terça-feira, 29 de julho de 2014

Paulo Flores participa do IV CONGRESSO INTERNACIONAL SESC-PE E UFPE DE ARTE/EDUCAÇÃO


No dia 1º de agosto, Paulo Flores estará em Pernambuco participando do IV Congresso Internacional de Arte/Educação. O tema do encontro é “Ecos de Resistências na América Latina”, e Paulo Flores falará sobre a experiência de 36 anos do Ói Nóis Aqui Traveiz – Poéticas de Ousadia e Ruptura.
Esta edição do Congresso será todo desenvolvido a partir do tema “Ecos de Resistências na América Latina”, e dará continuidade aos debates e pesquisas que se norteiam pelos princípios políticos e pedagógicos da arte/educação, além de prestar homenagens a dois expoentes dos meios culturais e educacionais do país, o professor, ator e diretor de teatro Carlos Varella, in memoriam, e o professor, escultor, pintor, desenhista, gravurista e ceramista Abelardo da Hora, personalidades marcantes da arte/educação brasileira.
Foto: Eugenio Barbosa


No dia 01 de Agosto de 2014 das 11h às 12h30.

MESA VIII, cujo tema é: "Ecos de Resistências na América Latina"
CONFERENCISTAS: Paulo Flores(RS) e Socorro Ferraz(PE)
MEDIAÇÃO: Antonio Cadengue (PE)



Confira a Programação completa no link:
http://congressointernacionalarteeducacao.sescpe.com.br/Programacao.aspx

sexta-feira, 25 de julho de 2014

TERREIRA DA TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ

Neste mês a Terreira da Tribo, nosso Centro de Experimentação, Pesquisa Cênica e Escola de Teatro Popular completa 30 anos de atividades.
Por isso, compartilhamos com vocês um texto que foi publicado na última Cavalo Louco - a Revista de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - que será lançada ainda este mês!

Vida longa a este generoso espaço de compartilhamento, que movimenta nossas utopias e fomenta nossas paixões!!! 

Evoé Terreira da Tribo!


30 ANOS DE UTOPIA LIBERTÁRIA

Em 1984 a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz constitui a Terreira da Tribo, um novo espaço cultural aberto a todo tipo de manifestações: teatro, música, filmes, oficinas de arte, debates, happenings, celebrações. O nome deste espaço feminino, telúrico e anarquista vem de terreiro, lugar de encontro do ser humano com o sagrado. Além de todas as atividades que acontecem diariamente na Terreira, o espaço oportuniza às pessoas em geral o contato com o fazer teatral. Partindo do princípio de que toda pessoa tem um potencial criador, os atuadores vão desenvolver, a partir de 1985, diversas oficinas abertas à comunidade. A Terreira consolidou o trabalho do Ói  Nóis Aqui Traveiz.  Possibilitou aprofundar a investigação do trabalho do ator e do espaço cênico. Um espaço teatral completamente flexível e transformável de uma encenação para outra. Colocar o espectador numa situação inteiramente inédita. Levar às últimas consequências a relação entre ator e espectador. Incluindo os espectadores na arquitetura da ação. Vendo o público qualitativamente e não em quantidade, interessando mais a integração alcançada. É na Terreira que a Tribo buscou o autodesnudamento do ator  grotowskiano. Partindo do íntimo de seu ser e de seus instintos, o ator deve ultrapassar os seus próprios limites e condicionamentos. O objetivo e a função do ator é fazer ressoar alguma coisa na intimidade mais profunda do espectador. É também a partir da Terreira da Tribo que o Ói Nóis Aqui Traveiz vai aprofundar e intensificar a sua pesquisa sobre teatro de rua. O desejo de interferir no cotidiano da cidade, de levar poesia e reflexão surpreendendo o dia a dia de centenas de pessoas das mais diferentes classes, vai levar o Ói Nóis Aqui Traveiz a criar a encenação “Teon – Morte em Tupi-Guarani”, em 1985.  Em seguida a Tribo encenou “A Exceção e a Regra”, de Bertolt Brecht, iniciando uma trajetória de encenações para teatro de rua que vão percorrer as ruas, praças, bairros e vilas populares da cidade. A partir daí o Ói Nóis Aqui Traveiz organiza um circuito regular de apresentações de teatro de rua – Caminho Para Um Teatro Popular, com os objetivos de democratizar o espaço da arte e realizar um teatro com temática social e questionamento crítico da realidade. A função do teatro de rua está em sua fusão com o cotidiano, em sua interação com a vida e as pessoas. Antes de tudo o teatro vai chegar a um público novo, inclusive a pessoas que, na sua grande maioria, nunca vão ao teatro. Em 1988 nasce o projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social levando oficinas para  estimular o autoconhecimento, a auto-estima e a capacidade criadora de jovens e adultos dos bairros populares. As oficinas também vão servir como um veículo para a articulação política e cultural das comunidades. As oficinas na periferia abriram para um grande número de pessoas um  espaço para a sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como um potente veículo de formação, informação e transformação social. O teatro criado nos bairros populares passou a ser um poderoso aliado na permanente luta em favor da construção da cidadania. Acreditando no Teatro como um modo de vida, o Ói Nóis Aqui Traveiz desde a sua origem dissemina ideias e práticas coletivas, de autonomia e liberdade, compartilhando a experiência de convivência e de laboratório teatral. A trajetória da Tribo tem sido o resultado da soma dos desejos e esforços empreendidos por dezenas de atuadores que passaram pelo grupo e deram o melhor de si na construção de poéticas de ousadia e ruptura.


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Rememorando os 21 anos de um massacre

Exercício Cênico
Os Sinos da Candelária 

Foto: Eugenio Barboza


Em 23 de julho de 1993 o Rio de Janeiro foi sacudido por um crime covarde, onde crianças foram assassinadas enquanto dormiam em frente à Igreja da Candelária. Na próxima quarta feira, data que marca os 21 anos deste massacre, a Oficina Popular de Teatro, do projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará apresentando o exercício cênico “Os Sinos da Candelária”. A montagem aborda uma das questões mais agudas da exclusão social no Brasil – o menor abandonado, e através de cenas do cotidiano retrata os meninos e meninos de rua nos dias que antecedem a chacina. 

A apresentação será dia 23 de julho, às 20h30 na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186). Entrada Franca!

O aniversário do crime é motivo para reflexão sobre a persistência da violência policial no Brasil. No caso do Rio de Janeiro, passadas mais de duas décadas, ocorreu uma sucessão de execuções extrajudiciais do mesmo tipo. Desde a Candelária, houve chacinas em Vigário Geral (1993), com 21 mortos; no morro do Borel (2003), com quatro mortos; na Via Show (2003), com 4 mortos; e na Baixada Fluminense (2005), com 29 mortos. Todas foram cometidas por policiais e as vítimas foram majoritariamente adolescentes negros e pobres

“Os Sinos da Candelária”

Os Sinos da Candelária é um exercício cênico da Oficina Popular de Teatro, que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz ministra na cidade de Canoas. Esta oficina faz parte do projeto “Teatro com Instrumento de Discussão Social”.

O projeto “Teatro com Instrumento de Discussão Social” é desenvolvido através de oficinas de teatro realizadas pelos atuadores da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em diversos bairros da cidade de Porto Alegre e no centro de Canoas. As oficinas pretendem abrir espaço para sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como veículo de formação, informação e transformação social. Entendendo a cultura como agente formador de mentalidades com conseqüente influência direta na condução dos rumos da sociedade, e a atividade teatral como a mais objetiva das manifestações artísticas na reflexão do homem sobre si e sua realidade social.

Foto: Eugenio Barboza
Sobre a peça:
Em 1993 o Rio de Janeiro foi sacudido por um crime covarde, onde crianças foram assassinadas enquanto dormiam em frente à Igreja da Candelária. Este fato originou a peça “Os Sinos da Candelária” da escritora e compositora Aurea Charpinel. E é sobre este texto teatral que a Oficina Popular de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na cidade de Canoas vem desenvolvendo o seu trabalho no ano de 2013/2014, abordando uma das questões mais agudas da exclusão social no Brasil – o menor abandonado. 
Adaptação livre do texto de Aurea Charpinel a peça traz para cena esses meninos e meninas de rua no seu cotidiano, personagens reais trazendo no corpo e na alma a marca da violência. Através de cenas do cotidiano – nas ruas e nas instituições do governo - a peça conta a história de um grupo de crianças e adolescentes nos dias que antecederam o Massacre da Candelária, culminando na cena de violência extrema que consternou o mundo “civilizado” e encheu de vergonha e tristeza os muitos brasileiros que não compactuam com este tipo de bestialidade.

Este trabalho é orientado pela atuadora Paula Carvalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A Oficina tem parceria com o grupo “Pode ter Inço no Jardim” da cidade de Canoas.

Sonoplastia: Pascal Berten

Com:
Eduarda Gheller, Lucas Gheller, Sirlandia Gheller, Thaynan Kraetzig, Janete Costa, Raquel Amsberg, Giovane Nunes, Cláudia Cezar, Júlio César Santos, Maitê Masiero, Débora Duarte Campos, Fabiane Amorim, Ana Mengue, Sara Aparecida Santos, Maria Senilda, e Djean Costa . 


Foto: Eugenio Barboza

terça-feira, 8 de julho de 2014

TEATRO E MEMÓRIA – 50 ANOS DO GOLPE MILITAR em CANOAS

De 17 a 20 de julho a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará realizando uma residência artística na cidade de Canoas. Durante 4 dias o grupo compartilha com a população uma intensa programação cultural que prevê: workshop*, palestra, desmontagem, performance, filme e apresentação de teatro de rua.

 As atividades marcam a abertura do projeto “Teatro e Memória – 50 anos do Golpe Militar”, contemplado pelo edital “Desenvolvimento da Economia da Cultura Pró-cultura RS - FAC" da Secretaria de Estado da Cultura, que até o final do ano irá percorrer 8 cidades de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. 

Toda a programação tem entrada franca. A residência artística do grupo na cidade conta com o apoio da Secretaria da Cultura - Canoas/RS.

*Os interessados em realizar o workshop (17 e 18/07, das 14 às 17h) poderão fazer sua inscrição através do fone: 8596 11 40. O workshop é aberto e gratuito a qualquer interessado a partir dos 15 anos. Vagas limitadas.

Confira abaixo a programação:

Dia 17/07 – quinta feira:
14h: Workshop – VIVÊNCIA COM O ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ na Casa das Artes Villa Mimosa (Av. Guilherme Schell, 6270 - centro Canoas).

20h: Palestra – A CENSURA NO TEATRO BRASILEIRO DURANTE A DITADURA MILITAR na Casa das Artes Villa Mimosa.

Dia 18/07 – sexta feira:
14h: Workshop – VIVÊNCIA COM O ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ na Casa das Artes Villa Mimosa.

20h: Desmontagem – EVOCANDO OS MORTOS – POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA por Tânia Farias, na Casa das Artes Villa Mimosa.

Dia 19/07 - sábado:
12h: Performance ONDE? AÇÃO Nº. 2 (no Calçadão/centro de Canoas).

20h: Exibição do filme VIÚVAS PERFORMANCE SOBRE A AUSÊNCIA na Casa das Artes Villa Mimosa.

Dia 20/07 domingo:
15h: Espetáculo de Teatro de Rua O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO no bairro Guajuviras (Rua 3 - ao lado do posto da brigada).


Teatro e Memória – 50 anos do Golpe Militar

O Golpe civil militar de 1964 que massacrou o povo brasileiro está completando 50 anos. Foram 21 anos de ditadura e terrorismo de Estado com cassações, prisões, banimentos, torturas, assassinatos e “desaparecimentos”. O regime ditatorial ampliou a concentração da terra, incentivou a monopolização da economia, concentrou a renda, atrelou o país ao grande capital internacional e produziu uma forte estrutura jurídico-autoritária que está aí até hoje. A ditadura foi fruto de um sistema de exploração e de opressão que, enquanto não for definitivamente superado, causará a infelicidade da nação. A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz traz através do Teatro a reflexão sobre o que foram aqueles anos de ditadura no Brasil. Por meio da realização de apresentações de teatro de rua, performances, palestras, oficinas e demonstrações técnicas, o Ói Nóis Aqui Traveiz promove o debate político e estético, visando à formação de uma consciência crítica e sócio-política, uma exigência para a ideia de “exercício da cidadania”.

WORKSHOP – VIVÊNCIA COM A TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ
O workshop Vivência com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz consiste em um encontro coordenado pelos atuadores do grupo, que investiga o movimento e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço teatral. A ênfase é colocada na corporalidade do ator (como forma de perceber o próprio corpo) e na contracenação ( para perceber o outro). A vivência vai intensificar a dinâmica teatral do corpo, através de exercícios de desinibição, sensibilização, musicalidade, expressividade e coordenação rítmica, aliados a jogos de inter-relacionamento dramático.

PALESTRA – A CENSURA NO TEATRO BRASILEIRO DURANTE A DITADURA MILITAR
A palestra aborda um dos piores momentos da história do teatro brasileiro, devido à repressão e à censura exercidas pelo regime autoritário. No período da ditadura, a partir de 1964, o teatro sofreu grandes perseguições. Em especial dois grupos, o Oficina, em torno de seu diretor José Celso Martinez Corrêa, e o Arena, em torno de Augusto Boal, que se dedicaram a criar uma dramaturgia brasileira e uma nova formação do ator. Extremamente engajados, e invocando o teórico e dramaturgo alemão Bertolt Brecht como nome tutelar, marcariam a história do teatro no país. Essa situação só piorou após a promulgação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5) em 1968, que deflagrou o terror de Estado e exterminou aquilo que fora o mais importante ensaio de socialização da cultura jamais havido no país.

DESMONTAGEM – EVOCANDO OS MORTOS – POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA
A desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atuadora Tânia Farias deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje. 

PERFORMANCE – ONDE? AÇÃO Nº 2
Foto: Pedro Isaias Lucas
A performance Onde? Ação nº2 de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis. A proposta deste trabalho é trazer a reflexão sobre o que foram aqueles anos da Ditadura Militar no Brasil, a partir do teatro como um ato de resistência. A performance visa atualizar o debate sobre as implicações e consequências deste episódio para a história nacional. 

FILME – VIÚVAS PERFORMANCE SOBRE A AUSÊNCIA 
O filme “Viúvas Performance Sobre a Ausência” mostra a encenação homônima realizada na Ilha do Presídio - situada entre as cidades de Porto Alegre e Guaíba - nas ruínas do presídio onde foram encarcerados presos políticos no período da ditadura civil militar no Brasil. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da
cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. Viúvas mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer.

TEATRO DE RUA – O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO
Foto: Pedro Isaias Lucas
O Amargo Santo da Purificação é uma visão alegórica e barroca da vida, paixão e morte do revolucionário Carlos Marighella. Marighella viveu e morreu durante períodos críticos da história contemporânea do Brasil, sendo protagonista na luta contra as ditaduras do Estado Novo e do Regime Militar. A dramaturgia elaborada pelo Ói Nóis Aqui Traveiz parte dos poemas escritos por Carlos Marighella que transformados em canções são o fio condutor da narrativa. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do ritual com o teatro dança. Através de uma estética ‘glauberiana’, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.


Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Um caminho de Ousadia e Ruptura         
       
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em Porto Alegre, em 1978, com uma proposta centrada no contato direto entre atores e espectadores, transcendendo a clássica divisão palco-plateia. Desde então, o grupo desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa em relação à linguagem cênica e ao processo criativo do ator. A história da Tribo sempre se pautou pela afirmação da diferença, da independência em relação ao mercado e às estruturas de poder, com encenações caracterizadas pela ousadia e liberdade criativa. As suas três principais vertentes são: o Teatro de Rua, nascido das manifestações políticas, com uma linguagem popular e de intervenção direta no cotidiano da cidade; o Teatro de Vivência no sentido de experiência partilhada, em que o espectador torna-se participante da cena; e o trabalho Artístico-Pedagógico, desenvolvido na sua sede, a Terreira da Tribo, e em outros bairros populares junto à comunidade local. O grupo foi o primeiro em Porto Alegre a conjugar em sua prática arte e vida, estética e política, a radicalidade de comportamento e linguagem transbordando do espaço cênico para o cotidiano da cidade. Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, o Teatro é um lugar de invenção e experimentação, um meio de transformação, de mudança de mentalidades, a nível social e, também, individual. Seu trabalho de investigação sobre a linguagem procura uma lógica diversa da cultura dominante, que provoque um estranhamento em relação à percepção usual de mundo e que seja expressão das contradições da sociedade na qual está inserido.





quarta-feira, 2 de julho de 2014

OFICINA POPULAR DE TEATRO NO BAIRRO HUMAITÁ COM PAULO FLORES

Começa neste sábado, dia 5 de julho, a Oficina Popular de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz no bairro Humaitá. A Oficina faz parte do Projeto “Teatro Como Instrumento de Discussão Social” que a Tribo desenvolve desde 1988 nos bairros populares da região metropolitana de Porto Alegre. A Oficina será ministrada por Paulo Flores e acontecerá todos os sábados, das 14 às 17 horas, no Centro Cultural Esportivo Ferroviário (Grêmio Esportivo Ferrinho), na Av. Dona Teodora, 1250, na Vila dos Ferroviários, no bairro Humaitá. A Oficina Popular de Teatro é gratuita e aberta a todos interessados a partir dos 15 anos. Informações e inscrições pelos telefones 3286 5720 e 3028 1358.

Foto: Pedro Isaias Lucas*

As Oficinas Populares de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz têm como objetivo fomentar a organização de grupos culturais nos bairros. A proposta de trabalho teatral do Projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social segue os fundamentos principais da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, que visa à formação de atores-cidadãos com a necessária qualificação para estar a serviço da construção de uma sociedade justa e solidária. Ao longo da oficina, o oficinando/aluno estará passando por um processo programado de desenvolvimento, cuja primeira etapa encontra-se organizada em torno do autoconhecimento (conhecimento do ator), passando, em seguida, para a etapa de reconhecimento (ênfase colocada no trabalho de construção de personagem), para o jogo teatral (ênfase na situação dramática) e, por fim, chegando à elaboração do produto estético: a encenação.


*foto do exercício cênico "O Mercado do Gozo" realizado nesta oficina em 2011, com orientação de Paulo Flores.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Após uma semana de atividades, acabou ontem o intercâmbio entre a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (POA) e o grupo Contadores de Mentira (SP).

Com grande alegria, compartilhamos algumas fotos deste encontro tão vibrante.

A Tribo deseja vida longa aos Contadores de Mentira!
Até a próxima!!!

Espetáculo Curra - Temperos sobre Medeia

Foto: Eugênio Barboza

Foto: Eugênio Barboza
Foto: Eugenio Barboza

Desmontagem - Evocando o Mortos Poéticas da Experiência
por Tânia Farias


Foto: Paula Carvalho

Foto: Paula Carvalho
Foto: Paula Carvalho
































Espetáculo "O  Incrível Homem pelo Avesso"

Foto: Paula Carvalho

Foto: Paula Carvalho

Foto: Paula Carvalho

Exercício Cênico "Os Sinos da Candelária"

Foto: Eugenio Barboza

Foto: Eugenio Barboza

Foto: Eugenio Barboza


Almoço e bate papo na Terreira da Tribo!


Foto: Eugenio Barboza

Foto: Eugenio Barboza

Foto: Eugenio Barboza

Foto: Eugenio Barboza



domingo, 22 de junho de 2014

Ói Nóis Aqui Traveiz (POA) e Contadores de Mentira (SP) realizam intercâmbio esta semana!

De 24 a 28 de junho a “Tribo de Atudores Ói Nóis Aqui Traveiz” e o grupo “Contadores de Mentira” de Suzano/São Paulo, estarão realizando uma série de atividades que visam um intercâmbio entre os grupos. Haverá atividades internas, abertas a convidados, e atividades abertas ao público em geral. 

Confira a programação:

Dia 24 de Junho (terça-feira), às 20h, na Terreira da Tribo: “Desmontagem Evocando os Mortos - Poéticas da Experiência” por Tânia Farias/Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

Dia 25 de junho (quarta-feira), às 19h30, na Terreira da Tribo: Espetáculo “Medeia Vozes” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Para convidados.

Dia 26 de junho (quinta-feira), às 19h30, na AMVEP Sarandi: Exercício Cênico “Os Sinos da Candelária” da Oficina Popular de Teatro de Canoas. Projeto Teatro Como Instrumento de discussão Social da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

Dia 27 de junho (sexta-feira), às 20h, na Terreira da Tribo: Espetáculo “O homem pelo Avesso”, do grupo Contadores de Mentira (SP).

Dia 28 de junho (sábado), às 20h na Terreira da Tribo: Espetáculo “Curra – Temperos sobre Medeia”, do grupo Contadores de Mentira (SP).

Mais informações pelo fone: 3028 13 58.
*Terreira da Tribo: Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo
*AMVEP Sarandi: Avenida Vinte e Um de Abril, 792

ENTRADA FRANCA!

Abaixo um material complementar das atividades.

Sobre os Grupos:

Contadores de Mentira

Nosso sentimento de trabalho é o de “Recusa”. Recusamos o automatismo, a pressão do tempo, os atiradores de facas, o caminho fácil. Recusamos...
O Grupo Teatral Contadores de Mentira, hoje também instituição com o mesmo nome, nasceu em 1995 na cidade de Suzano, região do Alto Tietê. Desde então produziu projetos, espetáculos, festivais, encontros, feiras, e sobretudo, um diálogo de sobrevivência, crescimento, articulação e atitude entre cidadão e cultura. Nesses anos todos, um sentimento de recusa, de fluxo contrário ao pensamento de que apenas os grandes centros são produtores de cultura, de que é possível dialogar com a identidade de nossa região e para ela transformar nossas tradições tem nos motivado a ser residentes e resistentes em nossa região.
Chamamos este trabalho de celebração porque acreditamos naquele ambiente onde, para além do ato teatral, existe o festejo, a comida, a comunhão, o artesanato do corpo. Há anos nos perguntamos quais os caminhos para agregar outros fazedores, outros criadores, ou mesmo abrir a relação com as comunidades que nos doam seu tempo para o instante cultural. Assim, optamos pela festa, onde podemos cozinhar para o público, onde dançamos juntos para contar uma história da própria comunidade. Costumamos dizer que nossos projetos são construções de relação e de fortalecimento de potências. Entendemos que a sociedade organizada e o cidadão comum tem potência cultural inerente. Uma cozinheira, um artesão, um mecânico, um poeta, um artista, um serralheiro, entre tantos outros, podem ser potencializados em seus saberes através das ferramentas da Cultura. Optamos em realizar nossas projetos pensando no entorno onde produzimos ou apresentamos. Tentando entender aquele terreno, donde circulam outras histórias que podemos compartilhar. Sempre atuamos na idéia de “assentamentos” ao menos para o momento da celebração. Uma imagem que define aquilo que fazemos é a de uma "cozinha" onde convidamos amigos e comunidade para trocar ideias e potências e multiplicar atitude, formação e os chamados "assentamentos" Culturais.

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978, durante mais de três décadas construiu uma trajetória que marcou definitivamente a paisagem cultural do Brasil. Com a iniciativa de subverter a estrutura das salas de espetáculos e o ímpeto de levar o teatro para a rua, abriu novas perspectivas na tradicional performance cênica do sul do país. A determinação em experimentar novas linguagens a fez seguir caminhos nunca trilhados por aqui. Com base nos preceitos de Antonin Artaud e do teatro revolucionário, investiga com rigor todas as possibilidades da encenação. Na busca de uma identidade, desenvolveu uma estética própria, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator, estabelecendo um novo modo de atuação. 
Seu centro de produção, a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, ocupa lugar de destaque entre os espaços culturais do Estado, sendo igualmente apontada como uma referência de âmbito nacional. Funciona como escola de formação de atores e, principalmente, como ponto de aglutinação de pessoas e profissionais dos mais diversos segmentos, fomentando a criação artística em diferentes áreas. A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. Para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o teatro é instrumento de desvelamento e análise da realidade; a sua função é 
social: contribuir para o conhecimento dos homens e o aprimoramento da sua condição. Num mundo marcado pela exclusão, marginalização, pela homogeneização, pelo pensamento único, enfim, pela desumanização e pela barbárie, cada vez mais é vital e necessário denunciar a injustiça, as vendas de opinião, o autoritarismo, a mediocridade e a falta de memória.
Esta é a defesa que o Ói Nóis faz: o teatro como resistência e manutenção de valores fundamentais que diferenciam uns de outros: a solidariedade, a honestidade pessoal e a liberdade. Fazendo um teatro a serviço da arte e da política, que não se enquadra nos padrões da ética e da estética de mercado. O teatro como um modo de vida e veículo de idéias: um teatro que não comenta a vida, mas participa dela!



Desmontagem:
“Evocando os mortos – Poéticas da experiência”
Por Tânia Farias

Acervo da Tribo
Sobre a Desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência”

A desmontagem “Evocando os mortos – Poéticas da experiência” refaz o caminho do ator na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de Gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz.
Seguindo a linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea a desmontagem de Tânia Farias propõe um mergulho num fazer teatral onde o trabalho autoral do ator condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e ao mesmo tempo potencializem a reflexão e o autoconhecimento.
Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011 a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. A ativação da memória corporal, fazendo surgir e desaparecer as personagens.
Realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje.

Medeia Vozes

Foto: Pedro Isaias Lucas
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. 

Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Sandra Steil, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Jorge Gil Nazário, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Geison Burgedurf, Mayura Matos, Keter Atácia, Pedro Rosauro, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Thales Rangel, Alex dos Santos e Pascal Berten.

“Os Sinos da Candelária”

Os Sinos da Candelária é um exercício cênico da Oficina Popular de Teatro, que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz ministra na cidade de Canoas. Esta oficina faz parte do projeto “Teatro com Instrumento de Discussão Social”.

O projeto “Teatro com Instrumento de Discussão Social” é desenvolvido através de oficinas de teatro realizadas pelos atuadores da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz em diversos bairros da cidade de Porto Alegre e no centro de Canoas. As oficinas pretendem abrir espaço para sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como veículo de formação, informação e transformação social. Entendendo a cultura como agente formador de mentalidades com conseqüente influência direta na condução dos rumos da sociedade, e a atividade teatral como a mais objetiva das manifestações artísticas na reflexão do homem sobre si e sua realidade social.

Sobre a peça:

Em 1993 o Rio de Janeiro foi sacudido por um crime covarde, onde crianças foram assassinadas enquanto dormiam em frente à Igreja da Candelária. Este fato originou a peça “Os Sinos da Candelária” da escritora e compositora Aurea Charpinel. E é sobre este texto teatral que a Oficina Popular de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na cidade de Canoas vem desenvolvendo o seu trabalho no ano de 2013/2014, abordando uma das questões mais agudas da exclusão social no Brasil – o menor abandonado. 
Adaptação livre do texto de Aurea Charpinel a peça traz para cena esses meninos e meninas de rua no seu cotidiano, personagens reais trazendo no corpo e na alma a marca da violência. Através de cenas do cotidiano – nas ruas e nas instituições do governo - a peça conta a história de um grupo de crianças e adolescentes nos dias que antecederam o Massacre da Candelária, culminando na cena de violência extrema que consternou o mundo “civilizado” e encheu de vergonha e tristeza os muitos brasileiros que não compactuam com este tipo de bestialidade.

Este trabalho é orientado pela atuadora Paula Carvalho da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A Oficina tem parceria com o grupo “Pode ter Inço no Jardim” da cidade de Canoas.

Com:
Eduarda Gheller, Lucas Gheller, Sirlandia Gheller, Thaynan Kraetzig, Janete Costa, Raquel Amsberg, Giovane Nunes, Cláudia Cezar, Júlio César Santos, Maitê Masiero, Débora Duarte Campos, Fabiane Amorim, Kevin Martins, Ana Mengue, Sara Aparecida Santos, Maria Senilda, e Dijean Costa .

Sonoplastia: Pascal Berten.


O Incrível Homem Pelo Avesso


Uma epopeia, uma festa, uma celebração, uma Procissão, uma feira, um banquete, um outro lugar...
A proposta deste projeto é profana e também religiosa. Profana no sentido de trabalhar o mito e torná-lo festivo e grotesco. Religiosa no sentido de agregar os valores que uniram aquele povo para uma crença cega para uma luta que culminou no massacre.  Assumimos nossos"brincantes" e percorremos partes deste espetáculo como um circo rural, e, antes disso, recebemos as pessoas através de uma feira. Oferecemos cachaça, comida, pipoca, doces e mostramos nossos relicários.  Uma “procissão” revela os apóstolos de Conselheiro. A "Guerra" é um banquete oferecido ao público com comida preparada durante a encenação onde são narradas as expedições contra Canudos através da comida. Mais de 25.000 pessoas foram dizimadas em Canudos pela República do Brasil e a celebração aqui é também dolorosa. Por fim o festejo de maracatu traz o alagamento que escondeu a história do Brasil sob rio Vaza Barris.

Ficha técnica
Dramaturgia e Direção: Cleiton Pereira
Direção e Composição Musical: Michael Meyson
Elenco: Ailton Barros, Ailton Ferreira, Arnaldo dos Anjos, Camila Rafael, Cleiton Pereira, Daniele Santana, Danilo Souza, Drico de Oliveira, Marco Senna, Michael Meyson, Nilceu dos Santos, Priscila Klesse, Samuel Vital, Soraia Amorim, Narany Mireya, Matheus Borges, 
Músicos ao Vivo: Dani Anjos, Juá de Casa Forte, Memeu Cabral, Michael Meyson, Sarah Key
Atriz Mirim: Gabi Oliveira
Iluminação: Taciano L. Holanda
Cenografia: Cleiton Pereira
Produção Executiva: Cleiton Pereira, Daniele Santana, Drico de Oliveira, Narany Mireia

Sobre
O INCRÍVEL HOMEM PELO AVESSO é uma obra extensa de detalhamento e configuração para qual o tratamento neste projeto é o da festa popular. Optamos em multiplicar a obra numa epopéia, porque acreditamos que não é possível condensar a sua magnitude. A opção estética do projeto é o elemento profano, religioso e sertanejo da obra. Tratamos este espetáculo como um figural, um festejo, uma tradição. Celebramos Canudos e Antônio Conselheiro e optamos em narrar os vários Canudenses presentes na guerra. Adentramos na história do Brasil por um caminho contrário à ótica militar de "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Fomos contaminamos por figuras como Pajeú (criador da escola do ódio, Jardelina que cuidava das mulheres), Ana do Bom Jesus (Que sentia o "gozo" da fé), Beatinho (Que organiza os fiéis),  (João Abade, o prefeito de Canudos), Vila Nova (O mascate), Macambira ( O estrategista), entre tantos outros sertanejos históricos que serviram de base para construção dramatúrgica deste projeto.


"Curra-Temperos Sobre Medéia" 

Curra – Temperos Sobre Medéia é um uma celebração  Orixá sobre o mito  clássico estreado em 2008. Um terreiro, uma arena, um banquete , bebida, comida, pés descalços para celebrar o efêmero. 
Em Curra – Temperos Sobre Medéia, o público  não é apenas expectador e é convidado para um  “outro lugar”. Uma cozinha funciona durante todo o tempo provocando relações sensoriais onde a dança, a comida, a música celebram o mito da Medéia. Jasão é um orixá recebido pelo corpo de um cozinheiro. Medeia tem a força de Iansã e sua inimiga, a beleza de Oxum. Creonte , senhor daquele terreiro  exige o seu direito à propriedade  enquanto crianças “Erês” cegas decidem o futuro da mãe. 

Foto: Sheila Signário
Ficha técnica
Dramaturgia e direção: Cleiton Pereira
Composição e Direção Musical: Michael Meyson
Elenco: Ailton Barros, Daniele Santana, Drico de Oliveira, Cleiton Pereira, Camila Rafael, Soraia Amorim, Ailton Ferreira
Músicos ao Vivo: Michael Meyson, Danilo Souza, Juá de Casa Forte

 Sobre
Eis o nosso terreiro... A Encenação deste espetáculo bebe nas fontes do Teatro Oriental, dos Festejos populares, das danças rituais e, nos rituais Orixás do Candomblé. 
O espetáculo é tratado como um terreiro, uma celebração que convida o público para experimentações sensoriais e gustativas. Os cheiros, o batuque alucinógeno, a comida servida criam um ambiente festivo para celebração do mito de Medéia. Assim como no candomblé, os atores estão à serviço de um Orixá e de um teatro de celebração. Estão lá como ofício da fé e da representação. O ponto de ligação entre a cultura grega e seus rituais e o aspecto tratado no espetáculo está justamente na celebração ritual. Um banquete é preparado durante toda a encenação e servido para à platéia regado a vinho e cachaça. Este embebedar e a gula antropofágica ritualizam a encenação. 
Convidados da Cultura Afro Brasileira realizam demonstrações (dança, música, Interpretação, etc.)
O espetáculo conta também com uma “Equede”, que no Candomblé exerce funções de hierarquia. Dentro do ritual ela ocupa Função feminina. Ela é escolhida pelo orixá para representá-lo. Sendo sua segunda pessoa, está envolvida em todas as liturgias fundamentais na comunidade, exercendo uma inquestionável autoridade.