sexta-feira, 22 de julho de 2016

MEDEIA VOZES - O TEATRO RITUAL DA TRIBO DE ATUADORES ÓI NÓIS AQUI TRAVEIZ

A história de Medeia, filha do rei da Cólquida, faz parte da lenda dos Argonautas. Medeia, versada em feitiçaria, apaixona-se por Jasão, o líder dos Argonautas, e o ajuda a obter o velo de ouro contra a vontade do rei. Na fuga, ela mata o irmão Apsirto e joga o cadáver no mar para afastar os perseguidores. Os fugitivos ganham asilo em Corinto, onde Jasão se separa de Medeia para casar com Glauce, filha do rei de Corinto. Medeia executa sua vingança matando Glauce e seu pai, assim como seus próprios filhos. Eis a imagem que paira no imaginário ocidental, difundida especialmente pela tragédia de Eurípedes. Mas não é essa a personagem que encontramos em Medeia Vozes. Na encenação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz o mito de Medeia é reinventado. Medeia livra-se da imagem de infanticida e aparece representada em outros termos: trata-se da mulher que ousou desafiar a política estabelecida, que é punida por seu senso de independência e liberdade, banida da cidade por saber de crimes que não devem ser revelados. A base para a criação de Medeia Vozes é o romance homônimo da alemã Christa Wolf (1929-2011). A partir do próprio nome Medeia que significa “aquela que dá bons conselhos” Christa Wolf se questionou: “Eu não podia acreditar nisso. Uma curandeira – isso ela deve ter sido nos estratos mais antigos do mito, que decorrem de tempos em que as crianças eram a propriedade mais valiosa de uma tribo e quando as mães eram altamente estimadas precisamente porque garantiam a continuidade da tribo – deveria matar os próprios filhos?” Em suas investigações a escritora bebeu em outros estudiosos – da arqueologia, mitologia e sociologia. Retornou às bases do matriarcado primitivo e da fundação das sociedades. Rejeitando a efabulação de Eurípedes e a imagem de mãe infanticida, Wolf tomou uma versão antiga e desconhecida do mito para afirmar Medeia como uma mulher vítima dos valores e das necessidades do patriarcado. A autora apresenta Medeia como uma mulher que está na fronteira entre dois sistemas de valor, corporizados respectivamente pela sua terra natal, a Cólquida, e pela terra para a qual foge, Corinto. Ambas as sociedades apresentam na sua história um sacrifício humano fundamental, que serviu para a estabilização do poder patriarcal. Através das diferentes vozes, os principais personagens examinam seus motivos e suas opções no desenvolvimento do jogo de poder entre Acamante, conselheiro do Rei de Corinto, e Medeia. Através de uma emocionante e complexa trama política, Medeia Vozes mostra o amor e a determinação de uma mulher para preservar sua independência, mesmo quando seu conhecimento a coloca cada vez mais em risco. Medeia é abandonada pelo marido e as forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e ao banimento.

A encenação do Ói Nóis Aqui Traveiz mantém certa independência entre as vozes, permitindo que apareçam no processo criativo propostas estéticas distintas que colaborem com a visão, o ponto de vista de cada personagem título da voz. Medeia aparece em cada uma das vozes vista por um filtro, o que possibilita a construção de distintas concepções para a personagem aplicada a cada voz. Com isso o Ói Nóis Aqui Traveiz experimenta a identificação com vários grupos étnicos. O grupo de colcos que deixa a Cólquida com Medeia surge na obra como os expatriados, refugiados. Eles são identificados com grupos e minorias da história contemporânea que foram obrigados a deixar a sua terra/pátria como única forma de sobrevivência, dando ao espetáculo uma característica polifônica e multicultural. Isso mantém o choque cultural sempre presente em toda a obra, reforçando o discurso da alteridade e mostrando a intolerância a ele nas culturas ditas civilizadas e hegemônicas. O Ói Nóis também dá voz a “Medeias Contemporâneas”, mulheres reais de ação que deixaram relatos de violência e intolerância: como as ativistas políticas alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhoff, a líder grevista boliviana Domitila Chungara, a indiana Phoolan Devi, casada aos 11 anos, diversas vezes violentada e espancada, que conseguiu ser eleita para o parlamento do seu país, e a modelo somali Waris Dirie, que denunciou a mutilação genital e tornou-se embaixadora da ONU. Na encenação as vozes dos diversos personagens implicados na história proporcionam uma rica variedade de pontos de vista, referências pessoais e culturais que facilitam uma visão mais global e objetiva da situação. Graças à multiplicidade de pontos de vista, o espectador poderá seguir os interesses reais que se escondem atrás de todos os comportamentos. A configuração das diferentes vozes acaba demonstrando a inocência de Medeia e com isso, o patológico desenvolvimento das relações sociais na civilização ocidental. Medeia é uma marginalizada, porque não corresponde à imagem feminina que a sociedade masculina considera apropriada. 

Medeia Vozes se insere num dos principais eixos do trabalho de criação cênica do Ói Nóis Aqui Traveiz: projeto Raízes do Teatro, que estuda as origens ritualísticas do teatro. A principal característica dessa investigação é o tratamento especial dado aos mitos. A releitura de diferentes versões dos mitos é aliada a uma pesquisa cênica para atualizá-los. Herdeiros da busca artaudiana de construir um teatro que recupere a sua identidade como cena concreta – onde sejam abolidos os obstáculos entre o vivido e o representado, e atores e espectadores comunguem de um ritual embasado no ideal de liberdade – o Ói Nóis escolheu como motor da sua pesquisa alguns dos mais conhecidos mitos da nossa cultura – Antígona, Fausto, Kassandra e, agora, Medeia. As diversas premiações de Medeia Vozes reafirmam a importância estética e política do Teatro Ritual da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

Paulo Flores

Texto publicado no Caderno de Sábado do jornal Correio do Povo, em 16/07/2016.



terça-feira, 12 de julho de 2016

Terreira da Tribo completa 32 anos e o público de Medeia Vozes recebe um presente neste final de semana!

O espaço Terreira da Tribo - Centro de Experimentação e Pesquisa Cênica do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, está completando 32 anos de existência.
"Este local que abriga os nossos sonhos e acolhe os nossos corpos é um terreno fértil para semear a arte, o afeto e a cidadania". 

A Terreira da Tribo que desde a sua origem em 1984 na cidade baixa sempre foi ponto de aglutinação de pessoas e profissionais dos mais diversos segmentos - fomentando a criação artística em diferentes áreas - desde o ano 2000 é também Escola de Teatro Popular e ocupa um lugar de destaque entre os espaços culturais do Estado, sendo igualmente apontada como uma referência de âmbito nacional. 

E para celebrar mais esta data, neste final de semana quem for assistir ao espetáculo Medeia Vozes, que realiza suas últimas apresentações neste ano em Porto Alegre, irá receber o último lançamento do Selo Ói Nóis na Memória, “Um Cavalo Louco no Sul do Brasil”. O livro com autoria de Paulo Flores registra a trajetória de 38 anos da Tribo em uma edição bilíngue (português/inglês).



Ingressos à venda na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186) nos dias do espetáculo e no Meme Santo de Casa (Rua Lopo Gonçalves, 176 - Cidade Baixa - das 15h às 20h, de terça a domingo). 
Ingressos R$60,00 inteira e R$30,00 meia (estudante, idoso e classe artística).

Medeia Vozes

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

Foto: Pedro Isaias Lucas

Serviço: 
Medeia Vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dias: sextas e sábados do mês de julho(15, 16, 22 e 23/07)
Horário: 19h30
Ingressos: R$60,00 inteira e R$30,00 meia (estudante, idoso e classe artística).
Classificação etária: 16 anos
Duração: 210 min
Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Arlete Cunha, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Eduardo Arruda, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Keter Velho, Júlio Kaczam, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Alex dos Santos, Pascal Berten e Thales Rangel.



domingo, 26 de junho de 2016

“Medeia Vozes” estará em cartaz no mês de julho!

(os ingressos já estão à venda - antecipado ou no dia do espetáculo)

O premiado espetáculo Medeia Vozes da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará em cartaz no mês de julho (sextas e sábados), às 19h30, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186). Ingressos à venda na Terreira da Tribo (nos dias do espetáculo) e no Meme Santo de Casa (Rua Lopo Gonçalves, 176 - Cidade Baixa - das 15h às 20h, de terça a domingo). Ingressos R$60,00 inteira e R$30,00 meia (estudante, idoso e classe artística).

Foto: Pedro Isaias Lucas

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

“Pronunciamos um nome, e, como as paredes são permeáveis, entramos no tempo que foi o seu, encontro desejado. Sem hesitações, ela responde das profundezas do tempo ao nosso olhar. Infanticida? Pela primeira vez esta dúvida. Um encolher de ombros, de desprezo, um voltar às costas. Ela já não precisa da nossa dúvida, nem dos nossos esforços para lhe fazer justiça, afasta-se. Antecipa-se de nós? Foge? As perguntas perdem o sentido pelo caminho. Mandamos-lhe embora, ela vem ao nosso encontro das profundezas do tempo, nós mergulhamos nele, passamos por épocas que, ao que tudo indica, não nos falam de forma tão clara como a sua. E há de haver um momento em que nos encontramos.
Somos nós que descemos até aos Antigos? São eles que nos apanham? Tanto faz. Basta estender a mão. Passam para o nosso mundo com a maior facilidade, estranhos hóspedes, iguais a nós. Nós temos a chave que abre todas as épocas, por vezes a usamos sem reservas, deitamos um olhar apressado pela fresta da porta, ávidos de juízos precipitados. Mas também deve haver maneira de nos aproximarmos passo a passo, com um certo pudor diante do tabu, dispostos a arrancar dos mortos seu segredo, mas assumindo o preço de algum sofrimento. O reconhecimento das nossas fraquezas – era por aí que devíamos começar.

Os milênios dissolvem-se, sujeitos a fortes pressões. Deve então manter-se a pressão? Pergunta ociosa. Falsas perguntas fazem hesitar a figura que quer libertar-se das trevas da cegueira que nos impede de conhecê-la. Temos de lhe avisar. A nossa cegueira forma um sistema fechado, nada a pode refutar. Ou teremos de nos afoitar no mais íntimo da nossa cegueira e autocegueira, e avançar, sem mais, uns com os outros, uns atrás dos outros, o ruído da derrocada das paredes nos ouvidos? Ao nosso lado, é essa a nossa esperança, a figura de nome mágico que em si faz convergir os tempos, processo doloroso. Nessa figura é o nosso tempo que sobre nós se abate. A mulher bárbara”.

Christa Wolf

Serviço: 
Medeia Vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dias: sextas e sábados do mês de julho
Horário: 19h30
Ingressos: R$60,00 inteira e R$30,00 meia (estudante, idoso e classe artística).
Classificação etária: 16 anos
Duração: 210 min
Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Arlete Cunha, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Eduardo Arruda, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Keter Velho, Júlio Kaczam, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Alex dos Santos, Pascal Berten e Thales Rangel.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

“Medeia Vozes” entra em cartaz na Terreira da Tribo - 4 apresentações com Entrada Franca!


Dias 17,18, 24 e 25 de junho
(sextas e sábados)

O premiado espetáculo Medeia Vozes da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz entra em cartaz em Porto Alegre e faz quatro apresentações com entrada franca. As apresentações serão nos dias 17, 18, 24 e 25 de junho (sextas e sábados), às 19h30, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186). Distribuição de senhas às 19h.

O retorno de Medeia Vozes também marca o retorno da atriz Arlete Cunha para a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A atriz participou de importantes e premiadas montagens teatrais, dentre elas Fim de Partida, Ostal e Antígona - Ritos de Paixão e Morte, todas realizadas durante os 12 anos de trabalho no grupo.

Fotos: Pedro Isaias Lucas

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).

“Pronunciamos um nome, e, como as paredes são permeáveis, entramos no tempo que foi o seu, encontro desejado. Sem hesitações, ela responde das profundezas do tempo ao nosso olhar. Infanticida? Pela primeira vez esta dúvida. Um encolher de ombros, de desprezo, um voltar às costas. Ela já não precisa da nossa dúvida, nem dos nossos esforços para lhe fazer justiça, afasta-se. Antecipa-se de nós? Foge? As perguntas perdem o sentido pelo caminho. Mandamos-lhe embora, ela vem ao nosso encontro das profundezas do tempo, nós mergulhamos nele, passamos por épocas que, ao que tudo indica, não nos falam de forma tão clara como a sua. E há de haver um momento em que nos encontramos.

Somos nós que descemos até aos Antigos? São eles que nos apanham? Tanto faz. Basta estender a mão. Passam para o nosso mundo com a maior facilidade, estranhos hóspedes, iguais a nós. Nós temos a chave que abre todas as épocas, por vezes a usamos sem reservas, deitamos um olhar apressado pela fresta da porta, ávidos de juízos precipitados. Mas também deve haver maneira de nos aproximarmos passo a passo, com um certo pudor diante do tabu, dispostos a arrancar dos mortos seu segredo, mas assumindo o preço de algum sofrimento. O reconhecimento das nossas fraquezas – era por aí que devíamos começar.

Os milênios dissolvem-se, sujeitos a fortes pressões. Deve então manter-se a pressão? Pergunta ociosa. Falsas perguntas fazem hesitar a figura que quer libertar-se das trevas da cegueira que nos impede de conhecê-la. Temos de lhe avisar. A nossa cegueira forma um sistema fechado, nada a pode refutar. Ou teremos de nos afoitar no mais íntimo da nossa cegueira e autocegueira, e avançar, sem mais, uns com os outros, uns atrás dos outros, o ruído da derrocada das paredes nos ouvidos? Ao nosso lado, é essa a nossa esperança, a figura de nome mágico que em si faz convergir os tempos, processo doloroso. Nessa figura é o nosso tempo que sobre nós se abate. A mulher bárbara”.
Christa Wolf

Serviço: 
Medeia Vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dias: 17, 18, 24 e 25 de junho (sextas e sábados)
Horário: 19h30
Ingressos: Entrada Franca
Classificação etária: 16 anos
Duração: 210 min
Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo

Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Arlete Cunha, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Eduardo Arruda, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Keter Velho, Júlio Kaczam, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Alex dos Santos, Pascal Berten e Thales Rangel.

Estas apresentações fazem parte  do encerramento do Projeto "A Arte Pública do Ói Nóis Aqui Traveiz" que teve financiamento do Programa Municipal de Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a cidade de Porto Alegre.

Teatro Como Instrumento de Discussão Social - Canoas

Oficinas Populares de Teatro – Abertas e gratuitas

Estão abertas as inscrições para as oficinas do projeto Teatro Como Instrumento de Discussão Social, realizadas pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz na cidade de Canoas.
As oficinas são contínuas e iniciarão na próxima semana dia 22/06 e acontecerão quartas e sábados, no centro de Canoas, no bairro Mathias Velho e no bairro Harmonia.

O projeto foi contemplado pelo edital PIC 2014, portanto tem o financiamento da Prefeitura Municipal de Canoas/Secretaria da Cultura.



Confira abaixo os horários e locais:

Quarta feira:


*Atenção: Como a Antiga estação Férrea está em reforma (local onde ocorrem as oficinas no centro), as oficinas ocorrerão temporariamente no auditório da Sec. de Cultura de Canoas, que também fica no centro e de fácil acesso.

Centro
Na antiga Estação Férrea (Rua Vitor Barreto, 2301)
Das 19h às 22h
Orientação: Paula Carvalho

Bairro Mathias Velho
No Salão da Igreja Nossa Senhora Aparecida (Rua Florianópolis, 4859)
Das 18h30 às 21h30
Orientação: Clélio Cardoso

Sábados:

Centro
Na antiga Estação Férrea (Rua Vitor Barreto, 2301)
Das 14h às 17h
Orientação: Paula Carvalho

Bairro Harmonia/Vila Natal
Na Garagem Sócio Cultural (Rua Santa Rita, 233 – esq. com a Rua Nossa Senhora Aparecida)
Das 14 às 17h
Orientação: Clélio Cardoso

Inscrições pelo fone 3028 13 58 e 9396 11 40.

A ação Teatro Como Instrumento de Discussão Social desenvolve Oficinas de Teatro em diversos bairros de Porto Alegre e de Canoas.  As Oficinas Populares de Teatro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz têm como objetivo fomentar a organização de grupos culturais nos bairros.
Abrindo espaço para sensibilização e experiência do fazer teatral, apostando no teatro como instrumento de indagação e conhecimento de si mesmo e do mundo, assim como veículo de formação, informação e transformação social. Entendendo a cultura como agente formador de mentalidades com consequente influência direta na condução dos rumos da sociedade, e a atividade teatral como a mais objetiva das manifestações artísticas na reflexão do homem sobre si e sua realidade social. 
A proposta de trabalho teatral segue os fundamentos principais da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, que visa a formação de atores-cidadãos com a necessária qualificação para estar a serviço da construção de uma sociedade justa e solidária.
As Oficinas Populares de Teatro são gratuitas e abertas a todos interessados a partir dos 15 anos.

“A Arte em todas as suas modalidades tem por função básica a estruturação e o desenvolvimento da sensibilidade e do pensamento dos seres humanos. O Teatro tem por objeto a análise crítica e a exposição das relações inter-humanas, o que faz dele um dos mais poderosos aliados na luta permanente em favor da construção da cidadania.”


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Vão começar as obras para a construção do Centro Cultural Terreira da Tribo!

Finalmente um terreno fértil, um prédio público, para a Arte Pública da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz! 38 Anos de Ousadia e Ruptura, cultivando a Utopia, semeando a Paixão e dando mãos à Resistência!



Foi assinada nesta quarta-feira (8/06), pelo prefeito José Fortunati a ordem de início das obras para a construção do Centro Cultural Terreira da Tribo. O prédio de três andares localizado na esquina da Rua João Alfredo com a Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto terá três pavimentos, com mezanino, galpão cênico, biblioteca, videoteca, foyer, cafeteria, loja, banheiros, espaço para teatro de rua e estacionamento com 25 vagas.


A empresa Frame - Engenharia e Telemática foi a vencedora da licitação. Serão investidos R$ 6.156.531,84, com recursos provenientes do Ministério da Cultura (R$ 1,4 milhão) e da Prefeitura (R$ 4,8 milhões). A expectativa é de que as obras comecem na próxima semana, com conclusão em dezembro de 2017.

O terreno foi doado pela prefeitura e o projeto desenvolvido pela equipe da Divisão de Projetos Prediais da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). O engenheiro João Pancinha, que liderou o trabalho, destacou a transversalidade entre as secretarias e departamentos municipais para tornar o empreendimento possível. “Uma cidade e um povo desenvolvido dependem e priorizam a cultura. É o que buscamos aqui. Porto Alegre vai receber um equipamento qualificado, de primeiro mundo”, disse Pancinha. O secretário municipal da Cultura, Roque Jacoby, também citou o trabalho integrado no desenvolvimento do projeto e para viabilizar a obra, que segundo ele “diferencia Porto Alegre no cenário nacional do teatro e da arte popular”.


Fotos Eugênio Barboza

terça-feira, 31 de maio de 2016

“Medeia Vozes” entra em cartaz na Terreira da Tribo!


 Dias 17,18, 24 e 25 de junho
(sextas e sábados)

O premiado espetáculo Medeia Vozes da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz entra em cartaz em Porto Alegre e faz quatro apresentações com entrada franca. As apresentações serão nos dias 17, 18, 24 e 25 de junho (sextas e sábados), às 19h30, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186). Distribuição de senhas às 19h.

Fotos: Pedro Isaias Lucas

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz toma uma versão antiga e desconhecida do mito, trazendo uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas. A voz de Medeia somam-se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo.

Medeia Vozes ganhou o Prêmio Açorianos em 8 categorias (melhor espetáculo, atriz para Tânia Farias, cenografia, iluminação, trilha para Johann Alex de Souza, dramaturgia, produção e direção), além do troféu do Júri Popular. E em 2014 ganhou mais um prêmio açorianos na categoria de melhor espetáculo, concedido pela EEPA (Escola de Espectadores de Porto Alegre).



“Pronunciamos um nome, e, como as paredes são permeáveis, entramos no tempo que foi o seu, encontro desejado. Sem hesitações, ela responde das profundezas do tempo ao nosso olhar. Infanticida? Pela primeira vez esta dúvida. Um encolher de ombros, de desprezo, um voltar às costas. Ela já não precisa da nossa dúvida, nem dos nossos esforços para lhe fazer justiça, afasta-se. Antecipa-se de nós? Foge? As perguntas perdem o sentido pelo caminho. Mandamos-lhe embora, ela vem ao nosso encontro das profundezas do tempo, nós mergulhamos nele, passamos por épocas que, ao que tudo indica, não nos falam de forma tão clara como a sua. E há de haver um momento em que nos encontramos.
Somos nós que descemos até aos Antigos? São eles que nos apanham? Tanto faz. Basta estender a mão. Passam para o nosso mundo com a maior facilidade, estranhos hóspedes, iguais a nós. Nós temos a chave que abre todas as épocas, por vezes a usamos sem reservas, deitamos um olhar apressado pela fresta da porta, ávidos de juízos precipitados. Mas também deve haver maneira de nos aproximarmos passo a passo, com um certo pudor diante do tabu, dispostos a arrancar dos mortos seu segredo, mas assumindo o preço de algum sofrimento. O reconhecimento das nossas fraquezas – era por aí que devíamos começar.
Os milênios dissolvem-se, sujeitos a fortes pressões. Deve então manter-se a pressão? Pergunta ociosa. Falsas perguntas fazem hesitar a figura que quer libertar-se das trevas da cegueira que nos impede de conhecê-la. Temos de lhe avisar. A nossa cegueira forma um sistema fechado, nada a pode refutar. Ou teremos de nos afoitar no mais íntimo da nossa cegueira e autocegueira, e avançar, sem mais, uns com os outros, uns atrás dos outros, o ruído da derrocada das paredes nos ouvidos? Ao nosso lado, é essa a nossa esperança, a figura de nome mágico que em si faz convergir os tempos, processo doloroso. Nessa figura é o nosso tempo que sobre nós se abate. A mulher bárbara”.

Christa Wolf

Serviço: 
Medeia Vozes - Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Local: Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186)
Dias: 17, 18, 24 e 25 de junho (sextas e sábados)
Horário: 19h30
Ingressos: Entrada Franca
Classificação etária: 16 anos
Duração: 210 min
Ficha Técnica: Criação, Direção, Dramaturgia, cenografia, figurinos criados coletivamente pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Música: Johann Alex de Souza
Preparação Vocal: Leonor Melo
Participam da encenação os atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Arlete Cunha, Eugênio Barbosa, Paula Carvalho, Eduardo Arruda, Clélio Cardoso, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Lucas Gheller, Mayura Matos, Keter Velho, Júlio Kaczam, Daniel Steil, Luana Rocha, Márcio Lima, Alex dos Santos, Pascal Berten e Thales Rangel.

Estas apresentações fazem parte  do encerramento do Projeto "A Arte Pública do Ói Nóis Aqui Traveiz" que teve financiamento do Programa Municipal de Fomento ao Trabalho Continuado em Artes Cênicas para a cidade de Porto Alegre.