS – Habilitação Direção Teatral. Mestrado em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo com o projeto “O Inconsciente no Processo Criativo do Ator – Por uma Cena dos Sentidos(A Experiência da Criação Coletiva)”. Atriz e encenadora nos espetáculos ‘A Visita do Presidenciável’ (1984) e ‘Antígona Ritos de Paixão e Morte’ (1990), atriz nos espetáculos ‘Nietzsche no Paraguai’ (1985) e ‘Ostal Rito Teatral’ (1989), dirigiu o espetáculo ‘Cinzas’ (1998). 

Autora do livro “Uma Tribo Nômade” que fala sobre o processo de criação no Ói Nóis Aqui Traveiz,  e sobre o discurso midiático e a ação do grupo como um espaço de resistência. O livro foi lançado pelo selo Ói Nóis na Memória em 2008 e já está na sua segunda edição. 

Livro a venda pela Livraria Cultura.
clique e confira!


O livro "UMA TRIBO NÔMADE - A Ação do Ói Nóis Aqui Traveiz como Espaço de Resistência" analisa a relação entre os discursos da mídia e a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Valendo-se da obra de Deleuze e Guattari, Beatriz Britto analisa como se processa a reação da mídia jornalística, considerada como 'potência de controle', em relação à linguagem e à atuação do Ói Nóis, partindo do princípio de que a ação do grupo pode ser vista como uma estratégia de resistência à homogeneização do pensamento, porque rompe com os significados pré-fixados. Sob o título "Arte e Mídia - A Ação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz como Espaço de Resistência e suas recepções na Mídia", a autora apresentou este estudo como tese de doutorado em Comunicação e Semiótica - Signo e Significações nas Mídias na Universidade Pontifícia Católica de São Paulo, recebendo conceito máximo de aprovação. A publicação deste estudo se insere na ação “Ói Nóis na Memória” que vem registrando a trajetória da Tribo.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

“Medeia Vozes” entra em cartaz na Terreira da Tribo!

 De 3 a 25 de abril
(sextas e sábados)

Com a grande repercussão de Medeia Vozes em Porto Alegre, a Tribo realiza uma pequena temporada do espetáculo neste mês, de 3 a 25 de abril (sextas e sábados), às 19h30, na Terreira da Tribo. Ingressos no local.

Foto: Pedro Isaias Lucas

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

“ Pronunciamos um nome, e, como as paredes são permeáveis, entramos no tempo que foi o seu, encontro desejado. Sem hesitações, ela responde das profundezas do tempo ao nosso olhar. Infanticida? Pela primeira vez esta dúvida. Um encolher de ombros, de desprezo, um voltar às costas. Ela já não precisa da nossa dúvida, nem dos nossos esforços para lhe fazer justiça, afasta-se. Antecipa-se de nós? Foge? As perguntas perdem o sentido pelo caminho. Mandamos-lhe embora, ela vem ao nosso encontro das profundezas do tempo, nós mergulhamos nele, passamos por épocas que, ao que tudo indica, não nos falam de forma tão clara como a sua. E há de haver um momento em que nos encontramos.
Somos nós que descemos até aos Antigos? São eles que nos apanham? Tanto faz. Basta estender a mão. Passam para o nosso mundo com a maior facilidade, estranhos hóspedes, iguais a nós. Nós temos a chave que abre todas as épocas, por vezes a usamos sem reservas, deitamos um olhar apressado pela fresta da porta, ávidos de juízos precipitados. Mas também deve haver maneira de nos aproximarmos passo a passo, com um certo pudor diante do tabu, dispostos a arrancar dos mortos seu segredo, mas assumindo o preço de algum sofrimento. O reconhecimento das nossas fraquezas – era por aí que devíamos começar.
Os milênios dissolvem-se, sujeitos a fortes pressões. Deve então manter-se a pressão? Pergunta ociosa. Falsas perguntas fazem hesitar a figura que quer libertar-se das trevas da cegueira que nos impede de conhecê-la. Temos de lhe avisar. A nossa cegueira forma um sistema fechado, nada a pode refutar. Ou teremos de nos afoitar no mais íntimo da nossa cegueira e autocegueira, e avançar, sem mais, uns com os outros, uns atrás dos outros, o ruído da derrocada das paredes nos ouvidos? Ao nosso lado, é essa a nossa esperança, a figura de nome mágico que em si faz convergir os tempos, processo doloroso. Nessa figura é o nosso tempo que sobre nós se abate. A mulher bárbara”.

Christa Wolf

Serviço: 

Medéia vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)

Dias: de 3 a 25 d abril (sextas e sábados)

Horário: 19h30

Ingressos: R$ 50,00 inteira, 50% de desc. para estudantes, maiores de 60 anos e classe artística.

Classificação etária: 16 anos

Duração: 210 min

Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza

Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Sandra Steil, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Jorge Gil Nazário, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Geison Burgedurf, Mayura Matos, Keter Atácia, Pedro Rosauro, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Thales Rangel, Alex dos Santos e Pascal Berten.