segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Tribo convida os amigos para o ensaio aberto de "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal"

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz que está prestes a celebrar os seus 39 anos de trajetória e estrear a sua mais nova criação coletiva para teatro de rua, vem a público convidar os amigos para o ensaio aberto do espetáculo "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal".

O ensaio aberto será no dia 5 de março, às 16h no Parque Marinha do Brasil.

Esta montagem já vem com importantes e merecidos financiamentos: foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura do país.

Foto: Eugênio Barbosa

A peça terá sua pré estreia dia 12 de março, às 16h no Parque da Redenção e sua estreia nacional dia 
29 de março, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, durante o lançamento do 20º Palco Giratório Sesc, que nesta edição comemorativa tem a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz como grupo homenageado. No Rio de janeiro, o espetáculo chega em maio, com sessões entre os dias 8 e 14, na capital e em Paraty. Já São Paulo recebe o grupo nos dias 02, 03 e 04 de agosto.

Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. 

A peça de Boal é uma resposta ao clássico “A Tempestade” de William Shakespeare. A história é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos seres humanos originários da América que foram dizimados e escravizados pelos invasores colonizadores representados pelo personagem Próspero. Na versão de Boal, Próspero é tão perverso quanto os nobres europeus que usurparam o seu poder. Todos representam a violenta dominação colonial e cultural. A filha de Próspero, Miranda, e o príncipe de Nápoles, Fernando, fazem uma aliança não por amor como na peça de Shakespeare, mas sim por interesses capitalistas. Ariel, o “espírito do ar”, representa o artista alienado, mescla de escravo e mercenário a serviço da ordem constituída. Somente Caliban se revolta até ser, finalmente, derrotado. Os vilões permanecem na “ilha tropical” para escravizá-lo. Mesmo escravo, Caliban resiste. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Caliban simboliza hoje a resistência ao neo-colonialismo.  

Para seduzir o púbico anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração da fábula é toda influenciada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade. Resultado de uma pesquisa que procurou a criação de uma linguagem de signos capazes de transmitir uma emoção poética. O teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz pretende surpreender, sensibilizar e conquistar a empatia dos mais diversos públicos trazendo para cena uma estética e uma ética libertária. 

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, tem música de Johann Alex de Souza e traz no elenco os atuadores Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Keter Atácia, Pascal Berten, Marta Haas, Eugênio Barboza, Tânia Farias, Paulo Flores, Eduardo Arruda, Júlio Kaczam, André de Jesus, Márcio Leandro, Leticia Virtuoso, Mayura Matos, Luana Rocha, Lucas Gheller, Thales Rangel, Dal Vanso, Daniel Steil, Alex Pantera e Jana Farias.

Sobre o autor:

Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro em 1931 e apesar da formação em Engenharia, sempre se interessou pelo teatro. No início dos anos 50 esteve nos EUA onde estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de Columbia e frequentou os cursos de John Gassner - professor de alunos como Tennessee Williams e Arthur Miller. De volta ao Brasil, passou a integrar o Teatro de Arena, onde aos poucos adaptou o que aprendera nos Estados Unidos em espetáculos que buscavam encenar e discutir a realidade brasileira, transformando o espectador em cidadão ativo. Formado por Boal, José Renato, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho e outros, o grupo de dramaturgos do Arena promoveu uma verdadeira revolução estética nos palcos brasileiros. 

O golpe de 1964 tornou cada vez mais difícil a situação dos artistas que haviam se engajado na transformação social do período precedente. Em 1971, Boal é então preso e torturado. Exila-se na Argentina com Cecília Thumin, onde organiza Teatro do Oprimido, seu livro mais conhecido. A partir de então, os princípios e as técnicas desenvolvidas por Boal alcançam um público cada vez maior, difundindo-se inicialmente pela América Latina e, ao longo dos anos 1970, pelo mundo inteiro. Em Paris, onde passa a morar e atuar, cria vários núcleos baseados em sua obra. Com o fim da ditadura, retorna ao Brasil em 1986, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1992 é eleito vereador e desenvolve mais uma de suas técnicas, o Teatro Legislativo, que discute projetos de lei com o cidadão comum em ruas e praças da cidade. A Unesco conferiu a Boal o título de "Embaixador do Teatro Mundial" , em 2009. Nesse mesmo ano ele faleceu no Rio de Janeiro. Suas obras estão traduzidas para várias línguas, ocidentais e orientais. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estreia em março a criação coletiva para teatro de rua "Caliban – A Tempestade de Augusto Boal"

A peça contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e pelo Rumos Itaú Cultural  circulará pelo Brasil ao longo de 2017, como homenageada do 20º Palco Giratório Sesc

São quase 40 anos de uma trajetória irretocável! Há exatos 39 anos o Ói Nóis Aqui Traveiz faz uma verdadeira imersão na essência do teatro e apresenta ao público brasileiro espetáculos arrebatadores, elogiados e reconhecidos em todo o território nacional. E para comemorar este momento marcante, lança “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, com pré-estreia dia 12 de março, às 16h no Parque da Redenção em Porto Alegre.

Esta montagem já vem com importantes e merecidos financiamentos: foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura do país.

A peça terá sua estreia nacional dia 29 de março, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, durante o lançamento do 20º Palco Giratório Sesc, que nesta edição comemorativa tem a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz como grupo homenageado. No Rio de janeiro, o espetáculo chega em maio, com sessões entre os dias 8 e 14, na capital e em Paraty. Já São Paulo recebe o grupo nos dias 02, 03 e 04 de agosto.

Foto: Tânia Farias


Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. 

A peça de Boal é uma resposta ao clássico “A Tempestade” de William Shakespeare. A história é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos seres humanos originários da América que foram dizimados e escravizados pelos invasores colonizadores representados pelo personagem Próspero. Na versão de Boal, Próspero é tão perverso quanto os nobres europeus que usurparam o seu poder. Todos representam a violenta dominação colonial e cultural. A filha de Próspero, Miranda, e o príncipe de Nápoles, Fernando, fazem uma aliança não por amor como na peça de Shakespeare, mas sim por interesses capitalistas. Ariel, o “espírito do ar”, representa o artista alienado, mescla de escravo e mercenário a serviço da ordem constituída. Somente Caliban se revolta até ser, finalmente, derrotado. Os vilões permanecem na “ilha tropical” para escravizá-lo. Mesmo escravo, Caliban resiste. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Caliban simboliza hoje a resistência ao neo-colonialismo.  

Para seduzir o púbico anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração da fábula é toda influenciada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade. Resultado de uma pesquisa que procurou a criação de uma linguagem de signos capazes de transmitir uma emoção poética. O teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz pretende surpreender, sensibilizar e conquistar a empatia dos mais diversos públicos trazendo para cena uma estética e uma ética libertária. 

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, tem música de Johann Alex de Souza e traz no elenco os atuadores Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Keter Atácia, Pascal Berten, Marta Haas, Eugênio Barboza, Tânia Farias, Paulo Flores, Eduardo Arruda, Júlio Kaczam, André de Jesus, Márcio Leandro, Leticia Virtuoso, Mayura Matos, Luana Rocha, Lucas Gheller, Thales Rangel, Dal Vanso, Daniel Steil, Alex Pantera e Jana Farias.


Sobre o autor:

Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro em 1931 e apesar da formação em Engenharia, sempre se interessou pelo teatro. No início dos anos 50 esteve nos EUA onde estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de Columbia e frequentou os cursos de John Gassner - professor de alunos como Tennessee Williams e Arthur Miller. De volta ao Brasil, passou a integrar o Teatro de Arena, onde aos poucos adaptou o que aprendera nos Estados Unidos em espetáculos que buscavam encenar e discutir a realidade brasileira, transformando o espectador em cidadão ativo. Formado por Boal, José Renato, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho e outros, o grupo de dramaturgos do Arena promoveu uma verdadeira revolução estética nos palcos brasileiros. 

O golpe de 1964 tornou cada vez mais difícil a situação dos artistas que haviam se engajado na transformação social do período precedente. Em 1971, Boal é então preso e torturado. Exila-se na Argentina com Cecília Thumin, onde organiza Teatro do Oprimido, seu livro mais conhecido. A partir de então, os princípios e as técnicas desenvolvidas por Boal alcançam um público cada vez maior, difundindo-se inicialmente pela América Latina e, ao longo dos anos 1970, pelo mundo inteiro. Em Paris, onde passa a morar e atuar, cria vários núcleos baseados em sua obra. Com o fim da ditadura, retorna ao Brasil em 1986, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1992 é eleito vereador e desenvolve mais uma de suas técnicas, o Teatro Legislativo, que discute projetos de lei com o cidadão comum em ruas e praças da cidade. A Unesco conferiu a Boal o título de "Embaixador do Teatro Mundial" , em 2009. Nesse mesmo ano ele faleceu no Rio de Janeiro. Suas obras estão traduzidas para várias línguas, ocidentais e orientais. 


“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”
Teatro de Rua da Tribo de Atuadores Ói Nós Aqui Traveiz
pré-estreia dia 12 de março, 16h - Porto Alegre
Parque da Redenção

O espetáculo foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo programa Rumos Itaú Cultural


Informações para a imprensa:  
bebê Baumgarten e ana karla severo / bd divulgação
(51) 3028.4201 / 98111.8703 / 99550.3297
bebebaumgarten@terra.com.br


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Desmontagem "Evocando os Mortos Poéticas da Experiência" no Meme Santo de Casa!

Nesta quarta feira, dia 25 de janeiro a atuadora Tânia Farias da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará apresentando a desmontagem "Evocando os Mortos Poéticas da Experiência" ás 21 horas, no Meme Santo de Casa (Rua Lopo Gonçalves, 176 - Cidade Baixa).

Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Foto Rafael Saes

Seguindo a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.

Valor do ingresso R$30,00
Classificação etária: 18 anos

"É preciso aceitar a presença dos mortos como parceiros de diálogo ou destruidores de diálogos – o futuro surge somente do diálogo com os mortos".
Heiner Muller


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Oficina Popular de Teatro em Canoas - Inscrições abertas!!!


Todas as quartas feiras - na antiga Estação Férrea de Canoas - acontece a Oficina Popular de Teatro, do Projeto “Teatro Como Instrumento de Discussão Social”. A oficina é uma realização da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, com orientação da atuadora Paula Carvalho. Gratuita e aberta a qualquer interessado a partir dos 15 anos.

A oficina que trabalha com improvisação, expressão corporal, interpretação e jogos dramáticos, também prevê a elaboração de exercícios cênicos. Fazendo parte do Projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social a oficina segue os fundamentos principais da Escola Popular de Teatro da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e tem como objetivo fomentar a organização de grupos culturais nos bairros.

A oficina também pretende abrir espaço para sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como veículo de formação, informação e transformação social. Entendendo a cultura como agente formador de mentalidades com conseqüente influência direta na condução dos rumos da sociedade, e a atividade teatral como a mais objetiva das manifestações artísticas na reflexão do homem sobre si e sua realidade social.


Local: Antiga Estação Férrea
de Canoas (centro)
Dia: todas as quartas feiras
Horário: das 19h às 22h
Oficineira: Paula Carvalho
Informações: 99396 11 40

As inscrições podem ser feitas no local, na própria quarta feira.



“A Arte em todas as suas modalidades tem por função básica a estruturação e o desenvolvimento da sensibilidade e do pensamento dos seres humanos. O Teatro tem por objeto a análise crítica e a exposição das relações inter-humanas, o que faz dele um dos mais poderosos aliados na luta permanente em favor da construção da cidadania.”



Oficina Popular de Teatro de Canoas

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve desde dezembro de 2011, uma oficina teatral na Antiga Estação Férrea de Canoas. Espaço este, que permanece aberto há mais de 20 anos para atividades culturais, devido à resistência de diversos artistas para preservá-la. Á convite do grupo “Pode ter inço no Jardim”, a Tribo se soma aos artistas de Canoas na luta pela preservação da Estação Cultural.
A oficina que acontece no centro reúne pessoas oriundas de diversos bairros, e ao longo desses anos desenvolveu diversas ações artísticas na cidade e realizou os exercícios cênicos “Bate Asas Bate” e “Os Sinos da Candelária”.

O projeto foi contemplado pelo edital PIC 2014, portanto tem o financiamento da Prefeitura Municipal de Canoas/Secretaria da Cultura.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Reunião Pontos de Cultura e SEDAC

Na tarde do dia 04 de janeiro de 2017 estivemos reunidos com o Diretor de Cidadania e Diversidade Cultural da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul.

Conforme informe anterior repassado a Rede RS dos Pontos de Cultura, o assunto que fomos tratar na reunião é referente a transição contratual que todos os 81 Pontos de Cultural que firmaram convênio a partir da seleção dos editais 10 e 11.

Em virtude da entrada em vigor do Marco regulatório das organizações da sociedade civil, lei federal número 13.019, a partir da metade do ano de 2016, não existe mais a relação contratual convênio entre Estado e sociedade civil organizada. Por termos desde julho de 2014 a Lei Cultura Viva e a partir das instruções normativas publicadas em 2015 e 2016, passamos a ter o instrumento Termo de Compromisso Cultural, instrumento contratual que está de acordo com o Marco Regulatório.


Desta forma o jurídico do Ministério da Cultura passou um parecer a Secretaria de Estado da Cultura no dia 21 de dezembro de 2016, informando a Secretaria que esta deverá proceder a extinção dos convênios firmados com os 81 pontos de cultura e firmar um aditivo passando o objeto dos convênios para um novo contrato, no caso, o Termo de Compromisso Cultural, e neste novo contrato devem constar o mesmo objeto do convênio e os respectivos planos de trabalho.

Esta situação terá de ser concluída até 23 de janeiro de 2017. Assim, estivemos reunidos com Leoveral Soares com a presença do Representante da Rede dos Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, Leandro Anton e Representantes dos Pontos de Cultura: Cultura de A a Z, Rubem Berta Nas Asas da Cultura, Quilombo do Sopapo, Africanamente, Terreira da Tribo, Trocando Ideia, Varanda Cultural, Paralelo 33, Ilê Axé Cultural, Ponto de Cultura Feminista: Corpo, Arte e Expressão, Solar do IAB e Associação Ijuiense de Proteção do Ambiente Natural.

Pontos de Cultura reunidos em 04 de janeiro na SEDAC-RS
Pontos de Cultura reunidos em 04 de janeiro na SEDAC-RS
Na reunião nos foi informado que 43 Pontos de Cultura já tinham os Termos de Compromisso Cultural encaminhados do jurídico para a Casa Civil, faltando ainda outros 38 Pontos de Cultura terem seus Termos de Compromisso Cultural encaminhados ao jurídico. Esta relação pode ser acessada clicando a seguir 2017-01-04_pontos de cultura conveniados . Ao acessar este documento irá ver na coluna mais à esquerda o nome do Ponto de Cultura e na coluna mais à direita a data na qual foi encaminhada o Termo de Compromisso Cultural a Casa Civil. Os Pontos de Cultura que na coluna mais à direita não possuem data inserida é porque estes ainda não possuem Termos de Compromisso Cultural elaborado.

Conforme Leoveral Soares todos os 81 Pontos de Cultura que não possuam pendências terão seus Termos de Compromisso Cultural elaborados e aptos para serem assinados antes do dia 23 de janeiro de 2017. Também conforme Leoveral informou a SEDAC fará contato com todos os 81 Pontos de Cultura conveniados informando a situação e para aqueles que estão mais distantes de Porto Alegre a Secretaria enviará via correio os Termos de Compromisso Cultural para que as entidades procedam a assinatura. Também nos foi informado que os únicos documentos que terão de ser atualizados serão as atas de eleição para as entidades que entre a assinatura do convênio e a assinatura do Termo de Compromisso Cultural tiveram eleições para a renovação de suas diretorias.

Ao final do encontro redigimos uma Ata com as informações e encaminhamentos relacionados acima e que foi assinada por todos presentes. A Ata pode ser acessada clicando ao lado 2017-01-04_Ata reunião pontos e SEDAC .

Na próxima quarta-feira, dia 11 de janeiro de 2017, às 18h, no Ponto de Cultura Solar do IAB, na Rua General Canabarro nº 363, centro de Porto Alegre, faremos nova reunião entre os Pontos de Cultura de Porto Alegre, para atualizarmos o andamento dos Termos de Compromisso Cultural e também para definirmos como faremos nossa participação no Fórum social das Resistências, que irá ocorrer em Porto Alegre de 17 a 21 de janeiro e pretendemos mobilizar o maior número possível de Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, para termos participação no Fórum, realizarmos uma reunião entre os Pontos de Cultura do Estado e dar continuidade a pauta aberta em Pelotas e também podermos fazer deste momento um ato coletivo de assinatura de Termos de Compromisso Cultural na Secretaria de Estado da Cultura.

 Texto e foto: Leandro Anton

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Aos que virão depois de nós!

I

Eu vivo em tempos sombrios.

Uma linguagem sem malícia é sinal de

estupidez,

uma testa sem rugas é sinal de indiferença.

Aquele que ainda ri é porque ainda não

recebeu a terrível notícia.



Que tempos são esses, quando

falar sobre flores é quase um crime.

Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?

Aquele que cruza tranqüilamente a rua

já está então inacessível aos amigos

que se encontram necessitados?



É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.

Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço

Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.

Por acaso estou sendo poupado.

(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)



Dizem-me: come e bebe!

Fica feliz por teres o que tens!

Mas como é que posso comer e beber,

se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?

se o copo de água que eu bebo, faz falta a

quem tem sede?

Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:

Manter-se afastado dos problemas do mundo

e sem medo passar o tempo que se tem para

viver na terra;

Seguir seu caminho sem violência,

pagar o mal com o bem,

não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.

Sabedoria é isso!

Mas eu não consigo agir assim.

É verdade, eu vivo em tempos sombrios!


II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,

quando a fome reinava.

Eu vim para o convívio dos homens no tempo

da revolta

e me revoltei ao lado deles.

Assim se passou o tempo

que me foi dado viver sobre a terra.

Eu comi o meu pão no meio das batalhas,

deitei-me entre os assassinos para dormir,

Fiz amor sem muita atenção

e não tive paciência com a natureza.

Assim se passou o tempo

que me foi dado viver sobre a terra.



III


Vocês, que vão emergir das ondas

em que nós perecemos, pensem,

quando falarem das nossas fraquezas,

nos tempos sombrios

de que vocês tiveram a sorte de escapar.



Nós existíamos através da luta de classes,

mudando mais seguidamente de países que de

sapatos, desesperados!

quando só havia injustiça e não havia revolta.



Nós sabemos:

o ódio contra a baixeza

também endurece os rostos!

A cólera contra a injustiça

faz a voz ficar rouca!

Infelizmente, nós,

que queríamos preparar o caminho para a

amizade,

não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.

Mas vocês, quando chegar o tempo

em que o homem seja amigo do homem,

pensem em nós

com um pouco de compreensão.


Bertolt Brecht


Resistiremos!
#ForaTemer!


domingo, 4 de dezembro de 2016

Jogos de Aprendizagem 2016!!!


Pare encerrar o ano potencializando os encontros, nos dias 14 e 15 de dezembro, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza na Terreira da Tribo a Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz Jogos de Aprendizagem – 2016. Entrada Franca, sempre às 20h. Distribuição de senhas 30 minutos antes das apresentações.

No dia 14/12 teremos a apresentação do Exercício Cênico “A Mais Valia Vai Acabar Seu Edgar” da Oficina de Teatro de Rua Arte e Política e também do Exercício Cênico “O Canto da Sereia” da Oficina Popular de Teatro do bairro São Geraldo.

No dia 15/12 teremos a apresentação do espetáculo “O Anjo do desespero” com direção e atuação de Gilmar Fagundes.

A Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem é um compartilhamento do processo pedagógico colocado em prática pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz através dos exercícios cênicos criados nas Oficinas Populares de Teatro dentro da ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social e da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo.


A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!

O “Exercício Cênico: A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!” tem a coordenação de Paulo Flores, e traz no elenco os oficinandos: Aline Ferraz, Arthur Haag, Claudia Beatriz Severo, Daniel Steil, Daviana Maite Suárez, Gabriel Salcedo Botelho, Hariagi Borba Nunes, Helen Meireles Sierra, Jana Alichala Farias, Leticia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Mariana Maciel Stedele, Matheus Coelho Camini e Tiana Godinho de Azevedo.

Escrita em 1960 e apresentada no ano seguinte, a peça de Vianinha, por meio do humor, desenvolve a condição de explorador do capitalista e a situação de espoliado do operário, no âmbito material, moral, emocional, sexual, etc. No desenrolar do espetáculo, os operários passam a conhecer sua situação por meio da ´teoria da mais-valia´, que possibilitará a tomada de consciência e a organização da classe, permitindo, no futuro, sua emancipação. As personagens são categorias sociais (os Desgraçados e os Capitalistas), que vivenciam, no palco, por intermédio de ´esquetes´, situações nas quais a opressão se manifesta didaticamente. Vianinha, para tanto, lançou mão de vários recursos técnicos que desenvolvidos no teatro de agitação de Erwin Piscator, na Alemanha dos anos 20, e que hoje fazem parte da história da encenação ocidental. Procurou romper alguns dos limites estabelecidos entre palco e platéia, além de utilizar, na composição das personagens, ´gestos´ que se tornaram clássicos no que se refere ás proposições do ´teatro épico´. Nas palavras do próprio autor “a mais-valia contém a divisão do trabalho manual e intelectual, a concentração demográfica, a guerra, a desnecessidade da existência dos outros. 



Exercício cênico “O Canto da Sereia”

 “O Canto da Sereia” é uma obra curta do dramaturgo, ator e diretor colombiano Enrique Buenaventura, fundador do Teatro Experimental de Cali. A peça se passa na época da Guerra do Vietnã e conta a história de Carlos Barbosa, um jovem sonhador que decide abandonar sua família e sua cidade, nos confins da América Latina, para ir em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.

 Orientação: Marta Haas
 Orientação musical: Roberto Corbo

Oficinandos: Ademir Alves, Daniel Menezes, Diandra Tavares, Douglas Lunardi, Felipe Goldenberg, Jonatan Tavares, Jules Bemfica, Manoela Laitano Chaves, Márcio Leandro, Mariana Stedele, Mariliza Tavares, Miliana Sato, Natália Meneguzzi, Rafael Torres Fernandes, Savana Ferreira e Thali Bartikoskide 

 OFICINA POPULAR DE TEATRO DO BAIRRO SÃO GERALDO

A Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo existe desde 2009, quando a Terreira da Tribo mudou-se para a rua Santos Dumont. A partir de encontros semanais, o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve no bairro um trabalho de criação de núcleo teatral. 


O Anjo do Desespero

Este trabalho é uma colagem de textos de Heiner Müller e Augusto dos Anjos. Dois escritores que viveram em épocas distintas, o primeiro no século XX e o segundo no século XIX, mas os escritores são confrontados com a maior das evidências da vida e do universo: a morte.
      
 A divulgação da poesia brasileira através de Augusto dos Anjos se faz necessária pois ele não é apenas um poeta da morte mas também um poeta da vida, do mistério do incogniscível. Um homem com uma visão de mundo cientificista nos últimos anos do século XIX. Augusto um porta-voz de todos os seres e não apenas do homem. Os meios acadêmicos o classificaram como Simbolista e também de Pré-Modernista. Augusto dos Anjos é inclassificável. 

Heiner Muller, dramaturgo alemão, com sua obra “A Missão” questiona a migração de idéias revolucionárias francesas vindas do continente europeu para o americano. Importante dramaturgo no cenário contemporâneo mundial. Muller incorpora as influências de Brecht e Artaud e como resultado sua obra nos possibilita criar novos parâmetros que dialogam com a história e as heranças da humanidade. 

Roteiro, direção  e atuação: Gilmar Fagundes
Elenco: Gilmar Fagundes e Felipe Farinha (convidado)