quarta-feira, 23 de abril de 2014

O Amargo Santo da Purificação em Canoas 24/04

O espetáculo de Teatro de Rua "O Amargo Santo da Purificação" será apresentado nesta quinta-feira, às 15h em CANOAS na Praça Rio Branco (em Frente a Igreja da Imaculada Conceição) no bairro Rio Branco.

Mapa do local da apresentação:




A encenação coletiva para Teatro de Rua conta a história de um herói popular que os setores dominantes tentaram banir da cena nacional durante décadas. Na seqüência de cenas o público assiste momentos importantes desta trajetória: origens na Bahia, juventude, poesia, ditadura do Estado Novo, resistência, prisão, Democracia, Constituinte, clandestinidade, Ditadura Militar, luta armada, morte em emboscada e o resgate histórico, buscando um retrato humano do que foi o Brasil no século XX. É uma história de coragem e ousadia, perseverança e firmeza em todas as convicções. A coerência dos ideais socialistas atravessando uma vida generosa e combatente, de ponta a ponta. Marighella não abdicou ao direito de sonhar com um mundo livre de todas as opressões. Viveu, lutou e morreu por esse sonho.

A dramaturgia elaborada pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz parte dos poemas escritos por Carlos Marighella que transformados em canções são o fio condutor da narrativa. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do ritual com o teatro dança. Através de uma estética ‘glauberiana’, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.


Crítica:

Terreiro de consciências Críticas
Sérgio Maggio (Correio Brasiliense em 10 de abril de 2009)

A chuva não deu trégua, anteontem, ao meio dia, em Taguatinga. E foi debaixo d’agua que o grupo gaúcho Ói Nóis Aqui Traveiz montou a saga do revolucionário Carlos Marighella. Atraída pela novidade que quebrou a rotina da Praça do Relógio, dona Josefa chegou de mansinho e perguntou: 
- Meu filho, que coisa linda é essa?
- É teatro de rua. 
Ela ouviu a resposta atenta e matutou, até concluir soberana: 
- Isso é história. É cultura brasileira, anuncia a senhora, que partiu a contragosto, assim que o toró se intensificou.
A essa altura quem conseguiu transcender a chuva estava imerso na poética do espetáculo O Amargo Santo da Purificação. A praça do relógio transformou-se em campo sensível para a Tribo de Atuadores organizar o mundo maculado pela censura, torturas e violência aos direitos humanos. Nesse terreno, estabeleceu embate construído dramaturgicamente a partir de versos de Carlos Marighella. Do ventre colorido da terra miscigenada, nascia o herói revolucionário, síntese do brasileiro que gosta de música remexida, da capoeira, do candomblé. Do seio do poder, ditaduras se engendravam. Entre esses territórios, uma menina passeia com um balão vermelho, sem ser avisada que dali por diante não haveria mais lugar para os sonhos todos jogados ao rés-do-chão. 
Com trilha sonora de Johann Alex de Souza, que avança e pontua a narrativa, O Amargo Santo da Purificação traz para o tempo presente a importância de estar em estado de vigília a partir da memória histórica. Na saga do coletivo gaúcho, é reservado lugar aos verdadeiros revolucionários, arrancados do estado de direito e jogados na clandestinidade. A alegoria lúdica daqueles que sonharam em devolver ao país à liberdade é realçada pela força da cultura popular e afro-brasileira. Carlos Marighella é Xangô, que dança com seus machados pedindo justiça. As forças de opressão são gorilas brutais que avançam sobre a praça numa geringonça assustadora.
Na luta descomunal entre os dois blocos, vidas sucumbem diante da platéia de Taguatinga. De tão envolvido na história, um homem levanta as mãos ao alto quando um atuador passa diante dele com uma arma cenográfica. Depois, a sensação torna-se paralisante quando os olhos dos personagens-gorilas enfrentam impassíveis o rosto de cada um.
Donos de trabalho de corpo e voz impecável, os intérpretes-ativistas repassam diante dos espectadores a tortura, o desaparecimento, a morte de militantes. Duas bolas de aço, com mulheres dentro, são roladas praça a fora. Quem empurram são personagens de terno preto e máscaras de ratos. São cenas simultâneas e fortes, que antecedem o assassinato de Marighella. 
O corpo cai no chão, mas o mito ressuscita sob canto iorubá, entoado e dançado por Tânia Farias. Nesse exato momento, o céu nublado abre uma brecha para o sol forte bater na praça do relógio. A chuva cessa. Parecia tudo combinado nesse terreiro de consciências críticas. Um foguete explode e papéis com os nomes dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura brasileira voam ao chão (Honestino Guimarães deveria estar entre tantos). Tudo ultrapassa a magia do teatro. Estabelece-se a certeza. Precisamos urgentemente pôr o golpe de 1964 no seu devido lugar na história do Brasil, para que nunca mais algo parecido nos assombre. Em Taguatinga, o teatro cumpriu esse papel.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Oficina para Formação de Atores 2014/2015

ESCOLA DE TEATRO POPULAR DA TERREIRA DA TRIBO – TERREIRA DA TRIBO PONTO DE CULTURA

Oficina Para Formação de Atores

Gratuita e aberta a todos os interessados a partir dos 16 anos

Inscrições de 5 a 30 de maio de 2014
de segundas a sextas-feiras das 15 às 18h
na TERREIRA DA TRIBO
rua Santos Dumont – fones 32865720 – 30281358 - 99994570
terreira.oinois@gmail.com      www.oinoisaquitraveiz.com.br 



ESCOLA DE TEATRO POPULAR
DA TERREIRA DA TRIBO

A Escola de Teatro Popular desenvolve a Oficina Para Formação de Atores composta por aulas teóricas e práticas, com uma carga horária de 25 horas/aulas semanais, totalizando 1.600 horas/aulas. A Oficina Para Formação de Atores oferece 25 vagas, e a seleção dos oficinandos/alunos é realizada através de entrevistas e audições, sendo aberta a todos interessados a partir dos 16 anos. Ao longo de dezoito meses de oficina, o oficinando/aluno estará passando por um processo programado de desenvolvimento, cuja primeira etapa encontra-se organizada em torno do autoconhecimento (conhecimento do ator), passando, em seguida, para a etapa de reconhecimento (ênfase colocada no trabalho de construção de personagem), para o jogo teatral (ênfase na situação dramática) e, por fim, chegando à elaboração do produto estético: a encenação. A Oficina Para Formação de Atores formou sete turmas de novos atores nos períodos de 2000/01, 2002/03, 2004/05, 2005/06, 2007/08, 2009/10 e 2011/13.

A Oficina Para Formação de Atores - 2014/2015 será desenvolvida de 7 de julho de 2014 a 18 de dezembro de 2015, de segundas a sextas-feiras, das 14 às 18h30, na Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo.

DA SELEÇÃO DOS INSCRITOS:

A seleção dos inscritos para a Escola de Teatro Popular acontecerá nos dias 9, 10 e 11 de junho na Terreira da Tribo, rua Santos Dumont, 1186.
Na medida em que o número de inscritos excede o número de vagas, torna-se necessário o estabelecimento de alguns critérios gerais para a seleção. Serão, portanto, avaliadas: a) A capacidade de articular o pensamento; b) A disponibilidade para a aprendizagem e para o trabalho em grupo; c) As condições físicas necessárias ao desenvolvimento do trabalho de ator.
Para a seleção os inscritos devem:
1- Responder questionário da Escola de Teatro Popular e entregar no prazo determinado.
2- Apresentar cenicamente para a banca examinadora, em horário e dia combinados, um monólogo escolhido a partir dos textos indicados pela Escola de Teatro Popular.
3- Realizar entrevista individual com a banca examinadora.

O resultado da seleção será divulgado na Terreira da Tribo, rua Santos Dumont 1186, a partir das 15 horas do dia 12 de junho de  2014. Os candidatos classificados deverão confirmar a vaga até as 18 horas do dia 13 de junho de 2014.


OFICINA PARA FORMAÇÃO DE ATORES

Disciplina
Carga
semanal
Programa
Professor
Interpretação
9 horas
O Ator e suas possibilidades.
Aproximação ao personagem.
Movimentos da cena.
Ação física, ação da emoção e ação da sensação.
Motivação, subtexto, inter-relação.
Objetivo. O personagem pelo interior, o personagem pelo exterior. Estilo pessoal. Exposição versus revelação.
Movimento, gesto, atividade mimética do ato físico do jogo.
Linguagens e conceitos estéticos. Situações e fábulas.
Paulo Flores
(módulo A)
Tânia Farias
(módulo B)
Improvisação
4 horas
O imprevisto da ação humana.
O espaço do inconsciente e o desenvolvimento da intuição.
Conexão entre imaginário e realidade. Liberação do gesto, da fala e das sonoridades.
Expressão individual e grupal.
Interação do grupo.
Práticas lúdicas, jogos e dramaturgização.
Clélio Cardoso
Expressão
Corporal
3 horas
O inconsciente no corpo.
Consciência corporal (avaliação de facilidades e bloqueios)
Regras anatômicas universais.
Observação do outro e relacionamento. Vocabulário expressivo, criatividade e busca de superação das dificuldades conscientizadas.
Análise de adequação do corpo do ator às necessidades expressivas dos personagens, arquétipos ou símbolos teatrais.
A revelação do inconsciente humano através de um processo consciente.
Tânia Farias
Expressão vocal
2 horas
Descoberta do potencial vocal e sua utilização consciente.
Respiração, dicção e colocação  vocal.
Pontos de ressonância  corporal. Canto e fala.
Leonor Melo
História do
Teatro
Brasileiro
2 horas
Texto, estilo de criação e interpretação.
Estudo das relações teatro-sociedade ao longo da história e da realidade brasileiras.
Discussão sobre o Teatro Brasileiro contemporâneo.
Paulo Flores
Teoria e
História do
Teatro Ocidental
3 horas
Subsídios para a compreensão e interpretação do fenômeno cênico.
O teatro no contexto das condições sócio-políticas e na inter-relação com outras áreas do conhecimento humano.
Paulina Nólibos
História do Pensamento
Político
2 horas
Estudo da História das Sociedades. Correntes do pensamento político e os processos históricos de sua construção. A História como instrumento de uma consciência crítica e de transformação do presente.
Clarice Falcão

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Últimas apresentações: "Minha cabeça era uma Marreta" na Terreira da Tribo!

A Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz - Jogos de Aprendizagem apresenta o exercício cênico “Minha Cabeça Era Uma Marreta”, de Richard Foreman, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo). As apresentações serão nos dias 10, 11 e 12 de abril, sempre às 20h. O trabalho foi realizado pela Oficina Para Formação de Atores da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo no ano de 2013, com coordenação dos atuadores Tânia Farias, Paulo Flores e Clélio Cardoso. A temporada faz parte da programação comemorativa aos 36 anos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz!  Entrada Franca! 

Mais informações pelo fone 3028 13 58 ou 3286 57 20.

Foto: Paula Carvalho

“Minha Cabeça era uma Marreta”

Minha Cabeça Era Uma Marreta é uma das mais polêmicas e enigmáticas peças de Richard Foreman, um dos dramaturgos mais controvertidos e badalados dos Estados Unidos. Em cena um professor, um aluno e uma aluna. Onde estão? Numa sala de aula? No santuário do saber? Ou num manicômio? Durante todo tempo o jogo incessante entre quem detém o saber e aqueles que o desejam. Fechados em conceitos, os donos da verdade condicionam a vida. A peça é a indagação do próprio processo do pensamento e dos mecanismos que intervem no pensamento. Nem o olho nem o ouvido do espectador são capazes de encontrar um ponto fixo no qual se concentrarem, bombardeado por uma multiplicidade de eventos visuais e auditivos.  O roteiro é fragmentado, composto de frases curtas, aforísticas, desconectadas. A peça funciona como um poema aberto possibilitando que os espectadores façam suas próprias associações. Seu tratamento formal é produto da reflexão de que a sociedade se expressa com uma linguagem fossilizada que se deve destruir, refletindo aquilo em que se converteu: fórmulas vazias, diálogos que na realidade são trágicos monólogos, perguntas que não exigem respostas, puros automatismos, paradoxos e incoerências. Seu teatro requer novos instrumentos de análises: se faz necessário pensar em termos de energia, tensão, linhas de força e variações de intensidade. Artistas como Foreman operam o fragmento enquanto discurso buscando uma linguagem que estruture a polifonia cênica. A cena de Richard Foreman é emblemática da narrativa caótica, fragmentária, suportada numa textualidade minimal – e plena de marcações, a exemplo de Beckett -, em estruturas invisíveis, constitutivas da linguagem, que estabelecem tensões dialéticas entre a encenação e movimento dos atores. Sobre a recepção, Foreman coloca: ‘o público precisa aprender a ver pequeno, nas entrelinhas, porque fazer isto significa engajar-se no nível quântico da realidade em que as contradições estão ancoradas’.

Elenco: Felipe Fiorenza, Carlos Eduardo de Oliveira Arruda e Rochelle Luiza da Silveira.                                           

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ói Nóis Aqui Traveiz realiza mostra de parte do seu arquivo audiovisual no Cine Bancários!

Celebrando os seus 36 anos de trajetória a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em parceria com o Cine Bancários realiza o ciclo de exibições “Ói Nóis Aqui Traveiz – 36 Anos de Ousadia e Ruptura”. 



Estarão fazendo parte da programação, os registros dos espetáculos: O Amargo Santo da Purificação, Viúvas - Performance Sobre a Ausência, Aos que Virão depois de Nós - Kassandra in Process”  e ainda o documentário “Raízes do Teatro” com direção de Pedro Isaias Lucas. Todas as sessões contarão com a presença dos atuadores do grupo. 

As exibições serão nos dias 8 e 9 de abril no Cine Bancários (Rua General Câmara, 424 - Centro), nas sessões das 17 e das 19h. Entrada Franca!

Confira abaixo a programação:

Dia 8/04

às 17h: exibição de “O Amargo Santo da Purificação”
às 19h: exibição de “Viúvas – Performance sobre a Ausência” 

Dia 9/04

às 17h: exibição de “Viúvas – Performance sobre a Ausência”
às 19h: exibição do documentário “Raízes do Teatro” e do espetáculo “Aos que virão depois de nós Kassandra in Process – A criação do Horror”, seguido de um bate papo com o diretor do documentário, Pedro Isaias Lucas e com os atuadores do grupo.


O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO


“O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO” é o registro audiovisual do espetáculo de rua da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz sobre a trajetória do revolucionário brasileiro Carlos Marighella. A encenação coletiva para Teatro de Rua conta a história de um herói popular que os setores dominantes tentaram banir da cena nacional durante décadas. Marighella não abdicou ao direito de sonhar com um mundo livre de todas as opressões. Viveu, lutou e morreu por esse sonho. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do ritual com o teatro dança. Através de uma estética “glauberiana”, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas das cidades do nosso país uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro. Nesses três anos de trajetória, a peça que narra a Vida, Paixão e Morte do revolucionário Carlos Marighella, percorreu 14 estados brasileiros ; apresentou-se em mais de 60 cidades; participou de Festivais e Mostras em todo país, coloriu com as suas alegorias praças, parques, vilas e bairros de Porto Alegre, levando o espetáculo também à zona rural, passando por diversos assentamentos do Rio Grande do Sul, totalizando um público de mais de 70.000 pessoas. A encenação recebeu os principais prêmios do teatro gaúcho – Açorianos de Melhor Espetáculo, Melhor Produção, Melhor Figurino, Melhor Atriz (Tânia Farias) e Melhor Trilha (Johann Alex de Souza). 

Viúvas - Performance sobre a Ausência


“VIÚVAS - PERFORMANCE SOBRE A AUSÊNCIA” faz parte da pesquisa teatral que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. Viúvas mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer. O Teatro de Vivência do Ói Nóis Aqui Traveiz procura uma forma de relação aberta e sincera com o público, em que atores e espectadores partilhem de uma experiência comum, que tenha intensidade de um acontecimento, capaz de produzir novas formas de percepção.
  

  
Aos que virão depois de nós KASSANDRA IN PROCESS

“Aos que virão depois de nós KASSANDRA IN PROCESS” é um registro audiovisual de um dos mais consagrados espetáculos de vivência da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A encenação revê a Guerra de Tróia numa perspectiva que aponta para o feminino. A ‘guerra-mãe’ do Ocidente, modelo para todas as outras guerras e para o ideal heróico masculino baseado no desejo de poder e destruição da alteridade, é vista pelos historiadores como a passagem do mundo matriarcal para o patriarcal. O deus-pai Apolo em oposição à deusa-mãe Cibele. A novela ‘Cassandra’ de Christa Wolf foi a principal fonte de inspiração para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na criação coletiva do espetáculo. Boa parte da obra da autora é caracterizada pelo recorte feminista, não o panfleto pelo panfleto, tampouco o repisado olhar sobre a alma feminina, mas a subjugação histórica das mulheres nas falocracias do globo.

Raízes do Teatro

O documentário “Raízes do Teatro” com direção de Pedro Isaias Lucas, apresenta um dos principais eixos do trabalho de criação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. O título do documentário é o nome do projeto criado pelo Ói Nóis Aqui Traveiz em 1987 para sistematizar o estudo das origens ritualísticas do teatro. A principal característica dessa metodologia é o tratamento especial dado aos mitos. Fazem parte do projeto Raízes do Teatro os espetáculos Antígona, Ritos de Paixão e Morte (1990), Missa para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Dr. Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo (1994), Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra in Process (2002) e Medeia Vozes (2013).

terça-feira, 1 de abril de 2014

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz_36 Anos.





A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978, durante mais de três décadas
construiu uma trajetória que marcou definitivamente a paisagem cultural do Brasil.

Minha cabeça era uma Marreta na Terreira da Tribo!


Foto: Paula Carvalho

A Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz - Jogos de Aprendizagem apresenta o exercício cênico “Minha Cabeça Era Uma Marreta”, de Richard Foreman, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo). As apresentações serão nos dias 3, 4, 5 e 10, 11 e 12 de abril, sempre às 20h. O trabalho foi realizado pela Oficina Para Formação de Atores da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo no ano de 2013, com coordenação dos atuadores Tânia Farias, Paulo Flores e Clélio Cardoso. A temporada faz parte da programação comemorativa aos 36 anos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz!  Entrada Franca! 


Mais informações pelo fone 3028 13 58 ou 3286 57 20








“Minha Cabeça era uma Marreta”

Foto: Paula Carvalho
Minha Cabeça Era Uma Marreta é uma das mais polêmicas e enigmáticas peças de Richard Foreman, um dos dramaturgos mais controvertidos e badalados dos Estados Unidos. Em cena um professor, um aluno e uma aluna. Onde estão? Numa sala de aula? No santuário do saber? Ou num manicômio? Durante todo tempo o jogo incessante entre quem detém o saber e aqueles que o desejam. Fechados em conceitos, os donos da verdade condicionam a vida. A peça é a indagação do próprio processo do pensamento e dos mecanismos que intervem no pensamento. Nem o olho nem o ouvido do espectador são capazes de encontrar um ponto fixo no qual se concentrarem, bombardeado por uma multiplicidade de eventos visuais e auditivos.  O roteiro é fragmentado, composto de frases curtas, aforísticas, desconectadas. A peça funciona como um poema aberto possibilitando que os espectadores façam suas próprias associações. Seu tratamento formal é produto da reflexão de que a sociedade se expressa com uma linguagem fossilizada que se deve destruir, refletindo aquilo em que se converteu: fórmulas vazias, diálogos que na realidade são trágicos monólogos, perguntas que não exigem respostas, puros automatismos, paradoxos e incoerências. Seu teatro requer novos instrumentos de análises: se faz necessário pensar em termos de energia, tensão, linhas de força e variações de intensidade. Artistas como Foreman operam o fragmento enquanto discurso buscando uma linguagem que estruture a polifonia cênica. A cena de Richard Foreman é emblemática da narrativa caótica, fragmentária, suportada numa textualidade minimal – e plena de marcações, a exemplo de Beckett -, em estruturas invisíveis, constitutivas da linguagem, que estabelecem tensões dialéticas entre a encenação e movimento dos atores. Sobre a recepção, Foreman coloca: ‘o público precisa aprender a ver pequeno, nas entrelinhas, porque fazer isto significa engajar-se no nível quântico da realidade em que as contradições estão ancoradas’.

Elenco: Felipe Fiorenza, Carlos Eduardo de Oliveira Arruda e Rochelle Luiza da Silveira.                                           



quarta-feira, 26 de março de 2014

Oficinas gratuitas de Teatro em Canoas!


Todas as quartas feiras, na antiga Estação Férrea de Canoas, acontece a Oficina Popular de Teatro do Projeto “Teatro Como Instrumento de Discussão Social” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Gratuita e aberta a qualquer interessado a partir dos 15 anos.

A oficina que trabalha com improvisação, expressão corporal, interpretação e jogos dramáticos, também prevê a elaboração de exercícios cênicos. Fazendo parte do Projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social a oficina segue os fundamentos principais da Escola Popular de Teatro da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e tem como objetivo fomentar a organização de grupos culturais nos bairros.



A oficina também pretende abrir espaço para sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como veículo de formação, informação e transformação social. Entendendo a cultura como agente formador de mentalidades com conseqüente influência direta na condução dos rumos da sociedade, e a atividade teatral como a mais objetiva das manifestações artísticas na reflexão do homem sobre si e sua realidade social.


A oficina tem parceria com o grupo  teatral Pode ter Inço no Jardim da cidade de Canoas!


Local: Antiga Estação Férrea
de Canoas (centro)

Dia: todas as quartas feiras
Horário: das 19h às 22h
Oficineira: Paula Carvalho
Informações: 3286 57 20 ou

8596 11 40


As inscrições podem ser feitas no local, no própia quarta feira.



“A Arte em todas as suas modalidades tem por função básica a estruturação e o desenvolvimento da sensibilidade e do pensamento dos seres humanos. O Teatro tem por objeto a análise crítica e a exposição das relações inter-humanas, o que faz dele um dos mais poderosos aliados na luta permanente em favor da construção da cidadania.”