sábado, 22 de abril de 2017

Seminário: Caliban – Apontamentos sobre o teatro de Nuestra América

Nos dias 23, 24, 25 e 26 de abril a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará realizando o seminário “Caliban – Apontamentos sobre o teatro de Nuestra América”. Além de apresentações do mais novo espetáculo de teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz, estaremos recebendo em Porto Alegre para o seminário, a companheira de vida e luta de Augusto Boal (também Diretora do Instituto Augusto Boal) Cecília Thumim Boal, e a pesquisadora e crítica teatral de Cuba, Vivian Tabares. ENTRADA FRANCA!




Este seminário faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura do país.

Programação:

23/04, 15h: Apresentação do espetáculo de teatro de rua Caliban – A Tempestade de Augusto Boal no Parque da Redenção

24/04, 20h: Palestra Apontamentos sobre o teatro de Augusto Boal com Cecília Thumim Boal (Rio de Janeiro)

25/04, 20h: Palestra Apontamentos sobre o teatro de Nuestra América com Vivian Martínez Tabares (Cuba)

26/04, 15h: Apresentação do espetáculo de teatro de rua Caliban – A Tempestade de Augusto Boal na Praça da Alfândega


Sobre o seminário

Foi um cubano, Roberto Fernández Retamar, o primeiro a falar em Caliban como símbolo dos povos marginalizados. E foi outro cubano, José Martí, que cunhou o termo Nuestra América, fundando uma concepção de identidade cultural do continente, com liberdade e determinação própria. 
A figura de Caliban em A Tempestade, de Boal, ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano, nos leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visível as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial. 
Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, levar para a rua a encenação Caliban - A Tempestade de Augusto Boal é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do “diferente”. Poder compartilhar e refletir com outras pessoas a pesquisa sobre a figura de Caliban, para o Ói Nóis, é investir na aspiração de falar e conhecer Nuestra América, seu teatro e seus cidadãos, que não desistem. E resistem. 

Palestrantes

Cecilia Thumim Boal (Rio de Janeiro)
Nascida em Buenos Aires, trabalhou na década de 1960 como atriz, diretora e roteirista de tv. Em 1966 incorpora o elenco do Teatro de Arena de São Paulo, participando de vários espetáculos no Brasil e em outros países. Em 1982 finaliza estudos de Psicologia na Sorbonne (Paris VII). É psicanalista e atriz. Preside o Instituto Augusto Boal, criado em 2010. Desde então tem-se dedicado a preservar e divulgar a obra de Boal, desde as novas publicações dos seus livros na editora Cosac Naify, à montagem de peças, realização de seminários e encontros sobre teatro e dramaturgia.











Vivian Martínez Tabares (Cuba)


Crítica e pesquisadora teatral, editora e professora. Membro da comissão de especialistas da Faculdade de Artes Cênicas do Instituto Superior de Artes (ISA) desde 1998, do Conselho de Direção da Escola Internacional de Teatro da América Latina e Caribe (EITALC), do Conselho Assessor do Editorial Letras Cubanas, do Festival Internacional de Teatro Latino de Los Angeles (FITLA) e da revista emisférica, do Instituto Hemisférico de Performance e Política. Entre 1987 e 1990 dirigiu a revista Tablas. Desde 2000 dirige a revista Conjunto e o Departamento de Teatro da Casa de las Américas, onde organiza a Temporada Mayo Teatral. Entre maio de 2007 e maio de 2010 foi conselheira cultural na Embaixada de Cuba no México.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” desembarca na Restinga!


A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz que desde o início da sua trajetória tem uma ligação bem significativa com o bairro Restinga, através de espetáculos e oficinas populares, no dia 22 de abril, às 15h na Av. Macedônia (ao lado do Ginásio do Cecores) estará apresentando o seu mais novo espetáculo de teatro de rua “Caliban - A Tempestade de Augusto Boal”.

Foto: Pedro Isaias Lucas

Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. 

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, tem música de Johann Alex de Souza e traz no elenco os atuadores Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Keter Atácia, Pascal Berten, Marta Haas, Eugênio Barboza, Tânia Farias, Paulo Flores, Eduardo Arruda, Júlio Kaczam, André de Jesus, Márcio Leandro, Leticia Virtuoso, Mayura Matos, Luana Rocha, Lucas Gheller, Thales Rangel, Dal Vanso, Daniel Steil, Alex Pantera e Jana Farias.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” em Porto Alegre!!!


No dia 18 (terça) feira às 15h na Praça da Alfândega, e no dia 20 (quinta), às 15h30 no Cristal (dentro da 9º semana do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo) a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará apresentando a sua mais nova criação coletiva para teatro de rua “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”. 

«(...) Para mim, o importante é que [o espetáculo]
seja feito com muita verdade, muita
sinceridade, muita cor, que pode até exagerar
um pouco, mas que fique claro, bem claro,
que somos belos porque somos nós, e nenhuma
cultura imposta é mais bela do que a
nossa. É preciso que fique claro que nós somos
Caliban" (BOAL, 1979).

Foto: Pedro Isaias Lucas

Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. 
A peça de Boal é uma resposta ao clássico “A Tempestade” de William Shakespeare. A história é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos seres humanos originários da América que foram dizimados e escravizados pelos invasores colonizadores representados pelo personagem Próspero. Na versão de Boal, Próspero é tão perverso quanto os nobres europeus que usurparam o seu poder. Todos representam a violenta dominação colonial e cultural. A filha de Próspero, Miranda, e o príncipe de Nápoles, Fernando, fazem uma aliança não por amor como na peça de Shakespeare, mas sim por interesses capitalistas. Ariel, o “espírito do ar”, representa o artista alienado, mescla de escravo e mercenário a serviço da ordem constituída. Somente Caliban se revolta até ser, finalmente, derrotado. Os vilões permanecem na “ilha tropical” para escravizá-lo. Mesmo escravo, Caliban resiste. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Caliban simboliza hoje a resistência ao neo-colonialismo.  

Para seduzir o púbico anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração da fábula é toda influenciada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade. Resultado de uma pesquisa que procurou a criação de uma linguagem de signos capazes de transmitir uma emoção poética. O teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz pretende surpreender, sensibilizar e conquistar a empatia dos mais diversos públicos trazendo para cena uma estética e uma ética libertária. 

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, tem música de Johann Alex de Souza e traz no elenco os atuadores Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Keter Atácia, Pascal Berten, Marta Haas, Eugênio Barboza, Tânia Farias, Paulo Flores, Eduardo Arruda, Júlio Kaczam, André de Jesus, Márcio Leandro, Leticia Virtuoso, Mayura Matos, Luana Rocha, Lucas Gheller, Thales Rangel, Dal Vanso, Daniel Steil, Alex Pantera e Jana Farias.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Seminário: Caliban – Apontamentos sobre o teatro de Nuestra América

Nos dias 23, 24, 25 e 26 de abril a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará realizando o seminário “Caliban – Apontamentos sobre o teatro de Nuestra América”. Além de apresentações do mais novo espetáculo de teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz, estaremos recebendo em Porto Alegre para o seminário, a companheira de vida e luta de Augusto Boal (também Diretora do Instituto Augusto Boal) Cecília Thumim Boal, e a pesquisadora e crítica teatral de Cuba, Vivian Tabares. ENTRADA FRANCA!



Este seminário faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura do país.

Programação:

23/04, 15h: Apresentação do espetáculo de teatro de rua Caliban – A Tempestade de Augusto Boal no Parque da Redenção

24/04, 20h: Palestra Apontamentos sobre o teatro de Augusto Boal com Cecília Thumim Boal (Rio de Janeiro)

25/04, 20h: Palestra Apontamentos sobre o teatro de Nuestra América com Vivian Martínez Tabares (Cuba)

26/04, 15h: Apresentação do espetáculo de teatro de rua Caliban – A Tempestade de Augusto Boal na Praça da Alfândega


Sobre o seminário

Foi um cubano, Roberto Fernández Retamar, o primeiro a falar em Caliban como símbolo dos povos marginalizados. E foi outro cubano, José Martí, que cunhou o termo Nuestra América, fundando uma concepção de identidade cultural do continente, com liberdade e determinação própria. 
A figura de Caliban em A Tempestade, de Boal, ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano, nos leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visível as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial. 
Para o Ói Nóis Aqui Traveiz, levar para a rua a encenação Caliban - A Tempestade de Augusto Boal é gerar outros discursos, histórias e narrativas, produzir e reconhecer outros lugares de enunciação. Caliban é a reivindicação da legitimidade do “diferente”. Poder compartilhar e refletir com outras pessoas a pesquisa sobre a figura de Caliban, para o Ói Nóis, é investir na aspiração de falar e conhecer Nuestra América, seu teatro e seus cidadãos, que não desistem. E resistem. 

Palestrantes

Cecilia Thumim Boal (Rio de Janeiro)
Nascida em Buenos Aires, trabalhou na década de 1960 como atriz, diretora e roteirista de tv. Em 1966 incorpora o elenco do Teatro de Arena de São Paulo, participando de vários espetáculos no Brasil e em outros países. Em 1982 finaliza estudos de Psicologia na Sorbonne (Paris VII). É psicanalista e atriz. Preside o Instituto Augusto Boal, criado em 2010. Desde então tem-se dedicado a preservar e divulgar a obra de Boal, desde as novas publicações dos seus livros na editora Cosac Naify, à montagem de peças, realização de seminários e encontros sobre teatro e dramaturgia.

Vivian Martínez Tabares (Cuba)
Crítica e pesquisadora teatral, editora e professora. Membro da comissão de especialistas da Faculdade de Artes Cênicas do Instituto Superior de Artes (ISA) desde 1998, do Conselho de Direção da Escola Internacional de Teatro da América Latina e Caribe (EITALC), do Conselho Assessor do Editorial Letras Cubanas, do Festival Internacional de Teatro Latino de Los Angeles (FITLA) e da revista emisférica, do Instituto Hemisférico de Performance e Política. Entre 1987 e 1990 dirigiu a revista Tablas. Desde 2000 dirige a revista Conjunto e o Departamento de Teatro da Casa de las Américas, onde organiza a Temporada Mayo Teatral. Entre maio de 2007 e maio de 2010 foi conselheira cultural na Embaixada de Cuba no México.


sexta-feira, 31 de março de 2017

Ói Nóis Aqui Traveiz celebra 39 anos de trajetória!

Num 31 de março, um satélite artificial foi lançado para o espaço. Em um 31 de março também nasceu uma criança, morreu outra. Em um 31 de março pessoas se amaram profundamente e um terremoto assolou um país. Em um 31 de março, trinta e uma bombas foram lançadas em terras de irmãos e em um 31 de março, um presidente também foi derrubado por um golpe militar.
Em um outro 31 de março, mais precisamente no ano de 1978 surgia no sul do país um grupo de jovens inquietos que iriam através do seu teatro plantar dúvidas, sementes, desejos de transformação em corpos que por ali transitavam. Era a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e seu teatro com pedras nas veias.
Hoje, a Tribo celebra 39 anos de trajetória! Na contra mão, no contra fluxo, resistindo, (re)existindo e se reinventando!
E a luta continua!  Caliban – A Tempestade de Augusto Boal, a mais nova criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz, neste ano será a nossa voz. Estaremos nas praças, parques e ruas deste país. 
Não vamos calar! Fora Temer!
Foto Pedro Isaias Lucas
Estreia "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal em Campina Grande
Canção do não tempo de lua
Amada não me censure, se sou de pouco falar
Nem se esse pouco que falo não faz você suspirar
É tempo de vida feia, de se morrer ou matar
De sonho cortado ao meio, de voz sem poder gritar
De pão que pra nós não chega, de noite sem se acabar
Por isso não me censure, se sou de pouco falar

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada minha não chore se nunca falo de amor
Nem se meu beijo é salgado, que é beijo chorado em dor
É tempo de vida triste, de olhar o céu com pavor
De mão pro último gesto, de olhar pra última flor
De verde que era esperança trazer desgraça na cor
Por isso amada não chore se nunca falo de amor

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A Lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Mas criança chega a homem se a bomba quiser
A mulher só tem seu homem se a bomba quiser
Homem sonha e faz seu sonho se a bomba quiser
Não é tempo de ver lua nem tirar rosa do pé

Amada não vá embora se eu trouxe desilusão
Se aumento sua tristeza, tão triste a minha canção
É tempo de fazer tempo, de pegar tempo na mão
De gente vindo no tempo em passeata ou procissão
No mesmo passo de sonho pra bomba dizendo não!

Amada não vá embora, mudou a minha canção!

Criança é bonito? É
Mulher é bonito? É
A lua é bonito? É
A rosa é bonito? É
Pois criança vai ser homem porque a gente quer
A mulher vai ter seu homem porque a gente quer
Homem vai fazer seu sonho porque a gente quer
Vai ser tempo de ver lua e tirar rosa do pé.
Mário Lago

segunda-feira, 27 de março de 2017

Estreia nacional de “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”!

Em vésperas de completar 39 anos de trajetória, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estreia nesta terça feira (29 de março) a sua mais nova criação coletiva para teatro de rua, "Caliban - A Tempestade de Augusto Boal".
A peça terá sua estreia nacional dia 29 de março, às 16h na Praça da Bandeira, na cidade Campina Grande, na Paraíba durante o lançamento do 20º Palco Giratório Sesc, que nesta edição comemorativa tem a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz como grupo homenageado.
No Rio de janeiro, o espetáculo chega em maio, com sessões entre os dias 8 e 14, na capital e em Paraty. Já São Paulo recebe o grupo nos dias 02, 03 e 04 de agosto.


Impulsionada pela ideia de que “somos todos Caliban”, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe nesta encenação analisar criticamente a “tempestade” conservadora que sofre atualmente a América Latina, e, especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio em 1974, período em que os movimentos sociais latino-americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo estadunidense e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus milhares de espectadores. 

A peça de Boal é uma resposta ao clássico “A Tempestade” de William Shakespeare. A história é vista pela perspectiva de Caliban, metáfora dos seres humanos originários da América que foram dizimados e escravizados pelos invasores colonizadores representados pelo personagem Próspero. Na versão de Boal, Próspero é tão perverso quanto os nobres europeus que usurparam o seu poder. Todos representam a violenta dominação colonial e cultural. A filha de Próspero, Miranda, e o príncipe de Nápoles, Fernando, fazem uma aliança não por amor como na peça de Shakespeare, mas sim por interesses capitalistas. Ariel, o “espírito do ar”, representa o artista alienado, mescla de escravo e mercenário a serviço da ordem constituída. Somente Caliban se revolta até ser, finalmente, derrotado. Os vilões permanecem na “ilha tropical” para escravizá-lo. Mesmo escravo, Caliban resiste. Como em todo bom teatro político, o público deve perceber que os símbolos da obra remetem à realidade, para despertar neles – emotiva e racionalmente – uma resposta crítica fora da ficção. Caliban simboliza hoje a resistência ao neo-colonialismo.  

Para seduzir o púbico anônimo e passageiro das ruas das cidades, a criação coletiva do Ói Nóis Aqui Traveiz investe em um movimento de cena dinâmico com personagens excêntricos, utilizando adereços e figurinos impactantes com máscaras e bonecos. A narração da fábula é toda influenciada pela música, o canto e a dança. Mesclando os movimentos do coro com ações acrobáticas, cenas de humor irreverente e personagens clownescos com uma narrativa épica, “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” reflete alegoricamente a nossa sociedade. Resultado de uma pesquisa que procurou a criação de uma linguagem de signos capazes de transmitir uma emoção poética. O teatro de rua do Ói Nóis Aqui Traveiz pretende surpreender, sensibilizar e conquistar a empatia dos mais diversos públicos trazendo para cena uma estética e uma ética libertária. 

“Caliban – A Tempestade de Augusto Boal”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, tem música de Johann Alex de Souza e traz no elenco os atuadores Roberto Corbo, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Keter Atácia, Pascal Berten, Marta Haas, Eugênio Barboza, Tânia Farias, Paulo Flores, Eduardo Arruda, Júlio Kaczam, André de Jesus, Márcio Leandro, Leticia Virtuoso, Mayura Matos, Luana Rocha, Lucas Gheller, Thales Rangel, Dal Vanso, Daniel Steil, Alex Pantera e Jana Farias.
Fotos Pedro Isaias Lucas

Sobre o autor:
Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro em 1931 e apesar da formação em Engenharia, sempre se interessou pelo teatro. No início dos anos 50 esteve nos EUA onde estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de Columbia e frequentou os cursos de John Gassner - professor de alunos como Tennessee Williams e Arthur Miller. De volta ao Brasil, passou a integrar o Teatro de Arena, onde aos poucos adaptou o que aprendera nos Estados Unidos em espetáculos que buscavam encenar e discutir a realidade brasileira, transformando o espectador em cidadão ativo. Formado por Boal, José Renato, Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho e outros, o grupo de dramaturgos do Arena promoveu uma verdadeira revolução estética nos palcos brasileiros. 

O golpe de 1964 tornou cada vez mais difícil a situação dos artistas que haviam se engajado na transformação social do período precedente. Em 1971, Boal é então preso e torturado. Exila-se na Argentina com Cecília Thumin, onde organiza Teatro do Oprimido, seu livro mais conhecido. A partir de então, os princípios e as técnicas desenvolvidas por Boal alcançam um público cada vez maior, difundindo-se inicialmente pela América Latina e, ao longo dos anos 1970, pelo mundo inteiro. Em Paris, onde passa a morar e atuar, cria vários núcleos baseados em sua obra. Com o fim da ditadura, retorna ao Brasil em 1986, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1992 é eleito vereador e desenvolve mais uma de suas técnicas, o Teatro Legislativo, que discute projetos de lei com o cidadão comum em ruas e praças da cidade. A Unesco conferiu a Boal o título de "Embaixador do Teatro Mundial" , em 2009. Nesse mesmo ano ele faleceu no Rio de Janeiro. Suas obras estão traduzidas para várias línguas, ocidentais e orientais. 


Rumos Itaú Cultural
O Itaú Cultural mantém o programa Rumos desde 1997. Este que é um dos primeiros editais públicos do Brasil para a produção e a difusão de trabalhos de artistas, produtores e pesquisadores brasileiros, já ultrapassou os 52 mil projetos inscritos vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,3 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa. Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de seis milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados. Na última edição (2015-2016), as propostas inscritas foram examinadas, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 30 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 22 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição.


Palco Giratório Sesc
Em sua 20ª edição (2017), o Circuito Palco Giratório é considerado o maior projeto de circulação nacional das artes cênicas. O Palco Giratório apresenta espetáculos simultâneos, percorrendo todos os estados brasileiros e contribuindo para uma política de descentralização e difusão das produções cênicas no país. A cada ano, novos grupos teatrais são avaliados para entrar no projeto, em um trabalho que envolve técnicos da área de cultura do Sesc em todo o país. Além das apresentações principais, o evento conta com atividades paralelas junto ao público, como o Pensamento Giratório, espaço aberto ao público para reflexão e discussão sobre o trabalho e pesquisa dos grupos itinerantes; as Aldeias, mostras locais de artes cênicas e outras manifestações culturais, além de oficinas e intercâmbios, encontros de grupos locais com os grupos integrantes do circuito para troca de ideias.

O espetáculo foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2015 e faz parte do Projeto Caliban – Apontamentos sobre O Teatro de Nuestra América, selecionado pelo programa Rumos Itaú Cultural, na edição 2015-2016

sexta-feira, 24 de março de 2017

Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz – Jogos de Aprendizagem 2017

Nos dias 5,6,12,13,17 e 19 de abril, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará realizando a primeira Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz Jogos de Aprendizagem do ano de 2017.

Desta vez os exercícios cênicos encenados serão “O Canto da Sereia” com a Oficina Popular de Teatro do bairro São Geraldo, orientado pela atuadora Marta Haas e “A Mais Valia Vai Acabar seu Edgar” com a Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política, com orientação do atuador Paulo Flores.

As apresentações serão na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), sempre às 20h. Distribuição de senhas 30 min. antes de cada apresentação.
ENTRADA FRANCA!

Programação:

Dias 05, 12 e 19/04, às 20h, na Terreira da Tribo
Exercício cênico O Canto da Sereia com a Oficina de Teatro Popular do Bairro São Geraldo

Dias 06, 13 e 17/04, às 20h, na Terreira da Tribo
Exercício Cênico A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar! com a Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política

A Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz – Jogos de Aprendizagem é um compartilhamento do processo pedagógico colocado em prática pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz através dos exercícios cênicos criados nas Oficinas Populares de Teatro dentro da ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social e da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo.

Exercício cênico “O Canto da Sereia”
Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo


O exercício cênico "O Canto da Sereia” tem a coordenação de Marta Haas, a orientação musical de Roberto Corbo e traz no elenco os oficinandos: Ademir Alves, Daniel Menezes, Diandra Tavares, Douglas Lunardi, Felipe Goldenberg, Jules Bemfica, Manoela Laitano Chaves, Márcio Leandro, Mariana Stedele, Mariliza Tavares, Miliana Sato, Natália Meneguzzi, Rafael Torres Fernandes, Savana Ferreira e Thali Bartikoskide 

 “O Canto da Sereia” é uma obra curta do dramaturgo, ator e diretor colombiano Enrique Buenaventura, fundador do Teatro Experimental de Cali. A peça se passa na época da Guerra do Vietnã e conta a história de Carlos Barbosa, um jovem sonhador que decide abandonar sua família e sua cidade, nos confins da América Latina, para ir em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.

Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo
A Oficina Popular de Teatro do Bairro São Geraldo existe desde 2009, quando a Terreira da Tribo mudou-se para a rua Santos Dumont. A partir de encontros semanais, o Ói Nóis Aqui Traveiz desenvolve no bairro um trabalho de criação de núcleo teatral. 


A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!
Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política

Fotos: Paula Carvalho

O exercício cênico "A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar!” tem a coordenação de Paulo Flores, e traz no elenco os oficinandos: Aline Ferraz, Arthur Haag, Daniel Steil, Daviana Maite Suárez, Gabriel Salcedo Botelho, Hariagi Borba Nunes, Helen Meireles Sierra, Jana Alichala Farias, Leticia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Mariana Maciel Stedele e Tiana Godinho de Azevedo.

Escrita em 1960 e apresentada no ano seguinte, a peça de Vianinha, por meio do humor, desenvolve a condição de explorador do capitalista e a situação de espoliado do operário, no âmbito material, moral, emocional, sexual, etc. No desenrolar do espetáculo, os operários passam a conhecer sua situação por meio da “teoria da mais-valia”, que possibilitará a tomada de consciência e a organização da classe, permitindo, no futuro, sua emancipação. As personagens são categorias sociais (os Desgraçados e os Capitalistas), que vivenciam, no palco, por intermédio de “esquetes”, situações nas quais a opressão se manifesta didaticamente. Vianinha, para tanto, lançou mão de vários recursos técnicos que desenvolvidos no teatro de agitação de Erwin Piscator, na Alemanha dos anos 20, e que hoje fazem parte da história da encenação ocidental. Procurou romper alguns dos limites estabelecidos entre palco e plateia, além de utilizar, na composição das personagens, “gestos” que se tornaram clássicos no que se refere ás proposições do “teatro épico”. Nas palavras do próprio autor “a mais-valia contém a divisão do trabalho manual e intelectual, a concentração demográfica, a guerra, a desnecessidade da existência dos outros. 


Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política
A Oficina de Teatro de Rua – Arte e Política faz parte da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo. Aborda os princípios básicos do teatro político e popular com a perspectiva que a rua seja palco de um teatro que se assuma como um constante repensar da sociedade, motivando uma releitura da vida cotidiana.