quinta-feira, 25 de julho de 2013

“Medeia Vozes” da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estreia no 20º POA em Cena!

Foto: Pedro Isaias Lucas

A Tribo de Atuadores Ói Nóis qui Traveiz, no ano que completa 35 anos de trajetória, estreia a sua mais nova criação coletiva para teatro de vivência: “Medeia Vozes”. O espetáculo que parte do mito de Medeia, tem como principal referência o romance homônimo de uma das mais notáveis escritoras alemãs, Christa Wolf. O espetáculo será encenado dentro da programação do 20º Porto Alegre em Cena. As apresentações serão de 11 a 15 e de 18 a 22 de setembro, sempre às 19h30, na Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186 – São Geraldo). Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz tem o patrocínio do Ministério da Cultura e Petrobras.

Em MEDEIA VOZES, Christa Wolf toma uma versão antiga e desconhecida do mito, e nos traz uma mulher que não cometeu nenhum dos crimes de que Eurípides a acusa. Por mais de dois mil anos, Medeia, uma das mais poderosas mulheres da mitologia grega, é acusada de várias atrocidades, tais como o fratricídio, o infanticídio e o envenenamento de Glauce, e é esta imagem que foi imposta à consciência ocidental que Wolf vem negar. O mito é questionado e reelaborado de maneira original, para analisar o fundamento das ordens de poder e como estas se mantêm ou se destroem.  

Medeia é uma mulher que está na fronteira entre dois sistemas de valor, corporizados respectivamente pela sua terra natal, e pela terra para a qual foge.  Ambas as sociedades, Corinto e Cólquida, apresentam na sua história um sacrifício humano fundamental, que serviu para a estabilização do poder patriarcal. Medeia é uma mulher que enxerga seu tempo e sua sociedade como são. As forças que estão no poder manifestam-se contra ela, chegando mesmo à perseguição e banimento, ela é um bode expiatório numa sociedade de vítimas.

A Medeia pacifista do Ói Nóis Aqui Traveiz demonstra a inutilidade de todo processo bélico. A encenação forma uma obra polifônica, onde, além das vozes dos personagens narradores do romance, somam- se vozes de mulheres contemporâneas como as revolucionárias alemãs Rosa Luxemburgo e Ulrike Meinhof, a somali Waris Diriiye, a indiana Phoolan Devi e a boliviana Domitila Chungara, que enfrentaram de diferentes maneiras a sociedade patriarcal em várias partes do mundo. 

Com a criação coletiva Medeia Vozes a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz dá continuidade ao Projeto Raízes do Teatro e segue uma linha de investigação sobre teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea. Este projeto já trabalhou com mitos que resultaram nos espetáculos: Antígona Ritos de Paixão e Morte (1990), Missa para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Doutor Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo (1994) e Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra In Process (2002).

FICHA TÉCNICA:

MEDEIA VOZES
Criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz inspirada livremente no romance homônimo de Christa Wolf.
Roteiro, encenação, cenografia, figurinos e iluminação da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Música: Johann Alex de Souza

Preparação Vocal: Leonor Melo

Atuadores: Tânia Farias, Paulo Flores, Clélio Cardoso, Marta Haas, Eugênio Barboza, Jorge Gil, Sandra Steil, Paula Carvalho, Roberto Corbo, Letícia Virtuoso, Mayura Matos, Luana da Rocha, Keter Atácia, Alex Pantera, Geison Burgedurf, Pascal Berten e Pedro Gabriel.

Operação de luz e som: Daniel Steil e Márcio Leandro.

domingo, 14 de julho de 2013

Terreira da Tribo completa 29 anos!


Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Centro de Experimentação e Pesquisa Cênica e Escola de Teatro Popular


A Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é hoje um dos principais centros de investigação cênica do país. Criada em 1984 no Bairro Cidade Baixa, sob o signo do teatro revolucionário de Antonin Artaud, a Terreira é um atelier artístico onde se desenvolve múltiplas atividades. Desde as oficinas teatrais de iniciação, pesquisa de linguagem e treinamento de atores, até a elaboração e montagem dos espetáculos do Ói Nóis Aqui Traveiz. Ao mudar de endereço para o Bairro Navegantes, em 2000, a Terreira se transforma em Escola de Teatro Popular, com o objetivo de preservar, difundir e socializar a proposta estética e política desenvolvida desde 1978 pelo grupo. O nome desse espaço feminino, telúrico e anarquista vem de terreiro, lugar de encontro do ser humano com o sagrado. É um espaço que possibilita a sua utilização de muitas formas. É na Terreira que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz cria o seu Teatro de Vivência, com seus ambientes cênicos onde o espectador integrado ao espaço torna-se participante do ato teatral.
A Terreira da Tribo abrigou desde a sua criação diversas manifestações culturais, como shows musicais, ciclos de filmes e vídeos, debates e celebrações, além de oportunizar às pessoas em geral o contato com o fazer teatral. Gerida de uma forma libertária pelo Ói Nóis Aqui Traveiz, a Terreira é uma peça fundamental para o desenvolvimento das artes cênicas porto-alegrense. Várias de suas manifestações já foram apropriadas pela cidade, como o Teatro de Rua, hoje com vários grupos atuando regularmente, e as Oficinas de Teatro nos Bairros da periferia. Atualmente, dentro do Projeto “Teatro Como Instrumento de Discussão Social”, a Tribo desenvolve Oficinas Populares de Teatro em seis bairros da Grande Porto Alegre.
A Terreira possibilitou ao Ói Nóis Aqui Traveiz empreender uma política de sistematização e consolidação da experiência do Teatro de Rua, com montagens de “Teon – Morte em Tupi-Guarani” (1985), “A Exceção e a Regra” de Bertolt Brecht (1987 e 1998), “A História do Homem que Lutou sem Conhecer seu Grande Inimigo” de Augusto Boal (1988), “Dança da Conquista” (1990), “Deus Ajuda os Bão” de Arnaldo Jabor (1991), “Se Não Tem Pão, Comam Bolo!” (1993), “Os Três Caminhos Percorridos por Honório dos Anjos e dos Diabos” de João Siqueira (1993), “Independência ou Morte!” (1995), “A Heroína de Pindaíba” (1996), “A Saga de Canudos” (1999) e “O Amargo Santo da Purificação – Vida, Paixão e Morte do Revolucionário Carlos Marighella” (2008). Desde 1988 a Tribo desenvolve o Projeto “Caminho Para Um Teatro Popular”, criando um circuito regular de apresentações em ruas, praças e vilas populares. 
Dentro do espaço da Terreira da Tribo encenou os espetáculos “A Visita do Presidenciável” (1984), “As Domésticas” de Jean Genet (1985), “Fim de Partida” de Samuel Beckett (1986), “Ostal” (1987), “Antígona Ritos de Paixão e Morte” (1990), “Missa Para Atores e Público sobre a Paixão e o Nascimento do Dr. Fausto de Acordo com o Espírito de Nosso Tempo” (1994), “A Incrível História de Heracles” (1995), “Álbum de Família” de Nelson Rodrigues (1996), “A Morte e a Donzela” de Ariel Dorfmann (1997), “Hamlet Máquina” de Heiner Müller (1999), “Kassandra in Process –  A Gênese” (2001), “Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra in Process” (2002),  “A Missão (Lembrança de Uma Revolução)” de Heiner Müller (2006). Em 2011 dentro da vertente de Teatro de Vivência a Tribo encenou “Viúvas – Performance sobre a ausência” na Ilha do Presídio.
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza ainda as ações Mostra Ói Nóis Aqui Traveiz – Jogos de Aprendizagem (mostra do processo pedagógico das oficinas), Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem (com mostra de processos pedagógicos e apresentações de grupos do Brasil e da América Latina). Lançou em 2004 o selo Ói Nóis Na Memória que já publicou seis livros e três DVDs; edita a CAVALO LOUCO – Revista de Teatro que é distribuída nacionalmente a escolas de arte, universidades, bibliotecas públicas, pesquisadores, críticos e grupos de teatro.
Toda a trajetória da Terreira foi marcada pela ruptura, invenção e intervenção, buscando a transformação do teatro e da sociedade. Em 2009, novamente em outro espaço alugado (Bairro São Geraldo), a Tribo luta pela construção de uma sede definitiva no lugar de origem da Terreira, o Bairro Cidade Baixa. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Evocando os mortos - Poéticas da Experiência

Desmontagem da atuadora Tânia Farias no FIT - 2013


A atuadora Tânia Farias da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz participa neste final de semana do FIT - Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, com a desmontagem “Evocando os mortos - Poéticas da Experiência”. Tânia Farias estará apresentando sua desmontagem dentro das atividades formativas do festival, uma proposta de desvelar os processos de criação de algumas personagens de sua trajetória, que se mescla ao caminho da própria Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Dia 7 de julho, às 16h na sala de uso múltiplo - SESC

Mais informações pelo site:

http://www.festivalriopreto.com.br/2013/

Contato:
terreira.oinois@gmail.com